Braga, quinta-feira

Lara, a princesa guerreira: o ringue é a minha casa

Desporto

05 Abril 2020

Redação

Atleta bracarense tem sido das maiores representantes dos Guerreiros do Minho dentro dos ringues e afirma-se orgulhosa de poder usar as cores do seu clube do coração.

O olhar sério dentro de ringue contrasta com o sorriso natural que exibe fora dele. Assim é Lara Martins, uma Guerreira do Minho que eleva bem alto o nome do Sporting Clube de Braga, clube do coração, e que no dia a dia admite ser vaidosa, algo próprio de alguém com 15 anos.

Em apenas quatro anos, Lara tornou-se uma referência do universo das artes marciais do clube graças aos títulos conquistados, destacando-se um ano 2019 de ouro em que se sagrou campeã nacional de boxe e campeã nacional de kickboxing, modalidade na qual venceu ainda a Taça de Portugal de Light Contact. Uma campeã com ADN do SC Braga que não descansa à sombra do que já conseguiu e que almeja ir em busca de mais.

Questionada sobre o mundo em que ‘vive’, muitas vezes associado apenas aos homens, Lara fala de algum preconceito que ainda existe, mas afirma-se feliz por fazer parte deste mundo.

“Há muito preconceito e ouço muitas vezes que as mulheres não devem lutar porque é muito sofrimento. Mas sou feliz neste mundo porque sempre tive interesse por artes marciais. A primeira que pratiquei foi karaté até chegar ao cinturão amarelo. Mas acabei por desistir porque não me motivou. Não era aquilo que eu queria. Entretanto, como gostava de ver kickboxing com o meu pai na televisão e soube que o SC Braga, que é o clube do meu coração, tinha a modalidade decidi arriscar. Sempre fui adepta do SC Braga e sempre quis fazer algo pelo clube. Fui à academia, fiz um treino experimental e logo no fim do treino olhei para o ringue e pensei: ‘É ali que eu quero estar. Quero ir aos campeonatos, quero representar o SC Braga e quero levantar títulos’. Tinha 11 anos quando comecei no kickboxing, mas hoje também luto boxe”, refere a bracarense, que fala também que sempre foi um pouco ‘maria-rapaz’ nas brincadeiras de criança, mas admitindo que sempre foi, e continua a ser, muito vaidosa: “Quando era criança davam-me bonecas mas não ligava muito. Gostava mais de brincar com o meu irmão e a dada altura comecei a pedir coisas para construir e carrinhos. Aliás, ainda hoje gosto muito de carros. Na escola também recordo-me de brincar com os rapazes, mas sempre fui feminista. Gosto de me arranjar, tenho vaidade em ser mulher e lido muito bem com as pisaduras [risos]. Faz parte deste desporto. Posso sair de um combate com um olho inchado ou um lábio rebentado, mas não importa porque sei que fui para o ringue fazer o que gosto. Vejo essas marcas como provas daquilo que passei para chegar onde estou”.

Relatando o seu passado desportivo, Lara fala dos primeiros combates e das sensações que sente dentro do ringue, que considera a sua casa, o local onde se sente confortável.

“O meu primeiro combate foi nos campeonatos regionais e não correu nada bem. Foi uma experiência complicada porque fui jogar ‘light kick’ e a adversária veio para cima de mim e fiquei à nora. Foi a sensação de pisar algo completamente novo. Mas não desisti. Depois fui a uma gala, em Cabeceiras de Basto, e lutei contra uma atleta mais velha. Não correu tão mal, porque já sabia o que era estar no ringue e estava mais segura de mim. Mesmo assim, não caiu para o meu lado. A seguir fui aos campeonatos nacionais e também não venci. Continuei a treinar muito, a ouvir os meus treinadores e consegui a primeira vitória na Taça de Portugal. Recordo-me que a adversária levou um golpe no queixo e teve que se chamar o médico. Foi o primeiro combate que venci. Tinha 12 anos”, conta a atleta, para logo finalizar: “o ringue é a minha casa, o meu conforto e a certa altura já nem a dor se sente, apesar, claro, de às vezes haver pancadas mais fortes. Mas temos de ser mais duras e mostrar resistência à adversária. Antes de pensar na minha dor tenho de pensar que vou magoá-la. O meu lema é dar sempre tudo o que tenho até ao fim. “A minha porta de entrada foi o kickboxing. É um desporto bonito e confesso que me fascina mais. Mas quando luto boxe é diferente. No kickboxing não posso bater com mais força porque não tenho idade, mas no boxe já posso meter força e as pessoas gostam mais”.

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