Braga, terça-feira

"Lay off" travou subida de desemprego a Norte de 7% para 25% no fim de 2020 - relatório

Economia

13 Abril 2021

Lusa

As medidas de proteção ao emprego como o 'lay-off' estão a evitar que a taxa de desemprego na região Norte, que se fixou em 7,0% no último trimestre de 2020, "se situe perto de 25%", revela hoje um relatório.

O relatório trimestral Norte Conjuntura, elaborado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e a que a Lusa teve hoje acesso, refere que a intervenção pública na economia da região está a ser "determinante para suster o emprego e evitar um crescimento galopante do desemprego".
 

"A amplitude das medidas de apoio estão a evitar que a taxa de desemprego do Norte se situe perto de 25%", indica.
 

Entre o terceiro (julho, agosto e setembro) e último trimestre (outubro, novembro e dezembro) de 2020, a taxa de desemprego na região diminuiu 0,9% em consequência da "elevada proteção do emprego". 
 

Nos últimos três meses de 2020, 328.647 trabalhadores estavam abrangidos pelo regime de 'lay-off'.
 

O número de trabalhadores abrangidos pelo regime de 'lay-off' tem sido, desde o início da pandemia, "bastante elevado", tendo sido contabilizados 328.647 trabalhadores neste regime no quarto trimestre do último ano, o que representava 40,8% do total do país, acrescenta o relatório.
 

De acordo com o documento, as taxas de desemprego nos trabalhadores mais jovens (entre os 15 e 24 anos) continuam a ser "as mais elevadas" na região, tendo-se situado em 20,8% no 4.º trimestre de 2020, valor inferior ao do trimestre anterior, em que se fixou nos 24,3%.
 

A redução da taxa de desemprego neste grupo não resultou da criação de postos de trabalho, mas "do aumento de inativos jovens que desistiram de procurar emprego num quadro em que diminuiu a probabilidade de o obter".
 

A taxa de desemprego nos residentes entre os 25 e 34 anos aumentou para 10,4% durante o período em análise, o que "levanta preocupações adicionais, sobretudo nos últimos dois trimestres, porque ocorreu numa fase em que a economia não se encontrava em confinamento".
 

Já as taxas de desemprego nas faixas etárias de maior idade registaram uma redução, tendo o valor diminuído para 4,2% no escalão etário dos 35 aos 44 anos e para 5,1% nos residentes com 45 ou mais anos.
 

Segundo o relatório, a "evolução atípica do mercado de trabalho numa conjuntura tão adversa é ainda mais notória no caso do Norte", sendo que, em 2020, em termos líquidos, a região "apenas perdeu quatro mil postos de trabalho face a 2019".
 

No trimestre em análise, o emprego nos indivíduos com o Ensino Superior aumentou em 60.100 face ao período homólogo de 2019. Pelo contrário, o emprego nos trabalhadores com um nível de escolaridade inferior baixou em 32.600.
 

"Esta dicotomia deriva, em parte, da transformação digital em curso", aponta.
 

Quanto à dívida acumulada das empresas junto ao sistema bancário, o relatório indica que aumentaram em 11,3% no último trimestre de 2020 face ao mesmo período de 2019, pelo que os novos empréstimos às empresas diminuíram em 25%.
 

Já relativamente ao turismo na região, observou-se uma "deterioração", com as dormidas de residentes a diminuírem 47,4% e as dormidas de não residentes 83,9% comparativamente ao mesmo período de 2019.
 

O relatório Norte Conjuntura destaca ainda que o mercado de trabalho se "agudizou" em 2021, com o número de desempregados inscritos nos centros de emprego a aumentarem e as exportações de bens a se agravarem em janeiro depois do "bom desempenho" no quarto trimestre.
 

"Devido às novas medidas de confinamento à escala nacional e internacional, as exportações de bens do Norte baixaram em 12,4 por cento em janeiro de 2021 face ao mesmo mês do ano transato, agravando a ligeira redução (-2,6%) que tinha sido observada no 4.º trimestre de 2020 face ao período homologo de 2019", esclarece.
 

Nas projeções e riscos para a evolução da economia do Norte, o documento destaca que "alguns fatores de resiliência podem ajudar a uma evolução ligeiramente mais favorável da região no contexto nacional", ainda que existam riscos que a economia "enfrentará" como o comércio, turismo e consumo interno de bens produzidos na região.
 

"Tanto em Portugal, como na região, o prognostico é bastante reservado (…) Para 2021 a previsão é de crescimento, mas para o primeiro trimestre ainda não há sinais de recuperação: a economia portuguesa deverá cair 2,1% face ao trimestre anterior", acrescenta.

Deixa o teu comentário