Braga, sexta-feira

Luís Cameira: Natação foi por água abaixo

Desporto

20 Março 2020

Redação

Treinador do SC Braga, Luís Cameira preconiza o adiamento dos Jogos Olímpicos. Tendo já o passaporte carimbado, Tamila Holub e José Paulo Lopes, à beira dos mínimos, já treinam sem piscina. Nada equivale aos treinos na água, salienta.

“Se houver Jogos Olímpicos não haverá verdade desportiva” e “a natação foi por água abaixo”, diz-nos Luís Cameira, treinador do SC Braga que nos seus quadros conta, entre outros, com Tamila Holub, já com mínimos para os Jogos Olímpicos e José Paulo Lopes, que tinha tudo preparado para carimbar em breve o passaporte para Tóquio. Com a pandemia Covid-19, já nem dispõem de piscina para treinar.
“Apetrechámos as suas casas com pequenos ginásios, halteres, bolas medicinais, cordas ou até bicicletas estáticas; e aqueles que vivem fora da cidade são aconselhados a fazer treinos de corrida e de bicicleta, por zonas sem contactos”, acrescenta.

Revelando que a cada nadador foi entregue um programa de treino específico para cumprir, explica que com a novas tecnologias “continua a ser possível mantermos-nos em contacto e vermo-nos uns aos outros, enquanto fazemos os nossos exercícios”. “Mas” - salienta -, “nada se equivale aos treinos na água”.

O fecho das piscinas mesmo para treinos e a suspensão de provas que estavam calendarizadas para as próximas semanas vão reduzir significativamente a forma competitiva dos nadadores de alta competição, realça.

“De 26 a 29 de Março tínhamos em agenda os campeonatos, em Coimbra, onde o José P. Lopes teria tudo para chegar aos mínimos olímpicos, depois de cumprir um programa que incluiu estágio em altitude nos Pirinéus”, observa. Na semana passada, quando se decidiu suspender o programa de treinos tudo “foi por água abaixo”.

“Porém, essa foi uma medida importante, pois nós não podemos arriscar a saúde dos atletas nem a dos familiares”, realça, lembrando que na natação, “ao contrário do que se passa com outras modalidades como a canoagem, o remo ou o atletismo, a prática específica da modalidade ocorre em partilha de ambientes muito húmidos e fechados”.

Quanto a nadadores com menos objectivos competitivos no imediato, adianta que dos juvenis para cima, portanto, com mais de 15 anos, “são cerca de trinta” mas, considera, eles estão todos “cada vez mais conformados” com a necessidade de permanecer fisicamente isolados em casa.

Questionado sobre se esta mudança implica também novos regimes alimentares, o treinador admite que essa é uma das maiores preocupações. Estamos perante atletas que regularmente treinavam cinco ou seis horas por dia e agora essa carga foi reduzida a uma ou duas horas. “Passaram a ser muitas horas de sofá”, reconhece, vincando que no caso da natação a quebra de actividade resulta em ganhos de peso com reflexos imediatos na quebra de rendimento, pois é um desporto onde o praticante carrega o próprio peso e cada 100 gramas ou cada centésimo de segundo “pode fazer a diferença”.

Sob o ponto de vista psicológico, Luís Cameira refere que uma parte significativa da equipa de natação do SC Braga é composta de nadadores que são também estudantes universitários e que a UMinho foi uma das primeiras a cessar a actividade. A paragem “já era esperada, já se sentia ansiedade”, confessa, adiantando que tanto o José P. Lopes como a Tamila, que tinha suspendido em Abril de 2019 a sua matrícula numa universidade norte-americana para se fixar no ciclo olímpico, tinham ainda para os próximos tempos também no seu calendário a participação em Campeonatos da Europa.

Sobre os Jogos Olímpicos, preconiza que não se realizem pois, considera que “está em causa a verdade desportiva”.

A sustentar esta posição, Luís Cameira realça que mais de 50% dos nadadores apurados para Tóquio estão impossibilitados de treinar, mas há países onde a incidência do novo coronavírus é quase irrelevante, e aí os nadadores podem manter o seu ritmo de preparação. É esta “desigualdade”, observa, que vai causar, caso os Jogos Olímpicos se disputem em 2020, uma falta “da verdade desportiva”.

Assim, segundo Luís Cameira, o melhor seria adiar estas olimpíadas para 2021 ou mesmo para 2022.

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