Braga, sexta-feira

Lula diz ter sido vítima da "maior mentira jurídica contada em 500 anos de história"

Internacional

10 Março 2021

Lusa

O ex-presidente do Brasil Lula da Silva disse hoje ter sido vítima "da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história", após as suas condenações no âmbito da operação Lava Jato terem sido anuladas.

"Faz quase três anos que saí da sede do Sindicato dos Metalúrgicos para me entregar à Polícia Federal. Fui, obviamente, contra a minha vontade, porque sabia que estavam prendendo um inocente. Tomei a decisão porque não seria correto um homem da minha idade aparecer na capa dos jornais e na televisão como fugitivo", afirmou Lula, na sua primeira declaração pública após as condenações no Paraná terem sido anuladas.
 

"Como tinha clareza das inverdades, tomei a decisão de provar a minha inocência perante o juiz Sergio Moro. Eu tinha tanta confiança e consciência do que estava a acontecer no Brasil e tinha a certeza de que o dia da verdade chegaria... e chegou. (...) Mas sei que fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história", salientou o ex-chefe de Estado.
 

Lula, que garante ser inocente, atribuiu às "falsas acusações" de corrupção contra si a morte da sua mulher, Marisa Letícia Lula da Silva, em 2017.
 

"Sei que a Mariza morreu por conta da pressão e o AVC se apressou. (...) Fui proibido de visitar o meu irmão num caixão, enquanto estava preso. Se tem um brasileiro que tem razão para ter muitas e profundas mágoas sou eu, mas não tenho, porque o sofrimento que o povo brasileiro e os pobres estão passando neste país é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim", lamentou.
 

Lula da Silva falou hoje à imprensa, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo, São Paulo, na presença de figuras políticas como Fernando Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) que perdeu a eleição presidencial para Jair Bolsonaro, em 2018, e Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
 

O juiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, anulou na segunda-feira todas as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Justiça Federal no Paraná, relacionadas com as investigações da operação anticorrupção Lava Jato.
 

A anulação foi decretada na sequência da decisão de Fachin, de declarar a incompetência da Justiça Federal do Paraná nos processos sobre a posse de um apartamento de luxo no Guarujá e de uma quinta em Atibaia, ambos em São Paulo, que haviam levado a duas condenações do ex-chefe de Estado brasileiro, em decisões das primeira e segunda instâncias.
 

Isto não quer dizer que o antigo chefe de Estado brasileiro tenha sido inocentado já que os processos serão remetidos para a justiça do Distrito Federal, que vai reavaliar os casos e pode receber novamente as denúncias e reiniciar os processos anulados.
 

Com a decisão, porém, Lula da Silva voltou a ser elegível e recuperou seus direitos políticos.
 

Lula, de 75 anos e que governou o Brasil entre 2003 e 2010, chegou a cumprir 580 dias de prisão, entre abril de 2018 e novembro de 2019 e, desde então, o ex-presidente recorria da sua sentença em liberdade condicional.

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