Braga, terça-feira

Lusodescendente leva vinhos portugueses a restaurantes de Paris

Economia

13 Dezembro 2019

Lusa

Seis dezenas de restaurantes de Paris servem vinhos portugueses graças a Karine da Costa, depois de um trabalho de formiguinha que desenvolve desde 2018 para divulgar os néctares de produtores de várias regiões demarcadas.

“Nunca encontrava vinhos portugueses nos restaurantes da moda de Paris. Agora já começa a haver, mas há dois, três anos, não havia mesmo”, contou Karine da Costa à agência Lusa, durante o IV Encontro de Investidores da Diáspora, que está a decorrer até sábado, em Viseu.
 

Filha de pai natural de Vila Nova de Famalicão e de mãe de Mêda, Karine da Costa, de 26 anos, sempre viveu em Paris, mas “conhecia a qualidade dos vinhos portugueses” e lamentava não os conseguir encontrar nos restaurantes da capital francesa.
 

“Eu queria ter mais ligação a Portugal. Fui fazer uma formação em viticultura a Albufeira para ter bases sobre o setor e outra em enologia em Paris”, contou.
 

Karine da Costa começou nesta área em maio de 2018, com os vinhos verdes, mas atualmente trabalha também com produtores das regiões do Dão, do Douro e do Tejo. No próximo ano, juntar-se-ão os vinhos do Algarve, do Alentejo e de Lisboa.
 

“Primeiro começo pela seleção das vinhas, só trabalho com pequenos produtores independentes, que dão importância ao meio ambiente, e com castas autóctones”, explicou.
 

Como não fazia parte da área da restauração e dos vinhos, tem de ir “tocar às portas” dos restaurantes.
 

“Chego lá, apresento-me, combino um encontro para poderem provar os produtos. Vejo o tipo de restaurante, o tipo de comida, e faço uma seleção dos meus produtos que combinam mais”, explicou, acrescentando que, este ano, terão sido enviadas cerca de 2.500 garrafas para Paris.
 

Pedro Veríssimo, de 38 anos, saiu há quase sete anos de Campo Maior para o México para abrir o Grupo Mayoral e Veríssimo - empresa de importação e exportação, com sede em Metepec, no estado do México.
 

“Começámos com o negócio do café e da cortiça, mas cada vez havia mais oportunidade de negócio de empresas portuguesas que identificam o México como uma potência mundial. Começámos a ficar com representação de marca e a fazer o ponto de ligação para empresas portuguesas que queriam entrar no território mexicano”, referoi.
 

Depois do café e da cortiça, a empresa começou a trabalhar noutras áreas, como os moldes e a metalomecânica.
 

“Na atualidade, fazemos já o trabalho inverso: trazer empresas mexicanas que não conhecem Portugal, trazer investidores para aproveitar Portugal como uma porta de entrada para o mercado europeu”, explicou Pedro Veríssimo.
 

O grupo tem atualmente parcerias com mais de 25 empresas, cada uma no seu setor, umas portuguesas, outras mexicanas.
 

“Nós próprios não somos distribuidores, somos, como nos chamam no México, facilitadores de negócios”, contou.
 

Já Rui Rodrigues fez o inverso do que é habitual: abriu a sua empresa, a ‘startup’ BeON Energy, na China, em 2014, e, no ano seguinte, mudou-a para Ponte de Sor, no Alentejo.
 

“Estive em Taiwan, na China, fiz muitos contactos na minha área, de produção de eletrónica, adquiri conhecimentos e contactos, o que me permitiu iniciar a minha própria fábrica para fabrico das invenções que eu tinha na cabeça”, declarou.
 

A sua invenção, que recebeu vários prémios, consiste num sistema fotovoltaico destinado aos consumidores domésticos que permite a qualquer pessoa produzir eletricidade de forma fácil e sem precisar de ajuda para a instalação.
 

“É um aparelho que se permite ligar a qualquer painel de produção de energia solar e transformá-lo num eletrodoméstico. Ou seja, a própria pessoa pode ligá-lo à casa, bastando para isso uma normal tomada e, em vez de tirar energia da tomada, está a pôr energia para a tomada e a abastecer a sua casa, poupando na conta elétrica”, esclareceu.
 

Hoje, Rui Rodrigues está convencido de que o regresso a Portugal foi a sua melhor opção.
 

“É bom estar próximo dos clientes, quer para efeitos de imagem, quer para efeitos de logística e de acompanhamento do cliente”, afirmou, acrescentando que as vendas são maioritariamente feitas em Portugal e noutros países da Europa.

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