Braga, sábado

Maior parte do pequeno comércio já abriu, mas retoma será lenta e gradual

Regional

05 Maio 2020

Redação

Foram ainda poucos os clientes a entrarem nas lojas da cidade no dia que marcou a reabertura do comércio. É uma mudança a que empresários e clientes terão se de habituar, na certeza de que o comércio como o conhecíamos está num futuro longínquo.

A esmagadora maioria das lojas de comércio bracarense até 200m2 abriu ontem as suas portas. É o regressar a uma certa normalidade, nesta primeira fase, do pequeno comércio, mas a retoma, como assevera Rui Marques, director-geral da Associação Comercial de Braga “será lenta e gradual”.

O dirigente diz que os que não reiniciaram a sua actividade esta segunda-feira ou estão ainda na fase de preparação e adaptação do seu espaço face às novas exigências de funcionamento ou não terão condições para continuar a sua actividade. “Neste momento não conseguimos quantificar as empresas que não vão abrir portas porque não têm, do ponto de vista administrativo, de dar essa comunicação a ninguém, pelo menos publicamente”, explica Rui?Marques, acreditando que serão “um número muito baixo” de empresas nessa situação.

Rui?Marques diz que a maior dificuldade sentida pelos comerciantes nesta fase foi “a falta de tempo” que tiveram para preparar a abertura dos estabelecimentos face à novas regras sanitárias que só foram publica- mente conhecidas na sexta-feira e sábado. “Não tiveram sequer um dia útil que lhes tivesse permitido absorver a informação”, diz a propósito o director-geral da ACB, admitindo que há ainda uma dificuldade no acesso a material de protecção individual que “não existe em grande quantidade e com preços ainda bastante elevados”.

O dirigente adianta ao CM que os seus associados reportaram neste primeiro dia de reabertura do comércio que os clientes manifestam ainda falta de conhecimento relativamente à obrigatoriedade de utilização de máscaras para o acesso aos estabelecimentos “o que naturalmente cria alguns constrangimentos”.

Recorde-se que nesta primeira fase a ordem de abertura foi para estabelecimentos com porta aberta para a rua até 200 m2; cabeleireiros, manicures e similares; livrarias e comércio automóvel.

É obrigatório o uso de máscaras para acesso às lojas.

Os cabeleireiros e similares funcionam por marcação prévia e com condições específicas.

Para a segunda fase de reabertura foram remetidas as lojas até 400 m2 remetidos, os restaurantes, cafés, pastelarias/esplanadas.

Apesar das restrições, Rui Marques adianta que, de uma forma geral, os comerciantes estão satisfeitos por “poderem fazer aquilo que sabem e gostam”, mas “têm consciência que a retoma vai ser lenta”.

A ACB garante que está a identificar oportunidades e áreas de intervenção no sentido de fornecer aos comerciantes ferramentas para os ajudar a ultrapassar esta fase, através de acções de formação e promoção, mas também de sensibilizar a população para a importância de comprar no comércio local. “É importante que a comunidade também os ajude”, remata.

Comerciantes vão receber apoio para material de protecção

O ministro da Economia anunciou a criação de um programa de apoio às empresas para a aquisição de material de protecção, cujas directrizes serão con-hecidas nos próximos dias. “É um programa exclusivamente direccionado para micro-empresas, até dez trabalhadores, e irá permitir financiar 80% a fundo perdido os custos que tenham com os equipamentos de protecção individual, com as alterações que eventualmente tenham introduzido no layout dos estabelecimentos, com eventuais aquisições de material que tornem os espaços mais cumpridores das regras de higiene e distanciamento em que não se promova o toque, como por exe-mplo, interruptores com sensores”, explica Rui Marques. Este apoio tem um investimento obrigatório de 500 euros para ser elegível, sendo que o valor máximo é de cinco mil euros.

Empresários querem celeridade nas medidas de apoio

Os comerciantes aplaudem mais uma pedida de apoio do governo, mas exigem celeridade nos processos para que o dinheiro chegue na altura que mais precisam. “A verdade é que o layoff está a ser pago mais tarde do que estava previsto, os financiamentos bancários também não estão a chegar às empresas, sobretudo às que mais dele precisam”, assume Rui?Marques, denunciando que a banca disponibilizou sobretudo verbas a empresas de maior dimensão e que tenham menos riscos.

Confiança será a chave para o renascimento do comércio

Será preciso tempo para que o comércio retome algum do seu protagonismo e isso assentará, de acordo com o director-geral da ACB, numa base de confiança que os comerciantes vão com os seus clientes. “Será muito importante o trabalho feito pelas próprias empresas na criação de informação, mecanismo, comunicação e confiança”, assume Rui Marques.

Para tal, o dirigente diz que foi já divulgado junto dos seus associados um manual de boas-práticas desenvolvido pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, devidamente validado pela ASAE e a Direcção-Geral de Saúde. “Não são exigências, são boas-práticas cujo propósito é, precisamente, transmitir uma confiança adicional”, diz a propósito Rui Marques.

Nos próximos dias, a ACB vai atribuir o selo ‘Estabelecimento Seguro’ aos espaços dos associados que cumpram também o manual de boas-práticas emanado da própria associação comercial e adaptado ao comércio concelhio que estabelece igualmente um conjunto de recomendações adicionais adaptadas aos diferentes sectores de actividade.

Há já algum tempo que a ACB criou um grupo de trabalho para a elaboração deste manual que, até à passada sexta-feira, esteve também à espera das directrizes do governo, para ser ultimado. “Estamos numa fase de criação de regulamento”, adianta Rui Marques, acrescentando que, sendo recomendações, a base de aplicação passa, no essencial, pelo compromisso de assegurar a aplicação destas boas-práticas.

“Para além disso estamos também a inventariar outras possibilidades de rastrear as empresa que cumprem ou não com o que se comprometem”, afirma o director-geral.

Além de lenta, a retoma far-se-à de forma diferenciada para os diferentes sectores. “Nesta fase, possivelmente, o sector que terá mais dificuldades será aquele que venda produtos que precisam ser testados, experimentados pelo cliente. Falo, por exemplo do vestuário. As pessoas sentem-se menos confiantes a experimentar”, diz Rui?Marques, adiantando que existem já alguns estabelecimentos deste sector a adoptar algumas boas-práticas, “desinfectando todas as peças que foram experimentadas e até sujeitá-las a um período de quarentena”, admitindo, no entanto, que para o pequeno empresário do comércio local não é uma solução “fácil de aplicar”.

“Vai ser necessário encontrar modus operandi que sejam inspiradores de confiança, ao mesmo tempo que as pessoas se vão habituando a esta nova normalidade”, afirma Rui Marques, confiando na capacidade de adaptação também dos clientes que se terão de habituar a “esta nova experiência de compra”.

Deixa o teu comentário

Bem-vindo á Antena Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho