Braga, sexta-feira

Marcelo espera segundo mandato mais difícil mas sem crise política em 2021

Nacional

22 Dezembro 2020

Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que espera um segundo mandato mais difícil, se for reeleito Presidente da República, identificando "mais pulverização" no sistema partidário, à esquerda e à direita, mas afastou uma crise política em 2021.

"Eu acho que o segundo mandato vai ser mais difícil, se for atribuído pelos portugueses", declarou o chefe de Estado e candidato presidencial, em entrevista à TVI, referindo que não sabe quando acabará a pandemia de covid-19 e qual a duração e profundidade da crise económica e social.
 

Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que, "quanto mais longo for tudo isto, maior a desigualdade entre os portugueses", realçando que "esse é um fator que está a agravado".
 

"E quanto maior for isto tudo, maior o stresse do sistema político. Ora, o sistema político, quando eu entrei, tinha um fator de stresse, que eram dois hemisférios que não se podiam ver um ao outro, ambos achavam que tinham legitimidade para governar o país. Agora é mais do que isso: os hemisférios existem, só que dentro dos hemisférios há mais parceiros, há mais protagonistas, há mais pulverização", acrescentou.
 

Segundo o Presidente recandidato, "portanto, é mais difícil a sustentabilidade da área de esquerda no poder e é mais complexa a construção de uma alternativa de direita na oposição".
 

Questionado se lhe passa pela cabeça a possibilidade de no próximo ano haver eleições legislativas antecipadas, respondeu: "Não, isso não passa".
 

Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que o Orçamento do Estado para 2021 foi aprovado, que no primeiro semestre Portugal terá a presidência da União Europeia e que depois haverá eleições autárquicas.
 

"E logo a seguir há o debate interno nos partidos pelo termo do mandato de muitas lideranças. O que significa que não é desejável e não é previsível nenhuma crise em 2021 - política, as outras já existem", concluiu.
 

Nesta entrevista, conduzida pelo diretor de informação da TVI, Anselmo Crespo, o Presidente da República reiterou que não vê constitucionalmente como vetar uma eventual futura solução governativa com o apoio do Chega.
 

"Eu não posso discriminar, por razões de simpatia ou antipatia, um partido e os deputados desse partido numa votação do Programa do Governo, nem os eleitores. Eu quando digo que sou Presidente de todos os portugueses, não sou de todos menos 10%", justificou.
 

Em seguida, perguntou: "Imagine que o candidato deputado André Ventura é eleito Presidente da República. Não lhe dão posse? Imagine que amanhã esse partido obtém maioria absoluta. Não pode formar Governo? Já viu bem onde é que se entrava?"
 

Quanto à facilidade em se formar uma maioria de direita sem o Chega, respondeu: "Isso já não é um problema para mim. Isso é um problema para os líderes partidários, e sobretudo para o eleitorado".
 

"Eu também já fui líder partidário. Se me perguntassem com quem é que eu queria fazer Governo, era: com o PSD. E a não ser com o PSD? Com o CDS. Ponto final, parágrafo", apontou.
 

Contudo, interrogado depois se estava a dizer que não faria um Governo com o Chega, Marcelo Rebelo de Sousa falou apenas no passado: "Na altura não havia Chega, mas era assim que eu fazia, como líder partidário. Hoje não sou líder partidário, sou Presidente da República".
 

Relativamente a eventuais problemas de constitucionalidade nas posições que o Chega tem assumido, o chefe de Estado e candidato presidencial remeteu essa questão para o Tribunal Constitucional.
 

"É o Tribunal Constitucional que tem de ver, ele é que tem de julgar. O processo hoje é muito claro: o Ministério Público pede, Tribunal Constitucional decide", disse.
 

Na parte final desta entrevista, Marcelo Rebelo de Sousa explicou que está a organizar as refeições de Natal tendo como "número ideal" cinco pessoas na mesma mesa e fez um apelo aos portugueses "para que não estraguem" aquilo que se alcançou em termos de contenção da covid-19 no país.

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