Braga, quinta-feira

Mário Ferreira rejeitou 8,1 ME pela maioria da SAD do Vitória de Guimarães

Desporto

11 Novembro 2020

Lusa

O ainda acionista maioritário do Vitória de Guimarães, Mário Ferreira, rejeitou, em 2019, vender o capital que detém na SAD que compete na I Liga de futebol à empresa Leader Constellation, por 8,1 milhões de euros (ME).

Adiantada na terça-feira pelo semanário Desportivo de Guimarães, a informação foi hoje confirmada pela agência Lusa no processo referente à ação judicial do ex-presidente do conselho de administração da SAD, Júlio Mendes, e de um dos antigos administradores, Armando Marques, contra a Mário Andrade Ferreira - Sociedade de Investimentos (MAF), reivindicando o pagamento de 2,7 ME por causa dessa recusa.
 

Sediada em Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos, com capital social de três mil euros, a Leader Constellation realizou, em 30 de abril de 2019, uma proposta de aquisição do capital detido pela MAF (56,84% da SAD), prometendo um Vitória de Guimarães a "competir por uma classificação entre os primeiros lugares" da I Liga e a "garantir anualmente o acesso às competições europeias", além de se "desenvolver a academia", indica o processo.
 

A MAF rejeitou a proposta em 21 de maio, tendo salientado a ausência de "um plano de investimento" que assegurasse o "crescimento futuro" da Vitória SAD e considerado inaceitável o "pagamento diferido" das ações, em cinco tranches: uma de 300 mil euros, outra de um milhão, duas de 2,3 milhões e uma última de 2,2 milhões, com um prazo de até 270 dias após assinado o contrato de compra e venda.
 

Júlio Mendes demitiu-se da presidência do clube e do conselho de administração da SAD seis dias após a nega de Mário Ferreira, em 27 de maio, tendo justificado a decisão com a falta de abertura dos sócios vitorianos a "investimento externo".
 

Na ação contra a MAF, interposta no Juízo Central Cível de Braga, em setembro de 2020, o ex-presidente e um dos ex-vices do Vitória exigem 2,7 ME, invocando um acordo parassocial de 08 de dezembro de 2016, em que a MAF se "obrigou a aceitar qualquer proposta de aquisição das 511.533 ações de que é proprietária", desde que "excedesse o valor de oito milhões de euros".
 

O empresário luso radicado na África do Sul concedeu ainda aos administradores Júlio Mendes, Armando Marques e Luís Teixeira, representante da MAF na SAD vitoriana até 2019, o "direito de preferência numa futura venda das ações" e a distribuição das "mais-valias com a venda", por "cada um dos outorgantes do acordo", em "igual proporção de 25%", lê-se no processo.


Os ex-dirigentes reivindicam um milhão de euros cada um em mais-valias da venda não concretizada, com Júlio Mendes a exigir ainda um "prémio de desempenho" de 700 mil euros, relacionado com o facto de a proposta de 8,1 milhões de euros superar o valor do capital da MAF na SAD (2,56 milhões).
 

Na contestação junta ao processo, a MAF rejeita o "incumprimento contratual" que lhe é apontado, frisando que o "acordo parassocial" não foi aprovado em assembleia-geral da SAD e viola o artigo 399.º Código das Sociedades Comerciais, referente aos conselhos de administração de sociedades anónimas, sendo "nulo".
 

A contestação indica ainda que a MAF aceitou o acordo parassocial para "evitar a instabilidade e a disrupção que resultaria da queda" da então direção do Vitória, após Júlio Mendes ter dito que "não continuava o seu trabalho de recuperação da sociedade", sabendo que "não ganhava nada com isso".
 

A empresa de Mário Ferreira reitera ainda que a proposta da Leader Constellation foi "arquitetada em conluio com os autores [Júlio Mendes e Armando Marques]" e alega que o valor está abaixo dos oito milhões de euros, face à desvalorização do valor do dinheiro à medida que um pagamento é adiado: a pedido da MAF, a consultora Mazars calculou que o valor situa-se entre 7,91 e 7,97 milhões.
 

Após ter rejeitado a proposta da Leader Constellation, a MAF decidiu vender a totalidade das ações ao Vitória de Guimarães por 6,5 milhões de euros, em três tranches até 31 de março de 2022, num acordo oficializado no passado dia 01 de outubro, que vai dar a maioria da SAD ao clube minhoto.
 

O semanário Desportivo de Guimarães também adiantou, na terça-feira, que o Vitória vai participar no processo que decorre em tribunal, mas o clube, contactado pela Lusa, não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

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