Braga, sábado

Memórias do admirável universo das livrarias antigas de Braga

Regional

02 Fevereiro 2020

Redação

Livreiros da cidade partilharam memórias do universo das livrarias de Braga e do seu papel na difusão cultural e no acesso ao livro. As Livrarias bracarenses foi o mote de mais uma tertúlia do ciclo Memórias de Braga promovido pela Braga+.

“Recordo muitos livros apreendidos pela PIDE e de um padre que procurava nas estantes da livraria aquelas revistas ousadas da época”, contou Manuel Bonjardim que trabalhou na Livraria Globo e depois do 25 de Abril foi para a Livraria Pax.

No pós 25 de Abril, o livreiro fala de “uma realidade diferente em que o povo estava adormecido e acordou. Eu rejubilei com essa data e a realidade da livraria foi completamente diferente com novos livros, novos autores, uma liberdade editorial, novas ideias e um novo pensamento”.

Uma história de vida marcada pelos livros que são a sua “eterna paixão”. Manuel Bonjardim refere-se ao livro como “o fiel amigo, aquele que me faz acordar, que me faz deitar, sonhar com os autores, com as personagens e com as capas que, antigamente, não eram tão bonitas como agora”.

Manuel Bonjardim recorda uma realidade diferente no pós 25 de Abril. “Foi uma realidade diferente em que o povo estava adormecido e acordou. Eu rejubilei com essa data e a realidade da livraria foi completamente diferente com novos livros, novos autores, uma liberdade editorial, novas ideias e um novo pensamento”.

Esta foi uma das muitas e longas histórias partilhadas no auditório da Junta de Freguesia de S. Victor que anteontem acolheu a iniciativa ‘Memórias de Braga’, promovida pela Associação Braga Mais, com o tema ‘Livrarias Bracarenses’.

Esta ‘viagem’ pelas livrarias da cidade contou com os testemunhos de Augusto Ferreira (Livraria Cruz e Livraria Minho), Fernando Santos (Livraria Cruz), Manuel Bonjardim (Livraria Pax e Livraria Bracara) e Fernando Mendes (Livraria Nova Cultura) numa conversa moderada por Rui Ferreira.

Fundada em 1888 pela família Cruz, a Livraria Cruz, situada na Rua D. Diogo de Sousa, em Braga, foi uma das mais conceituadas e belas livrarias da cidade. Fernando Santos trabalhou durante 40 anos nesta livraria. Recorda “uma vida sossegada e um patrão excepcional”.

Fernando Santos conta que esta “era a melhor livraria da cidade. Tinha muita clientela, principalmente no período escolar. De Setembro a Dezembro, o trabalho era muito intenso, mas depois durante o ano compensava e fazia-se pouco”. Já a literatura era residual, eu diria que era uma tragédia”. Mais tarde, em 1983, paixão pelos livros antigos, levou Fernando Santos a tornar-se alfarrabista, abrindo uma casa na Rua dos Chãos.
Os livreiros partilharam também algumas preocupações com a realidade de hoje das livrarias. Para Manuel Bonjardim que é proprietário da Livraria Bracara, na rua do Forno, afirma que “as livrarias foram sempre um ramo pobre e hoje vivem com muitas dificuldades e hoje com a net nos telemóveis dificulta muito o negócio”.
Também Fernando Santos afirma que “a clientela olha para mais para a internet e para os telemóveis e não quer saber dos livros para nada. Esperemos que isso mude, mas não acredito”.

Rui Ferreira, da Associação ‘Braga +’ disse que “já há muito tempo que queríamos pegar neste tema, tendo em conta o papel activo que as livrarias bracarenses tiveram na difusão cultural e no acesso ao livro. Hoje vamos à internet e temos imensas distribuidoras que nos põem os livros que quisermos. Este novo contexto acabou por prejudicar as livrarias locais e, por isso, é bom manter viva a memória das livrarias mais antigas”, realçando que “num tempo em que tinha muito menos habitantes e menos letrados, tínhamos mais livrarias”.

Rui Ferreira afirma que no final “o objectivo é fazer um livro com todas estas memórias partilhadas no ciclo Memórias de Braga”.

Deixa o teu comentário

Bem-vindo á Antena Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho