Braga, segunda-feira

Mercado Municipal de Braga é palco para final de concurso gastronómico

Regional

14 Dezembro 2020

Redação

Seis jovens profissionais do sector da restauração disputam a grande final do concurso Minho Young Chef Awards 2020, que vai ter lugar no Mercado Municipal de Braga. O evento é já no próximo dia 17.

O renovado Mercado Municipal de Braga é o palco para a grande final do Minho Young Chef Awards (MYCA), já no próximo dia 17. As expectativas são altas e Rafael Oliveira, da organização do MYCA, diz que “não há melhor sítio que os mercados municipais para encurtar a relação de quem produz com quem vai cozinhar”.

É também para chamar a atenção para a importância que os mercados municipais tiveram no passado e têm no presente e terão no futuro, que a organização do MYCA, juntamente com a Comunidade Intermunicipal do Cávado e com o Município de Braga, aposta na realização desta terceira edição no recentemente inaugurado Mercado Municipal de Braga.

“O futuro passa por aqui, pois os mercados municipais, com melhores condições quer para os produtores, quer para os utilizadores, são essenciais não só na maior aproximação entre quem produz e o consumidor, mas também na promoção dos produtos endógenos da região junto destes jovens profissionais do sector da restauração”, sublinhou Rafael Oliveira.

A organização do MYCA destaca positivamente o facto de nos últimos anos ter havido o “reconhecimento e valorização daquilo que é português e dos produtos endógenos” e indica que o grande trabalho que tem que ser feito nos próximos anos passa por uma aposta assertiva na relação cada vez mais próxima entre o produtor e o consumidor.

“Se a procura pelos produtos endógenos da região aumentar, estamos também a potenciar a actividade produtiva agrícola e, simultaneamente, a aumentar a ocupação das terras que, entretanto, haviam sido abandonadas, e, com isso, a criar mais condições para a potenciação de negócios mais qualificados na área da agricultura”, indica o responsável pela organização do MYCA, dando como exemplo o que aconteceu com o vinho verde da região, sobretudo nos anos mais recentes, tornando-se uma actividade que voltou a ser atractiva para muitos jovens empreendedores, que, com o seu know how conseguiram profissionalizar o tratamento de vinhas e modernizar a imagem do vinho verde enquanto produto de excelência da região.

Há muitos outros produtos endógenos da região que é preciso ‘ressuscitar’ em termos de produção e valorização à mesa, como é o caso das leguminosas. “Só no Minho, temos registadas 30 variedades diferentes de feijão-frade, mas muitas foram-se perdendo e deixaram de ser produzidas”, apontou, frisando que estes são ‘activos gastronómicos’ verdadeiramente distintivos e que podem “resgatar” a gastronomia minhota mais típica e até enobrecer a mais inovadora, sem lhe retirar o cariz regional que só os produtos endógenos conferem.

“O concurso MYCA tem também este grande objectivo: cimentar junto dos jovens profissionais do sector da restauração esta proximidade com os produtos endógenos e com os produtores da região e os mercados municipais têm aqui um papel fundamental”, referiu Rafael Oliveira, que fez questão de destacar o ‘tipo de renovação’ levado a cabo no Mercado Municipal de Braga por manter a sua essência enquanto espaço maior de escoamento dos produtos endógenos e de época da região e a ligação aos clientes que ali procuram a frescura, qualidade e produtos de grande qualidade para uma alimentação saudável.

Carta Gastronómica do Minho será “documento vivo” com tradição e inovação

O ‘Bacalhau à Braga’ é um dos pratos que vai constar da primeira Carta Gastronómica do Minho, que será apresentada em Abril de 2021. O esboço inicial já está pronto: são 750 páginas com artigos de especialistas, o storytelling das receitas, modos de preparo, os produtos endógenos da região, tudo contado através de uma forte componente visual com entrevistas vídeo e ‘mil e uma’ fotografias para retratar a mesa minhota.

“Esta é a primeira Carta Gastronómica do Minho e o grande objectivo é caracterizar e diferenciar a gastronomia do Minho, ao padronizar receitas para evitar deturpações e identificar as autênticas”, explica Joana Santos, docente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) e responsável pela condução do projecto. “Queremos que este seja, no fim, um documento vivo, que consiga registar a tradições de uma região tão rica como a nossa mas também abraçar a criatividade e a inovação que a gastronomia minhota tem assistido”.

Esta Carta Gastronómica Minhota, que inclui também um Referecial da Gastronomia Minhota, está a ser desenvolvido pelo desenvolvido pelo Consórcio Minho Inovação, que une as trâs Comunidades Intermunicipais do Cávado, Ave e Alto Minho, pela mão do IPVC e da ‘Feel Agency’ - agência especializada em gastronomia, vinhos, turismo e património, mas contando com a participação de todas as ‘forças vivas’ ligadas ao sector da restauração minhota e com o contributo muito próximo dos 24 municípios que compõem o consórcio.

A equipa de especialistas reunida pelo IPVC para participar neste projecto é vasta e das mais diferentes áreas desde a gastronomia, enologia, literatura, arte, religião, mas também historiadores, antropólogos, psicólogos, chefes, beer sommliers, confrarias, indústria alimentar e associações de desenvolvimento local.

“Através deste trabalho, queremos dar a conhecer os produtos, os alimentos, as práticas e as histórias a eles associadas. A gastronomia é um património vivo que identifica territórios, grupos e pessoas. É algo que implica um acto social e cultural, que traz experiências prazerosas e multissensoriais mas também um bio-socio-cultural”.

O trabalho final, que será vertido numa plataforma digital e que dará azo a uma publicação mais resumida, terá todas estas dimensões, valorizando os produtos endógenos e a origem, a preparação das receitas e todas as histórias que estão à volta de cada prato, seja a preparar, seja a apreciar as iguarias confeccionadas.

Marca ‘Amar o Minho’ vai ajudar restaurantes a manter mesa minhota

Joana Santos, docente do IPVC e coordenadora do projecto que vai criar a primeira Carta Gastronómica do Minho, aponta para a importância de, paralelamente, se estar a desenvolver também o Referencial da Gastronomia Minhota.

“É um projecto de Qualificação dos Restaurantes Minhotos, dentro da Carta Gastronómica do Minho que pretende valorizar a gastronomia minhota através da utilização da marca identitária ‘Amar o Minho’.
O grande objectivo desta marca ‘Amar o Minho’ é que ela identifique os restaurantes minhotos e regule a sua qualificação, que permita também traçar um roteiro pelos melhores restaurantes do Minho”, avança a responsável.

Indicando que ‘Amar o Minho’ será “uma marca distintiva no mercado”, com um design alusivo e estabelecimentos devidamente identificados com esse ‘selo’ seja na região minhota, seja no território nacional ou no estrangeiro - desde que respeitem o receituário e as práticas ancestrais da cozinha minhota com todos os seus sabores e saberes.

“Este projecto é fundamental para a retoma do sector da restauração pós-pandemia”, afirma a coordenadora Joana Santos.

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