Milhares de pessoas quiseram despedir-se de Neno!

Desporto

14 Junho 2021

Ricardo Anselmo Ricardo Anselmo

Emoção e reconhecimento no último adeus a um grande Senhor! Urna percorreu ruas de Guimarães sob intensos aplausos e gritos. Neno será eternizado no clube, diz o presidente.

Era a última oportunidade para a devida homenagem e derradeira despedida a um símbolo do Vitória SC e do futebol português. Muitos não quiseram desperdiçá-la e acorreram em grande número, ontem, primeiro ao Estádio D. Afonso Henriques, onde o corpo do antigo guarda-redes e dirigente dos vimaranenses esteve exposto, e depois pelas ruas da cidade, no cortejo até à Igreja de S. Francisco.

Em todos os momentos, milhares de pessoas juntaram-se e, durante o percurso, registou-se mesmo um mar de gente, que foi dispensando longos e ruidosos aplausos, entoando gritos, desfraldando bandeiras e acendendo algumas tochas simultaneamente.

Na parte da tarde, junto ao memorial criado pelo adeptos ao lado da estátua de D. Afonso Henriques - recheado de objectos deixados em homenagem a Neno, desde cachecóis de vários clubes a bandeiras, fotografias, flores e mensagens - deu-se um dos momentos mais emotivos do dia: Paulo Futre, acompanhado pelo presidente da Liga, Pedro Proença, e pelo presidente do Vitória SC, Miguel Pinto Lisboa, lembrou o antigo colega e não conseguiu conter as lágrimas, sendo de imediato brindado com muitas palmas das centenas de pessoas presentes.

Pelas 16.45 horas, o corpo de Neno seguiu num cortejo fúnebre até à Igreja de S. Francisco, partindo depois para o cemitério municipal de Monchique.

Ao longo do dia, foram várias as personalidades que passaram pelo estádio do Vitória SC, desde Sílvio Cervan, vice-presidente do Benfica, a antigos jogadores como Shéu, Valdo, Jorge Andrade, Oceano, Hélder Postiga, Dimas, Paulo Alves, Paulo Santos, bem como atletas do actual plantel vimaranense, André André, Rochinha, André Aleida ou Bruno Varela.

A autarquia vimaranense decretou dois dias de luto municipal, estudando uma homenagem póstuma ao antigo guarda-redes, tal como o clube que, segundo Miguel Pinto Lisboa, irá eternizar o nome de Neno, não revelando, contudo, de que forma o fará.

“A dimensão desta homenagem mostra a força do Neno, mas também do Vitória e da cidade. Queremos que essa força saia ainda mais reforçada e queremos seguir o que foi o legado do Neno, de força, união, genuidade e de alegria”, disse o presidente do vitoriano antes do início da marcha fúnebre, notando que, “apesar de ter nascido em Cabo Verde, Neno era um vimaranense e um vitoriano de coração”.

“É um cenário invulgar porque estamos a falar de uma pessoa invulgar, que estava genuinamente de bem com todos, que fazia pontes, de um problema ele via uma oportunidade, por isso esta unanimidade na homenagem ao Neno”, referiu o líder dos conquistadores em relação ao mar de gente que se juntou para um último adeus a Neno.

Adelino Augusto da Graça Barbosa Barros, de 59 anos, faleceu na noite da última quinta-feira e, apesar de fisicamente distante, mantém-se presente por via do seu testemunho.

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