Braga, quarta-feira

Ministra da Saúde garante que Governo quer 'utilizar já' toda a capacidade

Nacional

20 Janeiro 2021

Redação

A ministra da Saúde, Marta Temido, assegurou hoje que o Governo quer mobilizar no imediato todos os meios possíveis para enfrentar a pandemia de covid-19, mas reconheceu o contexto de recursos limitados no país.

A ministra da Saúde, Marta Temido, assegurou hoje que o Governo quer mobilizar no imediato todos os meios possíveis para enfrentar a pandemia de covid-19, mas reconheceu o “contexto de recursos limitados” no país.

“Temos cerca de 800 camas no total das convenções que temos no país para covid e não covid, camas que foram contratadas no âmbito desta segunda onda de novembro e mais recentemente. Toda a capacidade que existe pretendemos utilizá-la já. Amanhã [quinta-feira] pode ser tarde demais e este é o momento de darmos todos o nosso melhor”, afirmou Marta Temido após uma visita a uma nova unidade de retaguarda no campus da Universidade de Lisboa, com capacidade para 58 camas destinadas a doentes covid.

Marta Temido realçou que a “colaboração do setor privado, social, militar, e da sociedade civil tem conhecido todos os dias algum alargamento” e esclareceu o número de convenções atualmente existente para cada administração regional de saúde: 21 no Norte, 19 em Lisboa e Vale do Tejo e 17 no Centro. Contudo, reconheceu que a oferta a este nível é mais limitada no Alentejo e no Algarve.

A ministra governante defendeu ainda que o apoio das Forças Armadas permite criar “alguma folga”, porém, vincou também que a situação epidemiológica atual “é fonte de grande preocupação”.

Questionada sobre a reunião que terá lugar hoje com alguns peritos sobre a evolução da situação epidemiológica, a ministra adiantou que será ainda analisado o peso da variante inglesa do novo coronavírus – referindo que a sua circulação em Portugal “está já em valores acima dos 13%” -, bem como a avaliação de eventuais “medidas adicionais que possam ser necessárias” para fazer cumprir o confinamento.

Sobre as críticas feitas por diversos quadrantes sobre o número de exceções ao confinamento, Marta Temido reiterou não existirem “mais exceções” do que aquelas que existiam nos meses de março e abril de 2020.

“As exceções não se contam pelo número, muitas vezes contam-se também pela forma como as interpretamos. A situação é grave e, consequentemente, o governo não deixará de fazer tudo para proteger os portugueses, mas há uma parte da proteção que tem de ser assegurada por cada um de nós. O sistema de saúde português não é inelástico. A mensagem principal é que os meios que o país dispõe são estes”.

“A gravidade está à vista. Hoje tivemos mais de 14 mil casos, novamente um número de óbitos que ultrapassou os 200, um Serviço Nacional de Saúde e as estruturas que com ele estão a colaborar num extremo de utilização e, sobretudo, alguns indicadores que se mantêm muito preocupantes, como o número de testes positivos nos testes realizados, em que estamos com uma positividade muito elevada”, notou ainda a ministra.

Marta Temido recusou comentar as metas de vacinação contra a covid-19 avançadas hoje pela Comissão Europeia, que apontou para pelo menos 70% da população adulta vacinada até ao verão de 2021, por não conhecer ainda “detalhadamente as conclusões da reunião hoje realizada em Bruxelas”, sem deixar de garantir que o tema será abordado na reunião de hoje com epidemiologistas e o primeiro-ministro, António Costa.

Portugal registou hoje 219 mortes relacionadas com a covid-19 e 14.647 novos casos de infeção com o novo coronavírus, os valores mais elevados desde o início da pandemia, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim revela também que estão internadas 5.493 pessoas internadas, mais 202 do que na terça-feira, das quais 681 em unidades de cuidados intensivos, ou seja, mais 11, dois valores que também representam novos máximos da fase pandémica.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, Portugal já registou 9.465 mortes associadas à covid-19 e 581.605 infeções pelo vírus SARS-CoV-2, estando hoje ativos 143.776 casos, mais 7.935.

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