Braga, quinta-feira

Mostra Close-Up arranca sábado com Buñuel sob música de Black Bombaim e Luís Fernandes

Regional

08 Outubro 2020

Redação

A quinta mostra Close-Up vai levar à Casa das Artes, em Famalicão, cerca de 30 sessões de cinema, começando no sábado com A Idade de Ouro, de Luis Buñuel, musicada ao vivo por Black Bombaim e Luís Fernandes.

A quinta mostra Close-Up vai levar à Casa das Artes, em Famalicão, cerca de 30 sessões de cinema, começando no sábado com “A Idade de Ouro”, de Luis Buñuel, musicada ao vivo por Black Bombaim e Luís Fernandes.

O quinto Close-Up acontece sob o mote “Cinema na Cidade” em vários espaços da Casa das Artes, em Vila Nova de Famalicão, a iniciar-se com o filme “A Angústia do Guarda-Redes no Momento do Penalty”, de Wim Wenders, às 15:00 de sábado, seguindo-se “Viveiro”, de Pedro Filipe Marques, antes do filme-concerto que marca o arranque em pleno do evento, às 21:45.

“A Idade de Ouro”, do realizador Luis Buñuel, de 1930, é a primeira longa-metragem do espanhol, escrita pelo próprio cineasta em conjunto com Salvador Dalí (com quem já tinha trabalhado na 'curta' “Um Cão Andaluz”), e que tem como sinopse a seguinte descrição: “Um conto surrealista de um homem e uma mulher que estão profundamente apaixonados, mas cujas tentativas de consumação dessa paixão são constantemente impedidas pelas suas famílias, pela Igreja e pela sociedade burguesa”.

A revista Senses of Cinema referiu-se ao filme como sendo “não uma celebração do instinto desmesurado ou de um ‘amour fou’ avassalador”, mas, sim, “um muito tocante reconhecimento da precariedade e efemeridade do amor”.

“Blasfémia” é uma palavra muitas vezes ligada ao filme, que foi alvo de tamanha reação que o New York Times se referiu a ele como “banido na maior parte do mundo”. Aquando da estreia, em Paris, há relatos de motins com garrafas de tinta contra as telas dos cinemas, armas e bombas de mau cheiro.

“O filme ainda é um abrir de olhos”, escrevia em 1964 o crítico norte-americano Eugene Archer: “As suas intenções são inteiramente claras desde uma das primeiras cenas. Uma cerimónia a comemorar a fundação da Cidade Eterna de Roma é interrompida por um par de amantes desinibidos a contorcerem-se na lama. Quando os espectadores escandalizados os afastam, o frustrado macho pontapeia um cão que observa”.

No Close-Up, o filme é apresentado com a banda sonora dos Black Bombaim e do músico Luís Fernandes, em estreia mundial.

Até dia 17 de outubro, será possível assistir a filmes como “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, “Variações”, de João Maia, “Bacurau”, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, “A Ovelha Choné – A Quinta Contra-Ataca”, de Will Becher e Richard Phelan, entre muitos outros, de realizadores que vão de Chaplin a Fellini passando por Margarida Cardoso.

O Close-Up encerra com outro filme-concerto, neste caso de Cristina Branco para a obra “The River”, de Frank Borzage, de 1929, um filme de culto dos surrealistas pelo 'amour fou' que o atravessa - e que chegou a mobilizar a censura da época -, de que atualmente se conhece apenas uma versão reconstruída na última década.

Os bilhetes para as sessões custam dois euros, exceto os filmes-concertos que têm um preço de seis euros. Há entrada livre e descontos para estudantes, seniores e associados de cineclubes.

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