Braga, sexta-feira

Municípios minhotos dão palco à música luso-galaica

Regional

18 Junho 2021

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

O Encontro Luso-Galaico junta as raízes tradicionais da música portuguesa e do fado à cultura musical galega, através de oficinas de escrita poética, que convidam os minhotos a participar e que depois dão azo a inúmeros concertos em todo o Minho.

É pela música e com base nas raízes mais tradicionais que as regiões do Minho e da Galiza se unem no I Encontro Luso-Galaico através de oficinas de poesia e concertos com artistas portugueses e , que vão ter lugar em 12 municípios minhotos e um na Alfândega do Porto, entre este mês de Junho e Agosto. O primeiro concerto ‘Trobadores e Soldadeiras’ sobe ao palco de Monção, já amanhã, às 21 horas, na Praça da República, tendo como protagonistas o Grupo Coral Santo António e as fadistas Carla Cortez e Fernanda Moreira, do Ideal Clube de Fado.

O Encontro Luso-Galaico, organizado em parceria pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM do Alto Minho), pela Fundação Consuelo Vieira da Costa e pelo Município de Braga, conta com três iniciativas distintas: um programa de oficinas de escrita poética que culminam sempre com um concerto público nos vários municípios minhotos (19 Junho-29 Agosto); o Festival Sons do Noroeste a realizar em Braga (26-29 Agosto), programado pelo artista bracarense Daniel Pereira Cristo e, ainda, um Concerto na Anfândega do Porto (7 Outubro) com a presentação do Cancineiro de Música Tradicional Portuguesa de Fado.

O programa deste Encontro Luso-Galaico foi apresentado, ontem, na Villa Moraes, em Ponte de Lima, e propõe uma atenção renovada à herança cultural galego-portuguesa, à riqueza imaterial da língua e da música, além de um esforço criativo à expansão deste património, assinalou Elvira Vieira, directora da Fundação Consuelo Vieira da Costa.

“O evento serve como âncora para a formação cultural e social” de públicos, frisou a responsável, destacando o importante papel de todas as entidades parceiras deste projecto cultural que tem como objectivo maior “a promoção das regiões e da cultura a nível nacional e internacional”, frisou Elvira Vieira, indicando que toda a programação musical é também um convite aos desconfinamento e ao usufruto da cultura ao vivo “em prol da saúde mental”.

Para o presidente da CIM do Alto Minho, o evento faz jus à relação histórica entre o Norte de Portugal e a Galiza, sublinhando que a nível cultural esta foi sempre uma relação bem cimentada tanto na literatura como nas artes, destacando, por exemplo, o facto de o antiquíssimo jornal ‘Aurora do Lima’ de Viana do Castelo ter contado também com colunistas galegos.

Confessando “entusiasmo” por também a CIM do Alto Minho e os vários municípios que a compõem fazerem parte deste projecto cultural que sobe agora a vários palcos de todo o Minho, José Maria Costa indica que as relações culturais entre ambas as regiões, minhota e galega, “devem ser ainda mais aprofundadas”, depois de estas terem permitido também relacionamentos empresariais e econó- micos, mas vendo como uma “necessidade” o regresso aos projectos culturais comuns e partilhados. “Este projecto pode dar voz e visibilidade a expressões artísticas que não são muito conhecidas, mas também promover a cooperação e a valorização do nosso património e da nossa identidade cultural”, sublinhou o presidente da CIM do Alto Minho.

Lídia Brás Dias, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Braga, assinalou a relevância deste Encontro Luso-Galaico, indicando que em terras bracarenses o projecto foi imediatamente bem acolhido, até porque também se enquadra no ano e no âmbito da Braga - Capital da Cultura do Eixo Atlântico. “É um programa riquíssimo, desde a música ao património e a todas as riquezas linguísticas deste território alargado do Norte de Portugal e da Galiza que tem uma relação secular e que é uma relação muito vivida e que, por isso, não pode estar nunca de costas voltadas, bem pelo contrário”.

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