Braga, sexta-feira

Museu Pio XII mostra ‘alminhas’

Diversos

12 Novembro 2022

Rui Serapicos Rui Serapicos

Rusga de S. Vicente leva a efeito, no Museu Pio XII, em Braga a exposição ‘Alminhas — um património a salvaguardar’, inaugurada ontem e patente ao público até dia 8 de Janeiro de 2023.

Com coordenação científica da ex-directora do Mosteiro de São Martinho de Tibães, Aida Mata, a Rusga de S. Vicente referenciou no concelho de Braga 125 ‘alminhas’. É uma parte dessas representações da fé popular que se encontra, até 8 de Janeiro de 2023, no Museu Pio XII, em Braga.


Está previsto o lançamento de um livro com expressão desta recolha, que tem sido levada a efeito ao longo dos últimos 10 anos, disse ontem ao Correio do Minho o presidente da Rusga de S. Vicente, José Pinto.


Esta edição teve prevista para o momento actual o seu lançamento, mas dado que foi crescendo em volume com novas descobertas e entretanto também o seu custo de edição foi aumentando, está redefinida a edição para o segundo trimestre de 2023. “A edição inicial era uma coisa, mas já está quase no dobro da paginação”, revelou José Pinto.
 

No texto da exposição, inaugurada ontem, faz-se referência apenas a 124 nichos, pois o nicho número 125 foi descoberto muito recentemente numa casa em Cabreiros.


Trata-se de uma “construção recente de alguém que colocou alminhas na edificação”, explicou ainda José Pinto.


O presidente da Rusga de S. Vicente lembra que este é um projecto já aprovado no ano de actividades 2011/12.


Deste então, acrescentou, “já levámos a efeito quatro serões-tertúlias dedicados a esta temática; com gente das ciências sociais, para falar até do ponto de vista sociológico e da história das alminhas”.
 

De acordo com o dirigente, em termos estatísticos, entre as imagens que estão referenciadas as mais frequentes são as da Senhora do Carmo, seguindo-se as de Cristo Crucificado.


Num texto que se encontra à entrada da exposição pode ler-se que esta mostra “não pode nem deve ser considerada um fim em si mesmo, mas antes um ponto de partida para novas investigações”.
 

“Hoje temos portas abertas”
 

Antes da presente exposição, já a Rusga de S. Vicente tinha realizado outra, em 2014, sob o lema ‘Alminhas de lá, patrimónios de cá’.


“Esta agora está mais consolidada, com outro trabalho de campo”, adianta José Pinto considerando que para a primeira exposição talvez alguns párocos “ainda não estivessem tão sensibiizados” para colaborar com uma associação cultural, por pensarem que “isto seria mais do foro religioso, mas hoje temos as portas completamente abertas, quer das paróquias quer das irmandades”.


O cónego José Paulo Abreu, director do Museu D. Pio XII, lembrou ontem na abertura da exposição que “este é o mês das almas” e audiu à importância que os nichos de ‘alminhas’ têm enquanto representações de comunicação com o transcedente”. Na ocasião estavam presentes representantes de diversas organizações da cultura e da sociedade bracarense.

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