Braga, sábado

Não abandonem as pessoas de Pedralva

Regional

18 Junho 2019

Redação

Encerramento da Escola Básica de Pedralva foi o assunto fora da agenda que mais público levou à reunião do executivo municipal. Pais, moradores e Junta de Freguesia pedem que a escola se mantenha e que haja mais investimento na localidade.

Encerramento da Escola Básica de Pedralva foi o assunto fora da agenda que mais público levou à reunião do executivo municipal. Pais, moradores e Junta de Freguesia pedem que a escola se mantenha e que haja mais investimento na localidade.

 

O anunciado encerramento da Escola Básica (EB) de Pedralva levou ontem pais, moradores e a presidente da Junta de Freguesia à reunião quinzenal do executivo municipal numa posição de força para tentar manter a escola aberta, ainda que seja com uma turma mista.

 

A questão já tinha sido levantada pelo vereador da CDU, Carlos Almeida, depois de cumprida a ordem de trabalhos do executivo municipal, destacando “as excelentes condições da escola” que foi intervencionada em 2010.


O vereador comunista critica a decisão de encerrar: “não é com o encerramento de serviços públicos que conseguimos contribuir para a fixação de pessoas nas freguesias mais rurais” denuncia Carlos Almeida para quem “encerrar um estabelecimento escolar é a pior solução que se pode adoptar”.


Tal como os pais, e reconhecendo que “não é desejável do ponto de vista pedagógico”, o vereador da CDU admite a constituição de juntar os alunos, argumentando que “há imensas turmas mistas no concelho e no país”.


Mesmo depois do presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, afirmar, ontem, que “não é um encerramento defnitivo e que não é irreversível”, Carlos Almeida é peremptório: “depois de encerrar não reabre” e lembra que “não houve nenhum caso no concelho nos últimos 20 anos”.


CDU e PS partilham as críticas ao executivo de falta de planeamento. A vereadora socialista Liliana Pereira, lembra o alerta feito aquando da aprovação da Carta Educativa de Braga quanto ao não assumir de uma posição em relação ao eventual encerramento de escolas. “Daria tempo de actuar” aponta Liliana Pereira que considera ainda a questão da turma mista “uma justificação fora de tempo”.


Bernardete Antunes, que ontem representou os encarregados de educação da EB de Pedralva, admite que a turma mista “não será, pedagogicamente, o ideal para as crianças”, mas é a forma de manter a escola aberta.

 

À Câmara Municipal, pedem “apoio e condições”, mas também “bom senso” e que “não levem só lixo para Pedralva” numa alusão ao aterro sanitário da Braval.


Os pais e encarregados de educação estão disponíveis para trabalhar, no próximo ano lectivo, para tentar perceber por é que os pais estão a inscrever os filhos em escolas fora da freguesia.


Ricardo Rio: “Ninguém gosta de encerrar escolas e tudo fizemos para não acontecer”

 

O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, endossou o ónus e a decisão de encerrar a Escola Básica de Pedralva para o Ministério da Educação, que define os critérios, um deles o mínimo de 21 alunos no conjunto dos quatro anos de escolaridade. “Já houve escolas encerradas contra a vontade do próprio Município” lembrou o edil que, no caso de Pedralva, explicou que “apesar de várias intervenções não houve inscrições suficientes”. São apenas 14 os alunos inscritos.

 

Ricardo Rio sublinha que não é por falta de crianças na freguesias, mas pela “opção clara dos pais de não os inscreveram na EB local”.

 

A prioridade do Município centra-se agora na optimização das condições de funcionamento do jardim de infância para que alunos novos se inscrevam e no futuro seja possível reabrir o 1.º ciclo.


Quanto à criação de uma turma mista ela teria um único professor, antecipa Ricardo Rio, que garante que o Agrupamento e a DGeST não permitem a alocação de dois professores.