Braga, quarta-feira

"Não há condições para abrir as portas"

Regional

08 Junho 2021

Patricia Sousa

Quase todas as freguesias vão manter as piscinas de portas fechadas esta época balnear, tal como já aconteceu o ano passado. Todos os presidentes de junta de freguesia são unânimes: não há condições para abrir as portas.

As piscinas espalhadas pelas freguesias do concelho não vão, tal como aconteceu o ano passado, abrir as portas esta época balnear. Há excepções (ver página ao lado), mas quase todos os presidentes de junta são unânimes: “não há condições para abrir as portas”, evocando questões de segurança e também de sustentabilidade financeira para justificar a decisão face às medidas impostas pela Direcção-Geral de Saúde (DGS).


Obrigados a reduzir a lotação e a redobrar a vigilância aos utentes, os autarcas dizem ser “incomportável” fazer face às despesas que a manutenção destes equipamentos exige quando se prevê uma redução drástica das receitas de bilheteira.


A presidente da União de Freguesias de Nogueira, Fraião e Lamaçães, Goreti Machado, foi peremptória: “não temos condições para abrir, porque efectivamente poderíamos criar um grave problema de saúde já que é completamente impossível ter as condições necessárias para abrir em segurança e cumprir as orientações da DGS”. Além disso, continuou a autarca, “são as crianças e os jovens que mais frequentam estes espaços e ainda não estão vacinados o que continuaria a aumentar o risco”.


Depois há também a questão financeira. “A lotação para 50% iria implicar um custo enorme para a autarquia”, garantiu Goreti Machado, confirmando que o executivo decidiu “conscientemente” não abrir as piscinas.


Também o presidente da União de Freguesias de Nogueiró e Tenões, João Tinoco, garantiu que a piscina de Nogueiró vai manter-se fechada, tal como já aconteceu o ano passado. “Não temos condições para abrir as piscinas e nem compensa”, justificou.


A “indefinição” surgiu em Abril, momento que era necessário fazer a contratação dos colaboradores necessários e o executivo decidiu não arriscar.


Quem também já assumiu que as piscinas da freguesia não vão abrir esta época balnear foi o presidente da Junta de Freguesia de Padim da Graça. João Moreira explicou que “a zona envolvente à piscina é muito pequena e não há condições para abrir”.


João Moreira foi mais longe: “para abrir a piscina para meia dúzia de pessoas não vale a pena, até porque teríamos problemas muito graves em gerir esse processo”. Enquanto a situação se mantiver, o presidente assegurou que as piscinas vão estar fechadas. “Nesta fase a situação do concelho não está favorável e temos que ter todo o cuidado”, admitiu. João Moreira alertou ainda para a questão financeira. “A nossa piscina é muito pequena e ao abrir as portas para ter 20 a 30 pessoas só teríamos prejuízo”, contou o presidente, referindo que os “próprios nadadores-salvadores e vigilantes também não querem trabalhar nestas condições”.


Mas se a Câmara Municipal de Braga decidir abrir as portas e assumir as responsabilidades, o autarca garantiu que a junta de freguesia estará lá para colaborar.


O presidente de Junta de Freguesia de Cabreiros e Passos (S. Julião) também informou que não vai abrir as piscinas de Passo (S. Julião). “Estivemos com esta indefinição até a semana passada, mas com o aumento do número de casos em Braga e sobretudo em jovens, que é o público alvo da piscina, decidimos não abrir as portas”, confirmou.


O certo é que esta situação tem que ser tratada com antecedência por causa dos concursos para exploração do bar e para contratar os próprios funcionários. “Não conseguimos funcionar com as condições mínimas exigidas pela DGS para garantir o distanciamento”, explicou José Silva, admitindo que “o público alvo são os mais jovens e isso seria muito complicado de gerir”.


A questão financeira também mereceu destaque por parte do presidente da união de freguesias. “A piscina já dá prejuízo com menos lotação ainda iria dar mais prejuízo”, confessou o presidente, garantindo que “a única solução é manter o espaço fechado e desincentivar os aglomerados”.


As piscinas de Ferreiros também não vão abrir. “Não é possível manter a gestão das entradas”, lamentou o presidente da União de Freguesias de Ferreiros e Gondizalves, João Costa, apontando ainda as questões financeiras como motivo para a não abrir.


O presidente da União de Freguesias de Celeirós, Aveleda e Vimieiro, Manuel Gastão, também vai manter as piscinas de Celeirós encerradas. “As condições não são favoráveis e não vamos abrir”, assegurou o autarca, admitindo que ao abrir as portas vai incentivar-se os ajuntamentos e “é incomportável segurar as pessoas e a melhor solução, que é uma má solução, é não abrir as portas”.


Quem ainda não tem o assunto “totalmente fechado” é a presidente da União de Freguesias de Merelim S. Pedro e Frossos. Adélia Silva ainda não decidiu se as piscinas de Merelim S. Pedro vão abrir ou não esta época balnear. “Abrimos sempre por altura do São João, se calhar não vamos abrir, mas ainda está em aberto”, contou a autarca, garantindo que “está tudo preparadíssimo para abrir”, no entanto, a decisão ainda não está definitivamente tomada”.

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