Braga, sábado

Não podemos aumentar as vagas para depois deixar os médicos fora do sistema

Regional

30 Agosto 2020

Lusa

Presidente da Escola de Medicina da UMinho diz que a principal razão pela qual não houve este ano um aumento de vagas prende-se com a falta de abertura de lugares para a especialidade que deixa anualmente centenas de médicos fora do sistema.

À semelhança das suas congéneres a nível nacional, a Escola de Medicina da UMinho não aumentou o número de vagas para o próximo ano lectivo. Em declarações ao CM, Nuno Sousa, presidente da escola da academia minhota, explica que por detrás da decisão estão razões “factuais” e de natureza “pedagógica”, a começar, desde logo, pelo número de candidatos à especialidade que é superior ao número de vagas colocado à disposição, deixando todos os anos centenas de médicos fora do sistema. “Desde há cinco anos, sensivelmente, que o país deixa de fora médicos, no sentido que têm o grau, mas não fizeram nenhuma especialidade”, refere Nuno Sousa, explicando que estes alunos que terminam o Mestrado Integrado em Medicina mas que não têm especialidade “são incapazes de praticar autonomamente”, sendo vulgarmente designados por médicos indiferenciados.


“Para quê aumentar mais 10% o número de estudantes de medicina em Portugal se, passados seis anos, ficam fora do sistema? O principal problema está no número de vagas para o internato de especialidade”, argumenta o presidente da Escola de Medicina da UMinho, acrescentando que todos os anos ficam de fora mais de 400 médicos. Muitos tentam posteriormente repetir o exame, outros acabam por fazer algumas tarefas para as quais estão autorizados, outros acabam mesmo por emigrar.
 

Outra das razões factuais que justifica a opção de não aumentar o número de vagas nos cursos de medicina prende-se, segundo o dirigente, com a falta de condições da tutela para redistribuir os médicos de forma equitativa, deixando algumas regiões com déficit de profissionais de saúde.


Nuno Sousa diz que Portugal tem um número de médicos por habitante superior à média europeia e da OCDE - daí não haver necessidade de aumentar o número de vagas - apesar de haver zonas do país - e algumas especialidades - onde há falta de profissionais. “Isso não acontece porque o número de médicos seja baixo. Acontece porque não há coragem política para tomar as decisões certas nas aberturas de vagas e para criar condições para que as pessoas fiquem nesses locais. É um problema de decisão política”, afirma o dirigente, indicando que os locais onde se regista um maior déficite de médicos são as zonas suburbanas das grandes cidades.
 

Quanto aos argumentos que caracteriza de natureza pedagógica, o presidente da Escola de Medicina da UMinho diz que o actual número de vagas está já no limite, e em alguns casos “acima do aceitável”, havendo faculdades de medicina onde “não há nenhuma sala que acomode todos os estudantes de um ano”, resultando num impacto negativo para a qualidade do ensino.


Finalmente, o dirigente coloca também em causa o sentido de oportunidade da medida, numa altura e que o país atravessa uma crise pandémica. “Porque razão é que num momento em que estamos a ter dificuldades para colocar os nossos estudantes a fazer a formação que é devida devemos aumentar ainda mais o número? Parece-me um contra-senso”, diz Nuno Sousa, criticando ainda a forma como a medida foi anunciada. “O ministro decidiu, mas não falou com ninguém. Não perguntou às escolas, não falou com os reitores. Não faz sentido”.
 

A Santa Casa da Misericórdia de Braga aguarda uma vistoria da Segurança Social para avaliar as condições de reabertura do centro de dia que está acoplado a um dos lares, mas a valência obedece a todos os requisitos, garante o provedor.

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