Braga, quarta-feira

Oliveira S. Mateus: Da riqueza textil e passado senhorial ao dia-a-dia de comércio

Regional

14 Junho 2021

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

Freguesia de paisagem rural, Oliveira S. Mateus teve na indústria têxtil o principal suporte económico. Hoje em dia, é o comércio que movimenta grande parte da população.

Freguesia situada quase no extremo leste do concelho, a 15km da cidade de Vila Nova de Famalicão, Oliveira S. Mateus faz fronteira com Riba d’Ave, Oliveira Santa Maria, Castelões e Delães e tem cerca de três mil habitantes. O Rio Ave delimita a freguesia a sul, rio que possibilitou o desenvolvimento das terras da região, que atraiu e fixou no seu seio as primeiras populações. Os factores geográficos foram importantes no povoamento inicial de Oliveira S. Mateus e em relação ao próprio topónimo: o lugar seria fértil em árvores daí o nome Oliveira se ter mantido.

Oliveira São Mateus nasce para a história em 1033. Nas Inquirições de 1258, voltam as referências a ‘Sancti Mathei de Soelaes in Carrazedo’, em 1290, é citada ‘Freguesia de Sam Mateus de Soualhães’ e Oliveira São Mateus, como designação, surge na documentação apenas a partir do século XVI, pois anteriormente era denominada de Soalhães.

Em 1085, foi fundada a Igreja de Soalhães, que assumiu grande importância na história religiosa nacional, como prova da introdução da Liturgia Romana na Diocese de Braga, actualmente denominada Igreja Velha, típica de Entre-Douro e Minho. A Igreja Matriz, ao fundo do Parque do Quinteiro, com alguns pormenores de curiosa modernidade, é outro dos destaques arquitectónicos, juntando-se a Capela de Santa Ana, Capela de S. José e as Quinta de Gavim e Quinta do Conde, que representam bem o passado senhorial da freguesia.

Freguesia de paisagem predominantemente rural, teve, no entanto, na indústria têxtil o principal suporte da economia. Da riqueza têxtil de outrora já pouco resta - duas grandes fábricas que chegaram a movimentar seis mil funcionários fecharam portas - com espaço agora dedicado às confecções, metalurgia, tinturaria, construção civil e comércio em geral.

Aliás, o comércio movimenta uma importante parte da população da freguesia: todas as quintas-feiras, a Feira Semanal realiza-se no Largo da Feira da Santana, centro nevrálgico da freguesia.

Em termos naturais, o Parque do Quinteiro convida a um passeio, paredes meias com o Complexo Desportivo Municipal de Oliveira S. Mateus, com duas piscinas cobertas, ginásio e vários espaços que podem ser usados em actividades lúdicas e de ocupação dos tempos livres, sede da Associação Desportiva e Cultura de S. Mateus, que fomenta as modalidades de karaté, musculação, ginástica e futsal. Na vertente social, o Instituto S. José é referência nas valências de lar de idosos, creche, ATL e serviço de apoio domiciliário.

Carlos Alberto Pereira
Presidente da Junta de Freguesia
“Sinto-me um presidente feliz. Embora sinta que gostaria de ter feito mais alguma coisa, mas não foi ainda possível, não quer dizer que não vá ser feito. Porque ainda não sei se me vou recandidatar. Estou à espera de uma situação em termos de saúde e poderei não ser candidato novamente, mas, se não for, já tenho alguém para me substituir. A decisão ainda não está tomada, tenho de fazer uma série de exames e só aí vou decidir. Poderá estar na hora de acalmar um pouco. A certeza é que em casa não ficarei, estarei sempre presente no dia-a-dia da freguesia, até porque, faço parte do Instituto S. José, da Cruz Vermelha e estou ligado às várias instituições da freguesia. Olhando a estes 28 anos na presidência da Junta de Freguesia, o balanço que faço é muito positivo, apesar de que há sempre coisas a fazer e coisas que não se conseguem realizar por várias razões. Nunca fiz promessas de nada, tentei sempre resolver os problemas ao longo dos anos conforme foram surgindo. Acho que consegui. Sinto-me realizado”.

Alargamento do cemitério vai arrancar ainda este ano

Há 28 anos na Junta de Freguesia, Carlos Alberto Pereira faz um balanço “muito positivo” do percurso como autarca e destaca as principais obras em curso, nomeadamente, a segunda fase do Complexo Desportivo de Oliveira S. Mateus e o alargamento do Cemitério Paroquial.

“Desde que cá estou, já fiz um alargamento do Cemitério, mas, à medida que os anos vão passando, começa a haver escassez de sepulturas e, neste momento, comprámos um terreno negociado há cerca de seis anos, havia alguns impedimentos que atrasaram e agora estamos à espera do licenciamento. Tencionamos que fique licenciado nos próximos meses e estamos convencidos que ainda este ano civil possamos dar início à obra. Neste momento, é a grande necessidade da freguesia. Ainda temos espaço, mas pouco, apenas dez espaços disponíveis, acredito que não vamos ter problemas até às obras serem concluídas. A nossa preocupação é criar logo de imediato um espaço para receber 60/70 sepulturas”, explicou o autarca, dando conta ainda das intervenções em algumas ruas, nomeadamente, na Rua do Arrabalde, Rua de Soalhães, Rua de S. Mateus, Travessa de S. Mateus, Travessa das Vinhas e Rua Salgado Zenha.

Além destas obras, o executivo tem como projectos futuros a construção de habitações a preços controlados, a remodelação da Feira Semanal, da Escola Primária, uma série de obras em passeios e pretende ainda responder, “dentro dos possíveis, a todas as carências da freguesia, proporcionando uma melhor qualidade de vida a todos os habitantes”.

A curto prazo, segundo explicou Carlos Alberto Pereira, outro dos projectos a colocar em prática passa pelo Parque do Quinteiro. “Queremos criar um espaço ligado à água, com chafarizes, de forma a que os miúdos possam brincar com água, um espaço fechado e seguro, para que a população usufrua do recinto e as famílias o possam usar no Verão, altura em que costuma ficar vazio. Queremos ver sempre gente no parque, não só às seis da manhã, com a população que frequenta o parque para as suas caminhadas e circuito de manutenção. Com este projecto, pretendemos chamar mais gente ao espaço. Inclui uma zona de merendas, que pretendemos instalar no actual campo de areia, que não tem muita utilidade e tem custos elevados”, sublinhou.

No horizonte da Junta de Freguesia, está também um Pavilhão: “a câmara não vai investir nesse projecto, porque tem um pavilhão muito próximo na freguesia vizinha. Portanto, terá de ser um projecto da Junta de Freguesia. É uma necessidade da Associação Desportiva e Cultura de S. Mateus e será um dos projectos”.

Apoio social é uma das principais missões

“O apoio social é uma valência importante da nossa missão, é aliás, uma das principais”, destacou Carlos Alberto Pereira, lembrando que a pandemia agravou algumas das situações e exigiu um trabalho mais atento e alargado do executivo.

“Se não ajudarmos quem precisa, as coisas complicam-se. Estamos sempre atentos. A população sabe que quando precisa de qualquer coisa pode contar connosco, por exemplo, deslocámo-nos muitas vezes aos hospitais, há situações que são difíceis, temos gente a ir para o Hospital de Braga sem transporte e para ir de autocarro têm de ir a Famalicão, depois para a central de Braga e depois apanhar outro autocarro para o hospital. Estamos disponíveis para este tipo de serviço. Fazemos transporte para o Porto, Braga, Fafe, para várias zonas”, referiu o autarca, destacando ainda a recolha de alimentos para famílias cadenciadas e apoio para medicamentos.

“Não vamos deixar ninguém sem apoio.

Somos uma freguesia muito presente no dia-a-dia da população, totalmente, 24 horas sobre 24, incluindo aos fins-de-semana, estamos sempre disponíveis para ajudar. As pessoas já contam connosco. Mesmo quem não é cadenciado solicita apoio, por vezes necessita apenas de um conselho. O Instituto de S. José ajuda quando temos necessidade, assim como a Paróquia e a Cruz Vermelha. Estamos sempre unidos e ligados por forma a resolver os problemas que vão surgindo”.

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