Braga, quarta-feira

Oposição acusa Câmara de Braga de querer tapar buracos de tesouraria com a Confiança

Regional

13 Janeiro 2020

Redação

A oposição na Câmara de Braga acusou hoje a maioria PSD/CDS-PP/PPM de querer vender a antiga saboaria Confiança para "tapar buracos de tesouraria" e "trair a cidade" com esta opção, em vez de recuperar o complexo para fins museológicos.

A oposição na Câmara de Braga acusou hoje a maioria PSD/CDS-PP/PPM de querer vender a antiga saboaria Confiança para "tapar buracos de tesouraria" e "trair a cidade" com esta opção, em vez de recuperar o complexo para fins museológicos.

Na reunião do executivo de hoje, a maioria aprovou, com voto contra do PS e da CDU, uma nova hasta pública para alienar a antiga fábrica de perfumes e sabonetes, depois de duas terem sido "travadas" por providências cautelares, esperando desta forma "encaixar" mais de três milhões de euros.

A votação ficou marcada pela abstenção da vereadora da Cultura, Lídia Dias, que considera que a requalificação nos moldes apresentados “não será motor no domínio cultural”, mas acredita que o complexo da Confiança “ficará salvaguardado”.

O novo caderno de encargos aprovado, sublinhou o presidente da autarquia, Ricardo Rio, "garante a preservação da memória" da unidade fabril e que ali só poderá ser “criada uma residência universitária".

O anúncio desta nova tentativa de venda da Confiança já tinha sido feito, sendo que a autarquia prevê a sua concretização ainda no primeiro trimestre deste ano, embora com forte contestação por associações culturais e recreativas da cidade e da oposição do PS e CDU.

Questionado pelos jornalistas, o autarca admitiu que, face à contestação já manifestada pela Plataforma Salvar a Confiança, criada para impedir a venda do edifício, a nova tentativa de venda do edifício venha a ser alvo de uma nova providência cautelar.

Para o líder da oposição socialista, Artur Feio, a “maioria quer vender a Confiança unicamente para realizar dinheiro”.

“Nós temos um e-mail mandado a fornecedores no qual a autarquia justifica atrasos em pagamentos por falta de liquidez de tesouraria e viram na venda da Confiança, ainda que ao desbarato, uma forma de os resolver, até porque indicam isso nestes e-mails", denunciou Artur Feio.

Para o PS, "esta venda quase que à pressa e sob pressão de património da autarquia mostra a falta de capacidade desta maioria para obter receitas próprias e prioridades trocadas, porque investe dinheiro em coisas como aumento das luzes de Natal e deixa ficar outras coisas mais importantes e vitais para a cidade por fazer".

Para a CDU, a alienação da Confiança representa "uma tremenda traição à cidade e à população, porque quando o complexo foi adquirido pela autarquia [ainda sob a presidência de Mesquita Machado (PS)], em 2011, a promessa é que ali seria feita uma unidade museológica que preservaria a memória da saboaria e teria fins culturais".

Para o vereador comunista Carlos Almeida, "vai tudo aquilo que foi prometido e na altura até promovido por Ricardo Rio, que era líder da oposição, por água abaixo e há sim uma obsessão em vender a Confiança" para resolver problemas de tesouraria e tapar buracos".

Para o presidente, o projeto de residência universitária privada previsto para o local "não deturpa de forma nenhuma o espírito de reabilitação do edifício e de colocação ao serviço da comunidade".

Rio disse ainda que "não é pelo facto de estar na esfera pública ou privada que o imóvel é melhor ou pior preservado".

"Há regras que são aplicáveis ao Estado ou a um privado. Está claro no caderno de encargos que todo o edifício da Confiança tem que ser preservado e tudo o que ali seja edificado tem que ser reversível", vincou.

Ricardo Rio refutou as acusações de PS e PSD, nomeadamente a de que uma nova residência universitária podia levar a um aumento de preços no alojamento universitário, uma vez que o projeto prevê ter até 300 camas.

"Vai até reduzir pressão nas ofertas", defendeu o autarca.

Quanto à diminuição do valor base desta nova hasta pública, que será de cerca de 3,6 milhões de euros enquanto as anteriores rondavam as 3,8 milhões, Rio explicou que a autarquia "não é um promotor imobiliário" e que quer "apenas assegurar a viabilidade do projeto entendendo que o "novo caderno de encargos acarreta restrições ao obrigar à criação de uma residência universitária e à manutenção da estrutura do edifício principal, entre outras condicionantes".

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