Braga, quinta-feira

'Paisagem Efémera' do Teatro da Didascália estreia a 23 em Joane, Famalicão

Regional

13 Outubro 2020

Redação

O Teatro da Didascália estreia, dia 23, o projeto Paisagem Efémera, um 'espetáculo-percurso' de 2,5 quilómetros, com duas horas de duração, durante o qual o público é convidado a descobrir a paisagem e a memória de Joane, Famalicão.

O Teatro da Didascália estreia, dia 23, o projeto “Paisagem Efémera”, um 'espetáculo-percurso' de 2,5 quilómetros, com duas horas de duração, durante o qual o público é convidado a descobrir a paisagem e a ‘memória’ de Joane, Famalicão.

“Estamos a trabalhar a partir de um contexto muito local, neste caso sobre a paisagem natural e rural de Joane, mas aproveitamos elementos específicos desta paisagem para debater temas tão globais”, como por exemplo, “as alterações climáticas”, afirmou à Lusa o diretor artístico do projeto.

O nome “Paisagem Efémera” tem a ver com o facto de, “de alguma forma, encararmos a paisagem como uma coisa estanque, que está ali para sempre, mas a verdade é que pode, eventualmente, extinguir-se ou sofrer mutações”, disse Bruno Martins, apontando o caso do degelo da Antártida.

Durante o percurso, o público é convidado “a deambular por entre discursos que ora falam de especificidades da geografia do território, ora das transformações de ordem social e económica que afetam a comunidade”.

"Paisagem Efémera – natural e rural" conta com direção artística de Bruno Martins, tendo como criadores e intérpretes António Júlio, Margarida Gonçalves e Rui Souza. O projeto integra ainda dois formatos de partilha virtual de processos e conhecimento que contribuíram para o processo criativo: Conversas ao Pé da Porta e o 'podcast' Áudio Derivas.

Margarida Gonçalves desenvolveu “um projeto relacionado com uma paisagem central de Joane, que é um baldio. Ela reflete sobre esta resiliência das plantas, sobre a forma como ocupam os espaços e como elas, depois de nós desaparecermos, persistem e ficarão a ocupar os espaços que deixaremos devolutos”.

Bruno Martins explica que “foi importante para o trabalho desta criadora, as ervas que cresceram nas ruas durante a pandemia, durante a quarentena, em que estivemos em casa", "a quantidade de ervas e ervinhas que cresceram por todos os lados, porque as pessoas e os carros não passavam por lá”.

Um outro criador, António Júlio, abordará o rio Pele, “um rio que é praticamente impercetível em Joane, apesar de ser muito importante, por exemplo, para a indústria local - deu até o nome a uma fábrica muito conhecida de Famalicão”.

Nas palavras de Bruno Martins, é “um rio importante porque fornece precisamente a água para a ETAR da referida fábrica, atravessa e divide a vila, mas ao mesmo tempo é quase invisível e impossível aceder-lhe”.

“De alguma forma, queremos fazer emergir este rio, dar-lhe visibilidade e falar da forma como o tratamos”, sublinhou.

Este percurso “vive de memórias, que vamos revisitar e transpor, através do que denominamos de paisagem sonora, que evidencia alguns aspetos e memórias muito particulares da vila, como, por exemplo, uma antiga feira que foi deslocada do centro para fora. As pessoas poderão de forma sonora 'revisitar' essa feira”, disse.

De acordo com Bruno Martins, haverá ainda tempo para um trabalho sobre procissões desaparecidas, que será desenvolvido pelo músico Rui Souza.

“Rui Souza irá trabalhar na igreja de Joane, num órgão de tubos, explorando cantos de procissões que, entretanto, se extinguiram. Será um trabalho sonoro, entre a música experimental e o ressoar daquele órgão de tubos”, explicou.

Por sua vez, Bruno Martins desenvolveu um trabalho mais “discursivo”.

“É uma espécie de prólogo do percurso e é no formato de apresentação de candidatura a presidência de junta de freguesia. Aproveito esse discurso para falar/evidenciar questões importantes do ponto de vista social e urbanístico da vila. São o resultado de uma série de entrevistas a moradores da freguesia sobre o que gostariam para a vila. Será um discurso mais ou menos absurdo e irónico sobre a proposta deste candidato à presidência de junta”, sustentou.

No fundo, acrescentou, “o público fará este percurso de paisagem em paisagem, espaço em espaço, e vai-se deparando com estas visões e interpretações deste território por diferentes artistas”.

No final desta viagem, por entre casas, ruas, baldios, rio e igreja, pretende-se que o público reflita sobre a sensação de fragilidade e efemeridade do planeta, evidenciada pela situação pandémica que vivemos.

O Teatro da Didascália criou um grupo de boleias no Facebook para facilitar a deslocação dos seus espectadores para Joane, que podem oferecer ou procurar transporte de forma segura e ambientalmente consciente. Para aderir ao grupo de boleias, basta seguir o seguinte link: www.facebook.com/groups/boleiasteatrodadidascalia/.

O espetáculo estará em cena entre 23 e 25 de outubro, às 21:00. O ponto de partida do percurso é na Cindinha Bulk Store (Av. Pedro Hispano 83-3, 4770-277 Joane, junto à Igreja de Joane).

As reservas podem ser efetuadas através do 'e-mail' rp@teatrodadidascalia.com ou do número 924 305 850.

O preço é de quatro euros, por pessoa.

A lotação do espetáculo é de 30 pessoas por récita, estando salvaguardadas todas as medidas preventivas relativamente à covid-19.

A companhia aconselha o público a levar água, roupa quente e calçado confortável.

As referências mais antigas à freguesia de Joane, em Vila Nova de Famalicão, datam do ano de 1065, ainda antes do período da formação da nacionalidade.

A história desta vila, que pulsava em livros e páginas de jornais antigos, gerou um impulso criativo para ampliar “o que sempre esteve à vista de todos” e criar esta dramaturgia para o espaço público.

A apresentação do espetáculo esteve agendada para maio, mas, devido à pandemia de covid-19, foi adiada para este mês.

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