Braga, sábado

PAN questiona câmara de Terras de Bouro sobre plataformas metálicas no rio Gerês

Regional

05 Janeiro 2021

Lusa

O partido Pessoas Animais e Natureza (PAN) questionou hoje a câmara de Terras de Bouro sobre se existem estudos de impacto ambiental para a construção de plataformas metálicas no rio Gerês, questão que a autarquia classificou como "ruído político".

Em declarações à Lusa, o porta-voz do distrito de Braga do PAN, Rafael Pinto, explicou que as perguntas dirigidas àquela autarquia têm na base "preocupações sobre a preservação da biodiversidade" do rio Gerês com a construção de duas plataformas metálicas para "observar o rio" e de "possíveis cheias originadas" pela localização daquelas estruturas.
 

Confrontado com as preocupações do PAN, o presidente da autarquia de Terras de Bouro, Manuel Tibo (PSD), considerou que a abordagem é "ruído politico" e explicou que as construções fazem parte de um "projeto transfronteiriço maior", feito com financiamento europeu, "pelo que nem se põe a questão de existirem irregularidades" na sua execução.
 

"Nós questionamos a autarquia porque nos preocupa a preservação de toda aquela área, quer ao nível da biodiversidade do rio Gerês, quer ao nível paisagístico. Se, ao nível da biodiversidade, as duas plataformas de metal parecem não interferir, ao nível paisagístico já não estamos seguros, uma vez que são duas pontes de metal para lado nenhum que servem apenas para observar o rio e a visualização do rio é perfeitamente possível sem as estruturas", explicou Rafael Pinto.
 

O PAN apontou ainda preocupações com o "impacto das estruturas metálicas e dos dois açudes previstos" na retenção de resíduos.
 

"O que nos foi dito numa reunião com a associação Conservação da Biodiversidade (FAPAS) é que as plataformas e os açudes levariam à acumulação de resíduos e isso iria aumentar o risco de cheias. Estão são questões válidas que precisam de reposta", afirmou o responsável partidário.
 

Para o autarca Manuel Tibo, as questões do PAN, que foram já colocadas pela FAPAS no final de dezembro, "não passam de ruído político".
 

"Isto é exclusivamente ruído político. Isto são intervenções estudadas, feitas no âmbito de um projeto com financiamento europeu, que envolve outros municípios além de Terras de Bouro e não há nada que tenha sido deixado ao acaso", garantiu Manuel Tibo.
 

Segundo o autarca, "a questão estética pode ser discutível, se se gosta ou não, mas não há aqui qualquer questão ambiental em causa porque a biodiversidade da área não sairá afetada".
 

Manuel Tibo referiu que a intervenção "visa única e exclusivamente promover a raia termal" e está enquadrada no projeto Raia Termal, envolvendo seis territórios portugueses e outros tantos galegos, localizados nas bacias dos rios Minho e Lima.
 

O projeto tem um orçamento de dois milhões de euros e está a ser desenvolvido integrado no Programa de Cooperação INTERREG VA Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020 e cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
 

A coordenação está a cargo da Confederação Hidrográfica do Miño-Sil, que integra, do lado espanhol, na província de Ourense, os municípios de Cortegada, Lobios, Bande e Muíños e de Portugal os concelhos de Melgaço (distrito de Viana do Castelo), e Terras de Bouro, ambos integrados no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

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