Braga, terça-feira

Pandemia causou 'quebras significativas' no Turismo e sector precisa 'mais apoios'

Regional

12 Janeiro 2021

Redação

O impacto quer a pandemia provocou no sector do turismo bracarense em 2020 mostra quebras significativas em receitas, que os responsáveis da área apontam que levará anos a recuperar. O tema foi debatido num webinar da Universidade Católica.

O impacto que a pandemia de Covid-19 provocou no sector no turismo em Braga mostra um ano de 2020 marcado por “quebras significativas” a todos os níveis, desde o alojamento à restauração e os únicos momentos com algum positivismo aconteceram com o desconfinamento no Verão. No momento em que o governo se prepara para avançar com um novo confinamento, os empresários e responsáveis do sector turístico bracarense apelam aos apoios estatais numa perspectiva de resistência à crise instalada, que perspectivam levar “anos” a ultrapassar.

O cenário algo negro foi traçado, ontem, por vários responsáveis do sector turístico da cidade, no webinar ‘Impactos da Covid-19 no Turismo em Braga’, dinamizado pelo Centro Regional de Braga da Universidade Católica. O facto de não se terem realizado eventos importantes como as Solenidades da Semana Santa, a Braga Romana, o São João ou a Noite Branca de Braga, retirou à cidade a atractividade que estava consolidada e que arrastava milhares de visitantes.

Altino Bessa, vereador do Turismo da Câmara de Braga, foi um dos oradores convidados do debate, onde começou por afirmar que “o ano de 2020 foi um ano péssimo para o turismo” em geral, com cidades e regiões a sofrer ainda mais como o Porto, Lisboa, Algarve, Madeira e Açores.

Apontando para um crescimento crescente e sustentado do turismo bracarense nos últimos anos, Altino Bessa destaca a “resiliência” de muitos sectores, mas no turismo o alívio que existiu foi curto, nos meses de Verão, embora as taxas de ocupação “não se comparem” - entre 80 e 90 por cento em Julho, Agosto e Setembro de 2019 e entre os 30 e 40 por cento em 2020.

“Nos primeiros dois meses de 2020, tivemos um crescimento médio à volta dos 12 por cento, e em Braga este crescimento foi sempre maior do que a média nacional e da região Norte - um crescimento que só a pandemia veio impedir”.

O vereador do Turismo de Braga destacou a “estratégia turística” montada a nível municipal, assente na raiz e histórica da ‘capital do Minho’, que levou a que os investimentos autárquicos se centrassem na requalificação de equipamentos da cidade, desde o Forum Braga ao Centro de Juventude e ao Mercado Municipal, fortalecendo o turismo de negócios e eventos.

Sem dúvidas quanto à importância que o sector do turismo teve na reabilitação de muito do edificado da cidade e nos impactos económicos que trouxe à economia local, Altino Bessa assinala os projectos que foram desenvolvidos para catapultar a marca ‘Braga’ enquanto atractiuvo turístico internacional e, por isso, repete o apelo aos bracarenses para que votem em Braga enquanto ‘Melhor Destino Europeu 2021’ - pois esse será mais um atractivo para garantir o interesse do turismo no futuro e ajudar à recuperação, tal como a aposta na “qualificação”.

Sem querer traçar já a programação que este ano será possível realizar no Altice Forum Braga, porque não se pode prever a evolução da pandemia, o administrador Carlos Silva olha para os 40 mil visitantes contados em 2020, bem longe dos 400 mil habituais. “Tivemos que nos adaptar, mas mesmo assim conseguimos realizar algumas iniciativas como congressos, a Feira do Livro virtual e a Braga Noivos; mas no fim de contas 38 eventos foram cancelados, 45 adiados ou suspensos, quebra de 95 por cento de visitantes e mais de um milhão de euros de perda de receitas”. Com um “novo normal” à porta, a esperança é que a actividade vá regressando, mas o momento, para já, é ainda de “incerteza”.

O alojamento foi outra das áreas de negócio de turismo muito prejudicada pela pandemia, levando inclusive ao encerramento de espaços, como é o o caso do Vila Galé Collection Braga, que voltou recentemente a fechar portas, pela segunda vez dada a inexistência de reservas, indica Carlos Alves, director de operações do Norte de Centro.

“Nós entendemos que Braga é uma cidade que merece receber investimento e que tem capacidade de atracção de negócios”, destacou o responsável, apontando que com a pandemia os hotéis se viram obrigados a encerrar “porque o seu negócio desapareceu completamente” e que neste momento se está a apostar na “capacitação” dos recursos humanos.

Rui Marques, director-geral da Associação Comercial de Braga, notou quebras no nº de dormidas “sem precedentes” e fala de um recuo de sete anos. “A restauração e alojamento são áreas muito sensíveis às medidas restritivas e o confinamento conduz a quebras muito significativas”.

Todos apontam que um novo confinamento exige necessariamente “mais apoios” às empresas e apelam a uma maior agilização nas respostas do governo.

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