Braga, sexta-feira

Pandemia não cortou devoção a S. Bento

Regional

12 Julho 2021

José Paulo Silva José Paulo Silva

Santuário de S. Bento da Porta Aberta viveu ontem tempo quase igual ao da pré-pandemia. Com máscaras e algum distanciamento social, a devoção ao padroeiro da Europa mantém-se.

“Há um vínculo muito identitário com S. Bento da Porta Aberta que passa de geração em geração. Não é uma pandemia que o corta”. As palavras do cónego Roberto Rosmaninho, presidente da Confraria que gere um dos santuários mais concorridos de Portugal, conferem com os tes-temunhos recolhidos junto de devotos do padroeiro da Europa, em dia da 2.ª peregrinação anual.

João Miguel veio com a mãe, dois irmãos e um afilhado a um local onde “só respirar conta muito”, cumprindo um ritual que o leva todos os meses de Prozelo, freguesia de Amares onde reside, ao Santuário de S. Bento da Porta Aberta, por devoção que herdou de pais e avós.

Durante os confinamentos impostos pela pandemia subiu a S, Bento, mesmo com a igreja fechada, porque “aqui tenho um sentimento de amor e crença que não consigo noutro local”.

O bracarense José Silva, acompanhado de seis amigos, amantes como ele de trails e caminhadas, chegou ontem ao “São Bentinho” em corrida e caminhada desde Fão, concelho de Esposende.
Foram 71 quilómetros percorridos em onze horas por um dos agora sinalizados ‘Caminhos de S. Bento da Porta Aberta’.

José, Vítor, Fernando, Maria José, Tiago, Manuel e Deolinda percorreram em ritmo apressado este caminho de peregrinação por vias secundárias dos concelhos de Esposende, Barcelos, Braga, Amares e Terras de Bouro, por devoção aliada ao gosto pelo bem estar físico e o convívio.

“O ano passado fiz 20 vindas, este ano foran sete ou oito”, confidenciou-nos José Silva, ontem de manhã, cumprida a última e custosa etapa de um caminho que inclui o ‘arrebentaço’, antes do Santuário de Nossa Senhora da Abadia, e os três derradeiros quilómetros de descida.

O seu colega Fernando Silva avisa-nos que, para além da preparação física, “a mente manda muito” na superação destas provas de esforço.

Ainda sem prazo marcado, mas tão breve quanto possível, estes e outros actuais peregrinos de S. Bento da Porta Aberta ficarão a conhecer os testemunhos daqueles que, no passado, percorreram os caminhos que, de diversos pontos da região minhota, confluíam para o local de culto há quatro séculos fundado na freguesia de Rio Caldo, concelho de Terras de Bouro.

O presidente da Confraria de S, Bento da Porta Aberta confirmou ontem o desejo de “conseguir ter a Casa da Memória”, um espaço com “expressão num campo educativo e pedagógico em torno da vida de S. Bento e da sua mensagem, da história deste santuário e dos testemunhos dos romeiros e peregrinos”.

O cónego Roberto Rosmaninho diz que não há pressa na concretização deste objectivo do mandato da Confraria, sendo que “estamos a trabalhar para a melhor solução” num “espaço delineado a partir daquilo que temos, mantendo a relevância da Basílica”.

O anúncio da ‘Casa da Memória’ foi feito em Março deste ano, no dia da 1.ª peregrinação a S. Bento da Porta Aberta, altura em que tomaram posse os actuais corpos gerentes da Confraria.

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