Braga, sexta-feira

Polícias descontentes mobilizam-se para reivindicar um suplemento de risco digno

Regional

11 Julho 2021

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

Os policías iniciaram uma longa jornada de protesto que se prolongou durante toda a semana em frente ao Comando Distrital da PSP de Braga reivindicando um suplemento de risco digno. Há outros comandos do país que se juntarão também à luta.

Os agentes da Polícia de Segurança Pública de Braga exigem que o governo lhes pague o subsídio de risco “igual” ao que é pago às outras forças de segurança. Numa longa acção de protesto pública ao longo de toda a semana em frente ao Comando Distrital da PSP de Braga, que já mobilizou outros comandos do país como Lisboa, Porto, Faro e Leiria, os polícias garantem estar “de pedra e cal’ e prometem não baixar os braços enquanto as suas reivindicações não forem atendidas pela tutela.


Os polícias lamentam o valor do suplemento proposto pelo governo para os agentes da PSP e militares da GNR, entre os 48 e 68 euros (dependendo das funções), quando o que reclama é, pelo menos, o mesmo valor que é pago às outras forças de segurança que já usufruem dele como os elementos da Polícia Judiciária e do Serviço de Estran- geiros e Fronteiras.
 

 Durante toda a semana, os polícias mobilizaram-se em acções de protesto diárias, entre as 16.30 e as 18.30 horas, permanecendo imóveis e distanciados entre si em frente ao Comando Distrital de Braga da PSP. Começaram na passada segunda-feira com 40 elementos a manifestar o seu desagrado com a proposta avançada e na sexta-feira já eram mais de 130 os polícias que se manifestaram publicamente, exigindo “um valor digno” para o suplemento de risco a que dizem ter direito. E agora há outros comandos que se juntam também à luta.


Rui Moreira, agente policial e dirigente sindical, critica o facto de a proposta do governo para a atribuição do suplemento de risco aos polícias e militares, tal como está previsto no Orçamento de Estado 2021, ter sido anunciada no fim da data limite, no final de Junho.
 

 “Nós não somos agentes de segurança de segunda”, afirma Rui Moreira, criticando também o valor da proposta do governo. “Não podemos aceitar esta proposta porque não é justa. Reivindicamos um suplemento que compense realmente o risco que corremos no exercício das nossas funções, que têm um carácter permanente e obrigatório”, disse. “A proposta do governo não é digna e nós não a aceitamos”, indicou em declarações ao jornal ‘Correio do Minho’.


“Nós não pedimos mais nada, a não ser o que já é pago às outras forças de segurança, como a PJ e o SEF - cujos agentes recebem um suplemento de risco de aproximadamente 340 euros mensais”, frisou o representante sindical dos polícias que integram o Comando Distrital de Braga da PSP.


Rui Moreira chama a atenção da sociedade civil em geral para “o risco” efectivo que os agentes policiais correm sempre que enfrentam situações “de enorme perigo” como ter realizar detenções de traficantes de estupefacientes ou outros ilícitos ou até numa situação de um assalto a um banco e terem que ser eles a imobilizar os detidos com as suas próprias mãos.


Têm sido vários responsáveis políticos e entidades que já mostram a sua solidariedade para com a acção de protesto iniciada pelos polícias do Comando Distrital de Braga, como é o caso do apoio dado no local por parte de alguns autarcas locais como Goretti Machado, presidente da União da Junta de Freguesia de Nogueira, Fraião e Lamaçães ou de Ricardo Silva, presidente da Junta de Freguesia de S. Victor, além de candidatos às próximas eleições autárquicas como José Macedo, candidato independente à Junta de Freguesia São Vicente.


Alguns dos candidatos à Câmara Municipal de Braga, nomeadamente Rafaeil Pinto, do PAN e Eugénia Santos, do Chega, já vieram a público também manifestar o seu apoio às reivindicações dos agentes policiais portugueses.

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