Braga, segunda-feira

Portugal quer classificação de pesqueiras do rio Minho como património imaterial

Regional

27 Agosto 2020

Redação

O projecto que visa a classificação das pesqueiras do rio Minho foi apresentado, ontem, formalmente na Câmara Municipal de Melgaço à secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira.

A candidatura das pesqueiras do rio Minho ao registo nacional de património imaterial foi ontem publicamente apresentada em Melgaço, no distrito de Viana do Castelo, classificação que também ocorrerá na Galiza para preservar um saber comum aos dois territórios.


Promovida pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, a candidatura portuguesa foi submetida em fevereiro. Do lado espanhol, existe a intenção, mas o processo ainda não avançou.
 

À margem da apresentação pública da candidatura nacional, ontem, na Câmara Municipal de Melgaço, a secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira, explicou que são processos autónomos, apesar de se tratar de um património transfronteiriço.
 

“Cada um dos países avança com a candidatura ao registo nacional. Do lado português a candidatura é coordenada pela Direcção-Geral do Património Cultural e, do lado espanhol, pela sua congénere. São processos autónomos que visam preservar um saber partilhado pelos dois povos vizinhos”, explicou Ângela Ferreira.


Fronteira natural entre os dois países, o rio internacional concentra, nas duas margens, só no troço de 37 quilómetros, entre Monção, e Melgaço, cerca de 900 pesqueiras, “engenhosas armadilhas” da lampreia, do sável, da truta, do salmão ou da savelha.
 

Desde a foz, em Caminha, até Melgaço, o peixe vence mais de 60 quilómetros, numa viagem de luta contra a corrente que termina, para alguns exemplares, em “autênticas fortalezas” construídas a partir das margens, “armadas” com o botirão e a cabaceira, as “artes” permitidas para a captura das diferentes espécies.
 

As estruturas antigas em pedra, são descritas como “habilidosos sistemas de muros construídos a partir das margens, que se assumem como barreiras à passagem do peixe, que se via assim obrigado a fugir pelas pequenas aberturas através das quais, coagido pela força da corrente das águas, acabando por ser apanhado em engenhosas armadilhas”.
 

As construções, “umas milenares e outras centenárias, pressupõem um saber e compreensão da bacia do rio, das suas características biológicas, eco ambientais, físicas, orográficas, e as artes de pesca, testemunhas do conhecimento e vida das comunidades ribeirinhas e do seu sentimento de pertença a uma unidade cultural e identitária”.


Segundo Ângela Ferreira, a candidatura apresentada “vai ser analisada por técnicos da Direcção-Geral do Património Natural”, podendo estar ainda sujeita “a pedidos de esclarecimentos adicionais à equipa científica que a produziu”.


Já o presidente da Câmara de Melgaço, município que “deu o pontapé de saída” da candidatura, sublinhou que o objectivo do reconhecimento agora em curso, “mais do que guardar a história que as pesqueiras encerram é dar-lhe dinâmica, do ponto de vista económico, tornando-as numa referência para o sector do turismo”.

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