Braga, quinta-feira

PR defende que responsabilidade é sobretudo dos portugueses e pede disciplina

Nacional

29 Abril 2021

Lusa

O Presidente da República defendeu hoje que, no processo de desconfinamento em curso, agora sem estado de emergência, a responsabilidade é sobretudo dos portugueses, a quem pediu disciplina para evitar retrocessos na contenção da covid-19.

"A responsabilidade continua onde sempre esteve: nas mãos dos portugueses. A responsabilidade não está nas mãos apenas do Presidente da República, apenas da Assembleia da República, apenas do Governo. Está, sobretudo, nas mãos dos portugueses", considerou Marcelo Rebelo de Sousa, em resposta a questões dos jornalistas, em Lisboa.
 

O chefe de Estado, que falava no final da cerimonia de entrega do Prémio Bial de Medicina Clínica 2020, na sede da Ordem dos Médicos, declarou: "A máxima responsabilidade está nas mãos dos portugueses, e eu conto com essa responsabilidade dos portugueses".

"Há aqui uma ideia que é importante que passe: é que o fim do estado de emergência não é o fim da responsabilidade dos portugueses, nem é o fim da pandemia. Portanto, a pandemia ainda aí está, a responsabilidade dos portugueses deve continuar, como sempre esteve", acrescentou.

Segundo o Presidente da República, que não se quis intrometer no "exercício da competência do Governo" quanto às medidas do plano de desconfinamento, o comportamento dos portugueses "vai naturalmente explicar os passos seguintes, nas semanas seguintes, nos meses seguintes".

"Eu não quero antecipar-me àquilo que é o exercício da competência do Governo. Quero dizer o seguinte: que conto com a mesma disciplina dos portugueses", afirmou.

Na terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que não iria propor ao parlamento renovar o estado de emergência, que assim terminará na sexta-feira, 30 de abril, pelas 23:59, ao fim de 173 dias consecutivos em vigor.

Hoje, o chefe de Estado elogiou o comportamento dos cidadãos "nestes meses muito difíceis", considerando que "revelaram coragem e disciplina", e mostrou-se certo de que se lembram dos altos e baixos da propagação da covid-19 em Portugal desde março do ano passado.

"Os portugueses têm a experiência de um ano e dois meses, têm a experiência de uma primeira vaga muito difícil, têm a experiência depois de um desconfinamento com agravamento da situação mais tarde, ainda no ano passado, e depois dos meses muito difíceis deste ano. Não é uma memória longínqua", referiu.

De acordo com o Presidente da República, "sabendo isso, não deixarão de manter uma atitude de bom senso, de prudência, de precaução e de disciplina".

Em Portugal, já morreram perto de 17 mil pessoas com covid-19 e foram contabilizados até agora mais de 836 mil casos de infeção com o novo coronavírus, de acordo com o boletim de hoje da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Marcelo Rebelo de Sousa insistiu que o desconfinamento em curso, "como todos os processos graduais, tem de ser vivido com sensatez e com prudência".

Na cerimónia de entrega do Prémio Bial de Medicina Clínica 2020, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, agradeceu ao Presidente da República "pelo trabalho magnífico que tem feito pelos portugueses durante esta pandemia".

Depois, no início da sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se também ao bastonário da Ordem dos Médicos e descreveu o seu "protagonismo" neste período como "às vezes benquisto, outras menos benquisto, mas sempre fundamental no contacto com a sociedade portuguesa".

No seu discurso, o chefe de Estado apontou o conhecimento como fator decisivo para o desenvolvimento das sociedades e apelou a que seja uma das prioridades para os recursos do quadro financeiro plurianual da União Europeia e do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O Presidente da República desculpou-se por esta cerimónia não se realizar no Porto, mas em Lisboa, explicando que isso aconteceu porque quando foi marcada "não era evidente a não renovação do estado de emergência", mas entretanto, "felizmente, a pandemia conheceu uma evolução relativamente favorável".

"Está apresentado o pedido de desculpa, sempre bem-vindo em matérias de centralismo lisboeta, altamente indesejável nos termos da Constituição, que aponta para uma descentralização e desconcentração administrativas", observou.

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