Braga, quarta-feira

Prémio de investigação é homenagem a antigo provedor

Regional

16 Junho 2021

Patricia Sousa

DR. JOÃO EULÁLIO PEIXOTO DE ALMEIDA é o prémio de investigação que a Santa Casa da Misericórdia de Braga vai instituir, a partir de 2022, em jeito de homenagem ao antigo provedor.

Com o objectivo de honrar a memória do antigo provedor, a Santa Casa da Misericórdia de Braga vai instituir, a partir de 2022, o Prémio de investigação bianual ‘Dr. João Eulálio Peixoto de Almeida’, que foi provedor da instituição entre 1976-1978, num período algo conturbado que se seguiu ao 25 de Abril. “Ao tempo este advogado, homem de visão, corajoso e sem medo, assumiu um desafio digno de registo, pois se não fosse ele e a equipa que o acompanhou, a Misericórdia de Braga hoje não existiria, apesar da sua origem secular”, lembrou ontem o provedor Bernardo Reis, referindo que este prémio de investigação vai “aprofundar o conhecimento” sobre a instituição.

“Foi com espírito de reconhecimento e de gratidão que a Mesa Administrativa deliberou criar o prémio de investigação, com todo o mérito pelo notável trabalho do seu legado, transmitido e prosseguido até à actualidade. A ele coube uma missão de grande arrojo, perseverança e grande sentido de persistência para salvaguardar os valores e o património da instituição”, justificou, durante a sessão de apresentação do prémio, Bernardo Reis.

Dr. João Eulálio Peixoto de Almeida foi provedor entre 1976 e 1978, num período “algo complexo” a seguir ao 25 de Abril, altura em que o Hospital de S. Marcos foi intervencionado pelo Estado, mediante a promulgação de um decreto-lei, ficando a Misericórdia numa situação “muito grave”, sob o ponto de vista estrutural e financeiro.

Face às condições “impostas unilateralmente” no decreto-lei preparou-se “a definição das bases essenciais para a elaboração do protocolo a assinar, revelando neste processo grande firmeza, salvaguardando os interesses da Misericórdia nas mais diversas situações”, lembrou o provedor. Entre os objectivos que definiu foi “a introdução de grande rigor nos orçamentos, no controlo das despesas e nos investimentos, corrigiu ainda grandes desigualdades e benefícios nos recursos humanos e procurou dar uma maior vivência à religião católica por parte da Irmandade”.

Bernardo Reis evidenciou ainda “o trabalho notável que levou a efeito para a Irmandade e Misericórdia de Braga continuar a sua missão”.

A investigadora Marta Lobo de Araújo, um dos membros do júri, também destacou que este prémio é uma “homenagem a uma personalidade de grande arrojo”, que ‘salvou’ a Misericórdia de Braga numa altura “politicamente muito dura e difícil”. O então provedor, continuou a investigadora, “foi um homem singular e que permitiu que a Misericórdia ainda exista hoje”.

Este prémio de investigação vai permitir “estudar e aprofundar o conhecimento sobre a Misericórdia”. No meio da pandemia, a Misericórdia de Braga “decidiu dar este passo em frente e está na dianteira, distinguindo uma personalidade ilustre desta casa”. Este prémio científico “está assente na missão cultural da instituição de promover a cultura e ensinar os simples”, defendeu ainda a investigadora.

Na sessão de apresentação do prémio estiveram dois filhos, uma neta e uma bisneta. Um dos filhos, Rosalvo Peixoto de Almeida, aproveitou para agradecer o gesto, demonstrando “honra e alegria” por toda a família.

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