Braga, quarta-feira

Presépio ao Vivo de Priscos alerta para escândalo dos refugiados

Regional

16 Dezembro 2019

Redação

Família Síria inaugurou ontem o Presépio ao Vivo de Priscos. Até 12 de Janeiro, há 11 dias para uma fazer uma viagem ao tempo de Jesus Cristo, ele próprio um refugiado.

Catorze refugiados sírios, de fé muçulmana, foram os convidados especiais na inauguração, ontem, do Presépio ao Vivo de Priscos, opção com a qual a organização do maior evento do género da Europa pretendeu chamar a atenção para o drama dos refugiados.“O Natal não é assim uma coisa tão fofinha como nós articulamos, o Natal é um escândalo, porque Jesus nasceu fora da sua terra, é um deslocado, não tem casa nem lar para nascer, foi refugiado por perseguição política e religiosa”, alegou o padre João Torres, pároco de Priscos, no final da visita inaugural ao Presépio, que apresenta este ano como novidade uma ponte em pedra, de 50 metros, com seis arcos, que “simboliza o desejo de fazer pontes onde há o hábito de fazer muros”.

O sacerdote, mentor do Presépio ao Vivo, justificou que “antes da queda do Muro de Berlim, existiam apenas onze nações cercadas, hoje temos cerca de 70 países que instalaram muros nas suas fronteiras”.

Presente na abertura do Presépio, o arcebispo primaz, Jorge Ortiga, a quem um dos elementos da família síria radicada em Braga apelidou carinhosamente de “pai”, considerou “simbólico termos aqui uma família de refugiados, um apelo à universalidade do mundo em que nós vivemos”.

Segundo o prelado, “a questão dos refugiados deve-nos interpelar”, já que se trata de um “drama que ainda continua em campos de refugiados com condições verdadeiramente desumanas”.

Se Jorge Ortiga entende que “o Natal não é apenas um acontecimento que recordamos com emoção, é um convite a que nos comprometamos com causas”, o pároco de Priscos acrescentou que “as festividades de Natal por parte de muita gente, sejam eles políticos, religiosos ou com outras missões na sociedade, soam muitas vezes a falso”.

No seu discurso sempre provocador, João Torres declarou que “damo-nos muito bem com a hipocrisia num Mundo com mais de 70 milhões de refugiados, que fogem da guerra, da fome e da perseguição, que deixaram para trás o seu património, anos de história e de esforço e que se lançam à deriva, seja no deserto, seja no cemitério do Mediterrâneo”.

Para o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, o Presépio ao Vivo de Priscos “é um projecto extraordinário por várias dimensões, a mais importante de todas o envolvimento de toda uma comunidade”, a que acresce, este Natal, “a dimensão imaterial e física de construção de pontes entre culturas, religiões e povos”.

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