Braga, terça-feira

Primeira fábrica na Europa vai produzir milhões de luvas de exame descartáveis

Economia

22 Março 2020

Redação

Empresa de Vila Nova de Famalicão está prestes a iniciar a produção em massa de luvas indispensáveis aos profissionais de saúde. Abertura de linha de produção inovadora vai servir o mercado nacional com três milhões de luvas por dia.

Uma empresa de Vila Nova de Famalicão prepara-se para arrancar em breve com a produção de mais de três milhões de luvas de exame descartáveis por dia. O investimento de 23 milhões de euros concretiza-se num momento particularmente crítico de procura de materiais de segurança descartáveis, em consequência da pandemia do COVID-19.


A unidade de produção da empresa Raclac, na freguesia de Antas, será a primeira da Europa a produzir luvas descartáveis para a área da Saúde, mas o administrador Pedro Costa assegurou ontem ao Correio do Minho que toda a produção se destinará, nos tempos mais próximos, ao mercado nacional.
 

Os responsáveis da empresa já realizaram contactos a nível governamental no sentido de a produção de luvas ser integralmente distribuída em Portugal.


“A produção inicia-se entre uma a três semanas. Não depende só de nós”, adianta Pedro Costa, justificando que o quadro actual de expansão da pandemia do novo coronavírus provoca alguns constrangimentos no fornecimento de componentes para a nova unidade de produção, projectada com tecnologia desenvolvida pela própria empresa durante três anos. A linha de produção é 100% automatizada, com 48 robôs e sem intervenção humana.
 

No actual contexto de combate ao COVID-19, Augusto Lima, vereador da Economia, Empreendedorismo e Inovação da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, destaca a importância da produção em Portugal das luvas de exame descartáveis, artigo essencial para hospitais e outras unidades de saúde.


Desde o início do ano, as empresas fornecedoras de produtos de protecção individual registam aumentos significativos nas encomendas. Na Raclac, a venda de máscaras descartáveis, fatos e luvas subiu, neste quase trimestre, mais de2300% em relação a período homólogo de 2019.
 

Empresas da indústria têxtil e vestuário procuram sobreviver à crise
 

Cerca de uma centena de empresas do sector têxtil e vestuário da região Norte, com prevalência nos vales do Ave e Cávado, constituiram uma bolsa estratégica para o fornecimento de equipamento têxtil hospitalar, depois de um apelo feito nesse sentido pela Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) e do CITEVE, num processo em que está envolvida também a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.
 

Augusto Lima, vereador da autarquia, adiantou ao Correio do Minho que muitas empresas, face à perspectiva de redução ou mesmo cancelamento de encomendas de vestuário, “estão a direccionar a sua produção para equipamentos de protecção individual”.
 

O Município famalicense está a fazer “o acompanhamento do que está a acontecer às empresas” e a perceber a evolução futura da actividade económica no actual contexto de crise pandémica.


“O têxtil e vestuário começa e ter cancelamentos de encomendas, mas o sector agro-alimentar está bastante pujante”, revelou o autarca, numa altura em que “a maioria das pequenas e médias empresas estão a funcionar”, sendo que grandes empregadores como a Continental Mabor e a Leica suspenderam a actividade como medida preventiva.
 

Desde a passada quinta-feira, a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão tem disponível uma linha de apoio às empresas, canal que tem sido muito requisitado para o esclarecimentos das medidas de apoio que o Governo tem anunciado nos últimos dias. “Eu próprio estou a contactar as empresas para perceber o seu funcionamento actual e entender como está a reagir o mercado”, adiantou-nos Augusto Lima, preocupado também com o impacto que a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus está a ter em muitos “micronegócios” que nos últimos anos foram alavancados pela incubadora do programa Famalicão Made In.

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