Braga, sábado

Problemas sociais e psicológicos são os que mais afligem os maiores de 55 anos

Regional

07 Fevereiro 2021

Redação

São muitos os problemas que a equipa do projecto Red May tem ajudado a resolver aos bracarenses. O projecto, com financiamento europeu, arrancou em 2019, de forma experimental, mas o Município de Braga prolongou-o, para já, até Setembro.

A resolução dos problemas que afligem as pessoas com mais de 55 anos no concelho de Braga é o grande foco da equipa do projecto ‘Red May’. As questões sociais têm sido a resposta mais procurada e, nesta fase pandémica devido à Covid-19, são também muitos os que têm procurado encontrar aqui o apoio psicológico que precisam neste momento.


“O atendimento social tem sido a resposta mais procurada”, indica Neusa Coelho, a coordenadora do projecto ‘Red May - Serviços Sociais e de Saúde de Proximidade do Município de Braga’. “Há muitas pessoas a procurar-nos por várias razões, mas sobretudo na área social, trazendo-nos questões relacionadas com o desemprego, a incapacidade, a deficiência, as prestações por morte... há muitas dúvidas nestas matérias e, regra geral, as pessoas estão pouco informadas até sobre determinados apoios a que têm direito”.
 

 Foi precisamente com o objectivo de dar apoio e informação às pessoas maiores de 55 anos e mais afastadas dos centros urbanos que arrancou o projecto-piloto do ‘Red May’, em 2019, literalmente ‘sobre rodas’, percorrendo as freguesias suburbanas de Braga.


Hoje, é sob o mesmo desígnio que o projecto ‘continua de pé’, mas com a finalidade de chegar a todas as freguesias do concelho e, dessa forma, ao maior número de pessoas possível.
 

 Recorde-se que o projecto Red May - Rede de Apoio e Manutenção Comunitária de Idosos no Ambiente Rural por meio da Tecnologia e Inovação - foi financiado por fundos comunitários, por via do Programa Operacional Interreg V - Espanha-Portugal, depois de uma candidatura conjunta entre o Município de Braga, Junta da Galiza e Universidade de Vigo.


O projecto foi posto em prática e só na primeira fase permitiu apoiar cerca de um milhar de pessoas em apenas seis meses (2019) com vários serviços de proximidade, desde aconselhamento social, a rastreios de saúde, nomeadamente ao nível das demências como o Alzheimer e acções de esclarecimento diversas.
 

A “adesão” e o “impacto” que o projecto-piloto teve foi tal junto da população, que o Município de Braga decidiu dar-lhe continuidade, agora a expensas próprias, investindo 80 mil euros/ano neste “trabalho de proximidade”, explicou Ana Ferreira, chefe de gabinete de Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga e responsável pela área social.
 

 O projecto ‘Red May’ está agora na segunda fase e embora já não ande ‘sobre rodas’, conta agora com a parceria das juntas para o acolher nas suas instalações durante alguns dias. O objectivo é chegar a todas as freguesias do concelho, urbanas e suburbanas, auscultando as necessidades reais de quem precisa de ajuda.
 

A equipa do ‘Red May’, coordenada por Neusa Coelho, é constituída pela enfermeira Ana Lucas, pela psicóloga Sílvia Fernandes e pela assistente social Vitória Carneiro. São elas que acolhem, esclarecem, ajudam quem as procura pelas mais diversas razões.


Nesta segunda fase, o projecto ‘Red May’ já percorreu 14 freguesias desde Setembro de 2020, abrangendo mais de 542 pessoas em mais de 920 atendimentos realizados pela tríade de profissionais.
 

Bracarenses elogiam “ajuda preciosa” da equipa ‘Red May’
 

 Teresa Braga, de 57 anos, foi uma das pessoas que procurou o projecto ‘Red May’ para “tirar dúvidas” e ficar melhor informada sobre vários apoios a que, afinal, parece ter direito. No dia em que a equipa de profissionais esteve na Junta de Freguesia de Gualtar, a bracarense foi até lá e descobriu uma equipa de profissionais pronta para a ajudar.


Ao todo, só em Gualtar, a equipa fez 30 atendimentos, sobretudo para esclarecer dúvidas e recolher informações. “Esta equipa é uma excelente ajuda e fui muito bem atendida. Fiquei a perceber que posso ter acesso, por exemplo, às consultas dentárias, entre muitas outras coisas em que nos podem ajudar. Ainda bem que vim cá”.
 

Em Trandeiras, a sexagenária Fátima Lima, recorda bem o dia em que encontrou a equipa do projecto ‘Red May’. Diz que foi no “tempo certo”, ajudando-a a resolver problemas relacionados com a reforma. “Ajudaram-me muito”, garantiu, lembrando que foi graças ao apoio que lhe deram que obteve “um pouco mais” para viver. “Mas não foi só a mim. Têm ajudado muita gente. Muita gente mesmo”.


Com 70 anos, Ana Azevedo, também de Trandeiras, lembra o apoio da equipa ‘Red May’. “Eu tenho vários problemas de saúde, mas na altura que eles passaram por cá ajudaram-me muito com exercícios que me faziam sentir mais equilíbrio. Gostava que voltassem cá”, contou ao ‘Correio do Minho’ e rádio Antena Minho.
 

 Neusa Coelho, coordenadora do projecto ‘Red May’, diz que os apoios dados pela equipa podem ser a vários níveis e dependem muito do cenário que se encontra em cada localidade e das necessidades das pessoas.


“Este é um projecto muito flexível. Os atendimentos sociais são os mais procurados, mas há quem procure também o apoio psicológico. Inicialmente, quando arrancou, o projecto estava muito direccionado também à neuropsicologia, mas neste momento, uma vez que estamos a viver uma situação pandémica, é mais vocacionado para consultas de psicologia, porque há, de facto, uma necessidade muito grande face ao isolamento acentuado nos maiores de 55 anos”.
 

Para João Vieira, presidente da Junta de Gualtar, o projecto ‘Red May’ é uma “mais-valia” instalada no terreno. “Acolhemos este projecto aqui na junta porque sentimos que era uma necessidade e apesar de já darmos algum apoio social, a outros níveis, nomeadamente a nível alimentar”, frisou.


“Julgo que esta resposta faz todo o sentido existir e é mais uma ajuda para quem realmente precisa, como é o caso das pessoas que necessitam de apoio psicológico e que são muitas, sobretudo nesta fase que estamos a atravessar e que terá consequências nas pessoas a médio prazo”, afirmou o autarca de Gualtar. “Mais importante ainda seria que este projecto fosse contínuo e pudesse ser disponibilizado mais frequentemente à população através das juntas de freguesia, de forma a poder dar acompanhamento às situações”, disse.

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