Braga, sexta-feira

Racismo: FUA rejeita acusações de coletivos e diz que "fez de tudo" para agregar esquerda

Nacional

18 Agosto 2020

Lusa

A Frente Unitária Antifascista (FUA) garantiu que fez de tudo para agregar toda a esquerda nas manifestações antifascistas de domingo, no Porto e em Lisboa, rejeitando, por isso, as acusações de organização desleal feitas por várias organizações.

“A FUA fez de tudo para agregar toda a esquerda em torno do repúdio aos ataques da extrema-direita. É totalmente incompreensível que depois de ações de rua que foram um êxito, parte do movimento que assume combater o fascismo e o racismo se vire contra a independência política da FUA e tenha tão rapidamente esquecido completamente o nosso inimigo comum”, explicita o movimento num esclarecimento enviado às redações.
 

No domingo, cerca de 20 coletivos e associações antirracistas acusaram a Frente Unitária Antifascista de organizar de um modo “desleal, oportunista e sectária” as manifestações “Unidos Contra o Fascismo”, que decorreram no Porto e em Lisboa.
 

Estas organizações consideraram, em nota divulgada pelo Movimento Negro Portugal, que não houve “envolvimento prévio dos coletivos antirracistas” e que as pessoas que “sofreram ameaças na última semana” também não estavam envolvidas na organização dos protestos.
 

De acordo com estes coletivos e associações, “esta não é a primeira vez que acontece, são já vários os episódios lamentáveis nos últimos dois anos”.
 

Em resposta a estas acusações, a FUA disse hoje que foi lançado para “a praça pública um chorrilho de acusações pessoais, calúnias, mentiras e manipulações que carecem de total fundamento e não deixam de refletir certa degeneração moral de alguns dirigentes da esquerda diante da decadência da sociedade capitalista”.
 

A Frente Unitária Antifascista “endereçou o convite para coorganização das concentrações a dezenas de organizações, incluindo grande parte das que subscreveram a nota divisionista, que manifestaram a opinião e pressionaram para que não se realizassem” as manifestações.
 

“Respeitamos a sua opinião [dos coletivos], mas não concordamos, pois cremos que o silêncio é cúmplice e a menorização da luta no espaço público em relação à agenda da política parlamentar é prejudicial ao combate antirracista e antifascista, tal como a sistemática tentativa de silenciar” os ativistas da FUA, prossegue o esclarecimento.
 

Na última semana, três deputadas e sete ativistas foram alvo de ameaças por uma autoproclamada “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, que reivindicou também uma ação junto à associação SOS Racismo.
 

Na quinta-feira, o Ministério Público instaurou um inquérito-crime, um dia depois de o dirigente da SOS Racismo Mamadou Ba ter prestado declarações na Polícia Judiciária e ter confirmado a receção, juntamente com mais nove pessoas, de uma mensagem de correio eletrónico a estipular o prazo de 48 horas para abandonar o país.
 

Este domingo decorreram, no Largo Camões, em Lisboa, e nos Aliados, no Porto, duas manifestações convocadas pela FUA.
 

Em Lisboa, centenas de pessoas manifestaram-se contra o fascismo, o racismo e pela liberdade e direitos cívicos, num protesto que quem lá estava disse ser necessário pelo crescente à-vontade com que a extrema-direita se sente para cometer crimes.
 

No Porto, foram cerca de trezentas as pessoas que participaram numa concentração contra “tentativas de intimidação” a três deputadas e a sete ativistas antifascistas e antirracistas.
 

Entre os manifestantes concentrados no Porto encontrava-se Luís Lisboa, coordenador do núcleo de Guimarães da FUA, um dos primeiros ativistas a formalizar queixa-crime pelas ameaças que recebeu e que disse encontrar-se já sob proteção policial.

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