Braga, quarta-feira

Rei das roscas dedica-se agora a salvar o mundo

Desporto

23 Abril 2020

Redação

Álvaro Martins ex-glória do andebol português e do ABC, ficou conhecido pelas suas roscas, gesto técnico de grande be-leza que ficou a ser o seu epíteto. Agora dedica-se à enferma-gem e combate a Covid-19 na linha da frente, em Inglaterra.

No dia em que se assinalam 26 anos sobre o jogo da primeira mão da histórica presença do ABC na final da EHF Liga dos Campeões de andebol, nada melhor do que recordar esse momento com um dos intervenientes nessa partida. Álvaro Martins, ponta esquerda que deixou marcas no andebol português e mais concretamente no andebol minhoto e bracarense, foi o convidado do Fórum Desporto e relembrou essas glórias do passado, mas também a actualidade que se vive, ele que a conhece como ninguém, não estive na linha da frente na luta contra a pandemia de Covid-19, sendo enfermeiro coordenador/gestor no The Willows Nursing Home e NHS Hospital South Wing, em Belford, Inglaterra.

A viver dias complicados, Álvaro falou da realidade que enfrenta em Inglaterra e também do que vê em Portugal, nesta batalha contra a pandemia.

“É bom ter algo que ficou e marcou, até ao momento, a minha carreira no andebol. É sempre bom recordar e que as pessoas se lembrem desses bons momentos”, começou por referir Álvaro Martins sobre as famosas ‘roscas’ que fazia e que deixavam desesperados os guarda-redes adversários. Quanto à situação actual que todo o mundo vive, Álvaro é claro: “É uma situação bastante assustadora, que surgiu de forma inesperada e apanhou toda a gente desprevenida. Em termos de resposta, temos ajustado as nossa acções, temos ajustado as nossas rotinas diárias, não só no ambiente hospitalar, mas também no lar que dirijo neste momento. No ambiente hospitalar o foco tem-se centrado na triagem e em dar a resposta às pessoas que apresentam um quadro patológico direccionado para o Covid-19.

Mas é preciso lembrar que as outras patologias não deixaram de existir. Os serviços estão sobrecarregados e isso tem criado alguns problemas a nível da gestão hospitalar e dos lares”.

“O mais difícil já está feito e agora é continuar”

“Os resultados nacionais, por si só, não deixam dúvidas a ninguém. Temos trabalhado, em termos de clubes, de forma muito positiva. Os clubes têm trabalhado muito e bem para este crescimento. Sporting, Porto, Benfica e ABC, entre outros clubes, têm contribuído muito para as selecções nacionais e para a evolução do andebol português. Recordo-me bem que quando começámos a estar constantemente na Europa, crescemos de forma inexplicável. Na altura comparávamos o orçamento do ABC com as restantes equipas, éramos a que tinha o orçamento mais contido, mas mesmo assim éramos a única equipa que conseguia bater-se com qualquer equipa na Europa. Agora acho que se passa exactamente o mesmo. As equipas começaram a apostar na qualidade da sua formação, dos seus jogadores, treinadores e em termos de condições e de trabalho. Os jogadores portugueses terem oportunidade de jogar noutros campeonatos também foi muito importante. Temos jogadores a jogar em praticamente todos os campeonatos da Europa, em equipas de alto nível. E quando se juntam, beneficiam muito a selecção. Com o trabalho de grande qualidade das equipas técnicas nacionais, os resultados têm aparecido.”

“Vivi à distância este campeonato da Europa, esta conquista de Portugal [6.º lugar no Campeonato da Europa] e senti-me extremamente orgulhoso por tudo aquilo que já se conseguiu fazer. Com mérito de todos pelo trabalho realizado. Tenho que referir aqui o Humberto Gomes, cheguei a jogar com ele e tive oportunidade de o felicitar e a todo o grupo de trabalho. Esperemos que se possa continuar com este trabalho, porque temos muita qualidade e muitas capacidades. Vamos continuar a crescer porque temos uma geração de jogadores com grande capacidade e chefiados por uma equipa técnica de grande competência.”

“Participação na Liga dos Campeões foi o expoente máximo do ABC”

“Foi o expoente máximo do nosso currículo. A presença na final da Liga dos Campeões foi um feito único até ao momento. Neste momento a competição tem outra configuração, mas na altura foi extremamente positivo e foi uma experiência única. Foi conseguido a ferros. A equipa não era um dos planteis mais ricos, tínhamos alguns jogadores estrangeiros que ajudaram a aumentar a qualidade e experiência. Infelizmente foi decidido em pormenores. Fizemos um jogo fantástico em Braga mas fomos infelizes na concretização de alguns livres de sete metros. Em Espanha, num ambiente fantástico, um pavilhão a abarrotar, discutimos o jogo até aos últimos segundos e a diferença foi mínima. Infelizmente não pudemos concluir o nosso percurso da forma como queríamos, mas deixámos uma imagem extremamente positiva e penso que criámos também os alicerces para o desenvolvimento da modalidade em Portugal e de todo o projecto na altura do ABC.”

“Sei que as dificuldades bateram à porta no ABC, como bateram à porta em muitos clubes. Neste momento trabalha-se de forma a encontrar soluções para o problema que o ABC sempre teve e que se prende com as questões financeiras. Não tem o apoio de um clube de futebol por trás, como se vê com outras equipas nacioanis. O ABC sempre foi um clube de formação e acredito que deve continuar a ser. Deve apostar sempre na sua formação, na evolução de jovens jogadores. Mas claro que penso que se houver capacidade para suportar e aumentar a qualidade do plantel com um ou outro jogador estrangeiro, ainda melhor. Tenho a certeza que o ABC vai voltar a crescer de forma muito positiva.”

“O ano passado foi muito custoso, não ter conseguido ir ao Grupo A… Ensombrou um bocado o ABC. Mas este ano a resposta foi mais positiva e as pessoas têm que acreditar que o ABC tem pernas para andar. Com os apoios correctos e com as pessoas correctas nos lugares correctos, o ABC vai conseguir voltar a ser o que já foi no passado.”

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