Braga, terça-feira

Restauração: empresários exigem apoios imediatos para evitar descalabro no sector

Regional

10 Novembro 2020

Redação

Medidas impostas pelo estado de emergência prometem agudizar a já frágil situação dos restaurantes que querem que o Governo tome medidas que aliviem as suas tesourarias, como a suspensão imediata dos impostos.

As novas medidas implementadas pelo estado de emergência vieram agudizar ainda mais a situação aflitiva que o sector da restauração está a atravessar. Depois de um período de retoma nos meses de Verão, os restaurantes voltaram a ressentir-se já em Outubro - época tradicionalmente baixa para o comércio - com o aumento do número de casos de Covid e o agravamento das medidas de restrição.


Os novos horários impostos pelo estado de emergência que entrou ontem em vigor e que obrigam os restaurantes a fechar às 13 horas nos dois próximos fins--de-semana constituem, na opinião dos empresários, um golpe “violentíssimo” à situação já frágil dos restaurantes.
 

 “Numa altura de menor facturação, em que estamos sem turismo, os fins-de-semana são os dias em que os restaurantes facturam alguma coisa. Com as limitações de redução de horário durante a semana e agora também ao sábado e ao domingo quase não podemos trabalhar”, adianta ao CM Albino Fernandes, gerente de um dos restaurantes mais conhecidos da cidade - o Colinatrum - que antevê um período crítico para o sector “com muitas empresas a fechar”.


O empresário diz que a imprevisibilidade da situação, com o constante lançamento de medidas restritivas, impossibilita os empresários de fazerem um planeamento do seu negócio. “Não podemos andar a comunicar as coisas de três em três”, afiança.
 

 Compreendendo que são necessárias medidas para controlar a pandemia - sendo esse até o ponto mais importante - Albino Fernandes critica, no entanto, a dualidade de critérios na imposição das medidas no comércio: “os restaurantes têm de fechar às 13 horas, mas os supermercados vão estar abertos durante a tarde. Os supermercados não estão incluídos no comércio?” questiona o empresário, criticando o governo por ter “dois pesos e duas medidas” e duvidando até da sua verdadeira eficácia quando se sabe que a maioria dos contágios está a ocorrer no seio familiar.


Renato Costa, gerente do restaurante/bar ‘Casa Velha’ adianta também que “há empresários que estão somente à espera da ruptura do stock para fechar portas”.


O empresário bracarense refere que a procura na restauração diminuiu consideravelmente nos últimos tempos, sobretudo, quando foi imposto o teletrabalho, medida que retirou muitos trabalhadores de circulação e deixou vazios os restaurantes que vivem essencialmente das chamadas diárias. “Transformaram os restaurantes nos grandes promotores da propagação do vírus”, considera Renato Costa, adiantando que impor um novo horário, especialmente ao fim- -de-semana, é quase como dizer aos empresários para fecharem durante esse período, sendo que muitos vão mesmo optar por fechar portas.


Perante a situação, os dois empresários são unânimes em afirmar que um quadro extremamente negativo são necessárias medidas urgentes de apoio à restauração, medidas que aliviem a tesouraria das empresas. “Como nos estão a impedir de trabalhar, o Governo tem de fazer uma suspensão imediata de impostos, nomeadamente IVA, TSU”, adianta Albino Fernandes, assegurando que esta é a machadada final num percurso com muitas limitações que se estendem praticamente desde o fim do confinamento em Abril e com a agravante das empresas terem de investir em material de protecção individual.


Renato Costa diz que faz também sentido adoptar medidas de protecção ao trabalho, de modo a manter os postos de trabalho, como por exemplo o lay-off.


“Neste momento, 80% da restauração em Portugal é despesa pura”, diz Renato Costa, acrescentando que além das medidas restritivas, o clima de medo instalado na sociedade tem afastando os clientes das mesas dos restaurantes.
 

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