Braga, sábado

Ricardo Silva apela ao adiamento das eleições presidenciais

Regional

12 Janeiro 2021

Redação

Presidente da Junta de São Victor alertou ontem, na reunião de Câmara, que realizar as eleições presidenciais no actual contexto é um mau serviço que se presta à democracia. Rio concordou.

O presidente da Junta de Freguesia de São Victor defende que as eleições presidenciais, marcadas para 24 de Janeiro, altura em que o país estará novamente em confinamento, devem ser adiadas por falta de condições para que o processo eleitoral decorra com normalidade. “Realizar esta eleição, neste contexto, é um mau serviço que se presta à democracia”, considera Ricardo Silva.

O autarca de freguesia inscreveu-se ontem para falar na reunião de Câmara. Apesar de a organização das eleições não ser uma incumbência directa do Município de Braga, Ricardo Silva sente que “tinha de deixar um alerta e um pedido de ajuda”.

Ricardo Silva lidera a maior freguesia de Braga. No dia 24 precisará de 22 mesas eleitorais e de pelo menos 110 pessoas para garantir o funcionamento das urnas de voto.

“São 110 pessoas que vão estar pelo mesmo 12 horas dentro de um espaço fechado, e por muito que se consiga ventilá-lo, estamos a falar de um universo de 25.500 eleitores que são esperados para votar, todos eles no mesmo sítio. Parece-me muito complicado”, afirmou.

O presidente da Junta alertou ainda para outro risco que consiste em chegar às 8 horas do dia 24 de Janeiro “e não ter gente para abrir secções voto”. Ricardo Silva refere que “há muitas pessoas que por medo ou por situações que surjam de isolamento profiláctico poderão não comparecer para abrir as urnas e não vai haver possibilidade de fazer essa substituição de última hora”.

“Este apelo e pedido de ajuda e é para ver se conseguimos tomar medidas para sensibilizar o Governo. Tem de ser ponderado o adiamento deste acto eleitoral porque poderemos não ter condições para que ele decorra com a normalidade que é exigida”, sublinhou Ricardo Silva, recusando a ideia de que esta apelo possa ser encarado como “um passar de responsabilidades”.

O autarca antevê também que a realizar-se na data prevista, este acto eleitoral “terá seguramente uma abstenção histórica, algo que ninguém deseja”.

Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga, associou-se à preocupação manifestada por Ricardo Silva, embora admita que “operacionalmente é muito difícil concretizar o adiamento do acto eleitoral”. Porém, essa “seria a solução ideal”.

“Este acto eleitoral vai decorrer em circunstâncias muito difíceis”, nota Rio, revelando que outros presidentes de Junta já manifestaram semelhante preocupação à Câmara.

O edil realça o trabalho que as Juntas de Freguesia estão a desempenhar na organização deste acto eleitoral, que ao contrário de outros não mobiliza aparelhos partidários.

É com os autarcas de freguesia que a Câmara está a criar uma bolsa de pessoas para que possam apoiar a realização das eleições. “Poderíamos até tentar alargar a bolsa de recrutamento ao limite, mas não sei como será possível, até porque não é o município que remunera as pessoas que vão para as mesas de voto”, realçou.

Este acto eleitoral implicará, sobretudo nas freguesias mais populosas, um maior número de pessoas. Em vez de 1500 eleitores por mesa, só será permitido apenas mil eleitores por mesa.

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