Braga, segunda-feira

Rusga de S.Vicente revelou tradições de Carnaval

Regional

14 Fevereiro 2021

Miguel Viana

Edição número 94 dos Serões no Burgo /Tertúlias Rusgueiras teve como tema central os Rituais Carnavalescos em Portugal, abordado pelo etnomusicólogo José Sardinha.

‘Rituais Carnavalescos em Portugal’ foi tema da 94ª edição dos Serões do Burgo / Tertúlias Rusgueiras, que a Rusga de S. Vicente - Grupo Etnográfico do Baixo Minho promoveu na sexta-feira à noite. O encontro teve formato on-line, sendo transmitido via ‘Zoom’ e na página de ‘Facebook’ da colectividade.

O convidado foi o etnomusicólogo José Sardinha, que deu a conhecer as diferentes tradições carnavalescas do país, concluindo que muitas delas têm uma origem comum: o ritual da substituição do velho pelo novo. “Um dos aspectos marcantes das tradições de Carnaval, é a ‘Queima do Home’ (o Entrudo). O fogo era a expurgação do velho para que o novo nasça. O Entrudo é o fim do Inverno para que venha a Primavera. A ‘Queima do Home’ está generalizada a todo o país”, afirmou José Sardinha.

Entre as principais manifestações do Entrudo português contam-se, além da ‘Queima do Home’, o testamento, o cortejo fúnebre da terça-feira de Carnaval ou da quarta-feira de cinzas e as contradanças. “As contradanças eram cortejos musicais que percorriam as povoações vizinhas. Era o orgulho das aldeias”, considerou José Sardinha. As contradanças deram origem, por exemplo, às marchas populares de Lisboa.

Outras das tradições é o teatrinho cómico, também conhecido por ‘Cegada’ e as ‘pulhas, ou, seja brincadeiras que visavam as más condutas das pessoas da aldeia. “As pessoas usavam funis para, em voz alta, divulgar, por exemplo, os amores escondidos de pessoas da aldeia. Ainda hoje se mantém esta tradição”, esclareceu o etnomusicólogo.

Os ‘Compadres e Comadres’ era uma das tradições mais antigas, mas actualmente caiu em desuso, sendo substituída, por exemplo, pela tradição norte-americana do S. Valentim. Acontecia na quinta-feira anterior ao domingo gordo.

“Deviamos manter esta tradição, em vez de importar o S. Valentim. Os compadres e comadres sorteavam o casamento e daqui surgiam muitos namoros. Os compadres ofereciam amêndoas e um lenço bordado às comadres e estas retribuiam com um folar”, esclareceu José Sardinha.

José Pinto, presidente da Rusga de S. Vicente e moderador da conversa, frisou que estas tradições são muito parecidas com os bailes de entrudo, recreados pela Rusga na altura do Carnaval. “Os bailes tinham a contradança, o teatro e a crónica de mal dizer (semelhante às ‘pulhas’). Na contradança havia a particularidade dos papeis femininos serem desempenhados por homens. Era um espectáculo completo que se realizava na terça-feira gorda”, disse José Pinto.

Em Braga havia também a tradição de levar o entrudo até ao Parque da Ponte, para depois ser atirado ao rio. Antes, era feita a leitura do testamento. Recentemente, a queima do Entrudo é feita no adro da Igreja de S. Vicente.

Este ano estas tradições não se realizam devido à pandemia, mas a Rusga preparou uma sessão ‘on line’ para amanhã à noite (21.30 horas) sobre a Corrida do Entrudo e a Leitura do Testamento. Consiste na passagem de vídeos de edições anteriores destas tradições de Carnaval.

No dia 20 a Rusga assinala 55 anos, com uma sessão on line.

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