Braga, quarta-feira

"Rusgus Vicentinus" visitou o antigo Convento do Salvador, atual Lar Conde de Agrolongo

Diversos

08 Dezembro 2022

Redação

Após as boas-vindas por parte da direção do Lar Conde de Agrolongo, a visita teve o seu início na igreja do antigo convento das freiras beneditinas, onde Eduardo Pires de Oliveira (EPO), começou por contextualizar a instalação daquela comunidade religiosa em Braga, vinda da freguesia de Vitorino das Donas, Ponte de Lima. A decoração interior do templo, ao estilo barroco, deixa transparecer, o que se torna comum ou recorrente em conventos femininos, ou seja, uma arte mais aprimorada, mais cuidada e, em alguns casos, mais rica.

No âmbito do projeto "O Rusgus Vicentinus visita", a Rusga de S. Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho, levou a efeito a última edição deste ano, dedicada ao antigo Convento do Salvador, atual Lar Conde de Agrolongo em Braga. Tal como na última visita à Escola Sá de Miranda e ao Solar de Infias ou Vale Flores, em território vicentino, contamos uma vez mais, com o muito saber do investigador e especialista em História de Arte, Eduardo Pires de Oliveira, na condução da visita.


Após as boas-vindas por parte da direção do Lar Conde de Agrolongo, a visita teve o seu início na igreja do antigo convento das freiras beneditinas, onde Eduardo Pires de Oliveira (EPO), começou por contextualizar a instalação daquela comunidade religiosa em Braga, vinda da freguesia de Vitorino das Donas, Ponte de Lima. A decoração interior do templo, ao estilo barroco, deixa transparecer, o que se torna comum ou recorrente em conventos femininos, ou seja, uma arte mais aprimorada, mais cuidada e, em alguns casos, mais rica. Segundo EPO, poder-se-á dizer que aquele espaço religioso, está muito em linha com o conceito de 'arte total' alemão. Ou seja, não se consegue identificar em todo o seu interior, um espaço vazio ou parede em branco. Tudo se encontra revestido, seja por talha, pintura, cantaria, azulejo, vitrais, ou outro tipo de materiais. Como peças a merecer destaque, a imponência do púlpito, o altar-mor, o órgão de tubos, o arco sanefa e as pinturas dos caixotões do teto.
 

Da igreja passou-se à sacristia, para se ver a riqueza do arcaz (móvel de grandes dimensões com gavetões), onde se guardam os paramentos, toalhas de altar e demais alfaias litúrgicas. O terceiro ponto da visita, foi o museu. Local onde se guarda e mostra uma parte muito significativa e substancial da história da instituição. Aí, o nosso guia optou por começar pela dependência dedicada em exclusivo ao grande benemérito da Instituição, José Francisco Correia, mais conhecido por Conde de Agrolongo. Depois, foi percorrer os muitos corredores de vitrines, onde se pode ver de tudo um pouco, como: uma enorme variedade de paramentos, dos mais sóbrios aos mais ricos em termos de materiais e ornamentos, Capas de Asperge, Véus Umerais, pálios, lanternas, oratórios, imagens e crucifixos, mais que muitos, redomas com santos, quadros com pinturas ou estampas, castiçais, conjuntos de jarras de flores, jarrões, serviços de pratos, de chá e café, faqueiros, entre muito outro espólio, associado aos diferentes tempos e vivências da secular instituição.

Do museu passamos diretamente para o claustro. Aí, tivemos oportunidade de constatar as diferentes fases de construção do mesmo. Ao nível do piso térreo, a arcaria do primitivo claustro é bastante sóbria. Ao nível do primeiro piso, uma arcaria já bastante mais elaborada, correspondente aos obras de requalificação do espaço, mandadas executar pelo benemérito Conde de Agrolongo, sendo o projeto da responsabilidade de Moura Coutinho.


Terminamos a visita no Salão Nobre, onde Eduardo Pires de Oliveira sugeriu que, com os inúmeros quadros que cobrem as quatros paredes, com pinturas ou retratos dos inúmeros membros que já serviram a instituição, se poderia reconstituir uma parte muito significativa da vida social bracarense. Daria um interessantíssimo trabalho de investigação académica, rematou. Refira-se a propósito, que Eduardo Pires de Oliveira, o nosso 'guia de serviço', é autor de um trabalho monográfico relativo à instituição Conde de Agrolongo.
 

O projeto "O Rusgus Vicentinus visita", é mais um projeto da Rusga de São Vicente de Braga - GEBM, que leva já mais de uma dezena de anos e, visa promover a visita a sítios, territórios e respectivas comunidades, ou monumentos de interesse histórico e patrimonial. Sempre assessorados por especialistas bastante conhecedores ou com trabalhos e/ou publicações relativos aos locais selecionados para visitar. É já bastante extensa a lista de locais visitados, quer a nível local, concelho de Braga, quer a nível nacional, nomeadamente; Chaves, Miranda do Douro, Viseu, Guimarães, Bragança, Barcelos, Boticas, entre outras localidades.

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