Braga, quarta-feira

Salvaguardar uma tradição candidata a património imaterial nacional

Diversos

05 Dezembro 2022

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

GFUM - Grupo Folclórico da Universidade do Minho promoveu o concerto de cantares polifónicos ‘Quem canta, seus males espanta’. Igreja dos Terceiros recebeu o evento, que pretende salvaguardar uma tradição de olho no reconhecimento da UNESCO.

‘Quem canta, seus males espanta’. Tal como acontecia no final do século XIX, início do século XX, os cantares polifónicos voltaram a ter voz. São cantares, sobretudo, de trabalho, associados aos trabalhos agrícolas, que, ontem, voltaram a ganhar vida na Igreja dos Terceiros, em Braga, num concerto organizado pelo GFUM - Grupo Folclórico da Universidade do Minho. Objectivo é dar a conhecer uma tradição candidata a património imaterial nacional e que abrirá caminho a um reconhecimento internacional.


“Este é o terceiro concerto dedicado só aos cantares polifónicos tradicionais, que agora já estão numa candidatura a património imaterial nacional, numa primeira instância, e depois, numa fase posterior, a património imaterial da UNESCO. E este concerto visa isso mesmo, salvaguardar este património através da sua divulgação ao público, dando a conhecer outras realidades do nosso país, no caso com a presença do Grupo Etnográfico de Fermedo e Mato, de Arouca, e as Cantadeiras de S. Martinho de Castro, de Ponte da Barca, para termos aqui realidades distintas e perceber como eram estas polifonias cantadas na região”, sublinhou André Marcos, director do Grupo Folclórico da Universidade do Minho, dando conta da tradição dos cantares polifónicos.


“São cantares a duas, três ou mais vozes, e associados a contextos de trabalho que hoje em dia já não existem. Eram usados enquanto as pessoas estavam a fazer as diferentes lides agrícolas, cantavam para passar o tempo, para ritmar e alegrar os trabalhos e uma forma de o povo se divertir. Não havia qualquer acompanhamento instrumental, só vozes”, explicou, lembrando que este património das polifonias diz “muito ao GFUM” e, por isso, “é que criámos na altura, em 2018, este concerto”.


“Temos tido algumas fontes de recolha, contacto com outros grupos que o fazem e percebemos que era algo que não existia na cidade e no nosso panorama cultural”. No próximo ano, frisou o responsável, na comemoração dos 30 anos do GFUM, “esperamos que tenha um alcance ainda maior”.


André Marcos revelou que a candidatura a património cultural está a ser feita pela associação ‘Canto a Vozes’, “sediada em S. Pedro do Sul e que junta grupos do Norte e Centro do país, sendo Braga representada pelo GFUM e o Grupo Mulheres do Minho”.


“Neste momento, estamos à espera do parecer da Direcção Geral do Património Cultural, para depois procedermos à candidatura à UNESCO, porque sentimos que é um património que é urgente salvaguardar e valorizar”, sublinhou, acrescentando que neste caminho tentam também desmistificar a ideia de que é uma tradição ligada a gerações mais velhas.


“É importante quebrar este estereótipo de que isto é só para uma determinada geração. É para todas, é o nosso património e é da nossa identidade”.

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