Seis candidatos assumidos à presidência da Câmara de Viana do Castelo

Regional

14 Junho 2021

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Com a saída do socialista José Maria Costa, por ter atingido o limite de mandatos autárquicos, o número de candidaturas até agora formalizadas pode dividir votos na capital do Alto Minho.

O actual presidente, José Maria Costa, atinge o limite de mandatos autárquicos, e quer passar o testemunho ao vereador Luís Nobre.

O arquitecto Luís Nobre entra na corrida para garantir a eleição de sétimo vereador para o PS, prometendo dar “continuidade ao trabalho de sucesso realizado pela equipa” que integrou nos últimos anos.

O social-democrata Eduardo Teixeira, em coligação com o CDS-PP, volta a candidatar-se, oito anos depois de ter tentado ganhar a autarquia aos socialistas.

O economista, líder da concelhia do PSD e deputado eleito pelo distrito de Viana do Castelo, acredita que vai “vencer”.

Cláudia Marinho é repetente como cabeça de lista da CDU à Câmara de Viana do Castelo, na qual ocupa, há oito anos, o único lugar no executivo que o partido conquistou em 2013.

Também concorre para “ganhar”, mas admite que se esse cenário não se concretizar o objectivo da CDU “é duplicar a presença na autarquia”.

A Iniciativa Liberal candidata Maurício Antunes da Silva. O coordenador geral e membro fundador do Núcleo Territorial de Viana do Castelo e membro do Conselho Nacional da IL estreia-se na política e está confiante em que o “desgosto” do eleitorado no centro-direita permitirá a eleição de um vereador.

O Nós, Cidadãos! apresenta o arquitecto Rui Martins, que estava afastado da vida política activa há mais de duas décadas. Em 1994, integrou, como vereador do Planeamento, Gestão Urbanística e Ambiente, a equipa de Defensor Moura. Antes, entre 1989 e 1993, o arquitecto fez parte, como vereador independente, do mandato da maioria social-democrata presidida por Carlos Branco Morais.

O Bloco de Esquerda volta a apostar no arquitecto e professor do ensino superior Jorge Teixeira para eleger o primeiro vereador no executivo em 22 anos de existência do partido.

Poder socialista soma 27 anos mas conta já com cinco adversários a liderar a Câmara de Viana do Castelo há 27 anos consecutivos, o PS coloca o peso da sucessão nas mãos de Luís Nobre, que, para já, tem pela frente cinco candidaturas concorrentes.

Além da saída do socialista José Maria Costa por ter atingido o limite de mandatos autárquicos, o número de candidaturas até agora formalizadas pode dividir votos na capital do Alto Minho.

Outro factor de divisão, não só no concelho como no distrito, tem sido a constituição da empresa Águas do Alto Minho (AdAM). A empresa de gestão das redes de abastecimento de água em baixa e de saneamento básico entrou em funcionamento em Janeiro de 2020 e tem sido um dos principais argumentos políticos a marcar a pré-campanha eleitoral para as autárquicas deste ano, ainda sem data.

A AdAM é detida em 51% pela Águas de Portugal (AdP) e em 49% pelos municípios de Arcos de Valdevez (PSD), Caminha (PS), Paredes de Coura (PS), Ponte de Lima (CDS-PP), Valença (PSD), Viana do Castelo (PS) e Vila Nova de Cerveira (Movimento independente PenCe - Pensar Cerveira), que compõem a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho.

Três concelhos - Ponte da Barca (PSD), Monção (PSD) e Melgaço (PS) - reprovaram a constituição daquela parceria.

A criação da empresa tem sido contestada por vários partidos e pela população, que nas ruas, em manifestações, se queixa do aumento “exponencial” das tarifas e do “mau” funcionamento dos serviços, reclamando a sua reversão e a devolução da gestão daquelas redes a cada um dos municípios. Além do actual vereador do Planeamento e Gestão Urbanística, Reabilitação Urbana, Desenvolvimento Económico, Mobilidade, Coesão Territorial e Turismo, o socialista Luís Nobre, concorrem às autárquicas o social-democrata Eduardo Teixeira, em coligação com o CDS-PP; Cláudia Marinho, pela CDU; Maurício Antunes da Silva, pela Iniciativa Liberal; Rui Martins, pelo Nós, Cidadãos!; e Jorge Teixeira, pelo BE.

Os sete mandatos autárquicos consecutivos de maioria socialista, iniciados em 1994, foram antecedidos por cinco mandatos do PSD, entre 1976, ano das primeiras autárquicas em Portugal, e 1993.

A governação do social-democrata Carlos Branco Morais, que ficou marcada pela tentativa de retirar o Castelo ao nome da cidade, foi interrompida nas autárquicas de Dezembro de 1993, por um médico independente. Defensor Moura conquistou a autarquia e, em Janeiro de 1994, quando assumiu funções na presidência do município, filiou-se no PS.

O actual presidente, José Maria Costa, entrou para a Câmara como adjunto de Moura, em 1994. Foi vereador até 2009, quando se estreou como cabeça de lista do PS à Câmara, já que Defensor Moura atingira o limite de mandatos autárquicos.

A ameaça da prospecção minerais na serra D’Arga é outro dos temas que prometem marcar o debate, por abranger uma área de 10 mil hectares nos concelhos de Caminha, Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo e Ponte de Lima, dos quais 4.280 hectares se encontram classificados como Sítio de Importância Comunitária.

Nas autárquicas de 2017, o PS conquistou 53,68% dos votos e garantiu seis mandatos. O PSD atingiu os 21,25% e dois mandatos, e a CDU alcançou 8,11%, ficando com um eleito.

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