Braga, sexta-feira

Seis mil carros importados em fraude de 4,3 ME de euros ao Estado

Nacional

13 Janeiro 2021

Redação

Mais de seis mil carros foram usados no esquema de importação de veículos que lesou o Estado em pelo menos 4,3 milhões de euros, revelou o diretor da Polícia Judiciária (PJ) do Porto, Norberto Martins.

Mais de seis mil carros foram usados no esquema de importação de veículos que lesou o Estado em pelo menos 4,3 milhões de euros, revelou o diretor da Polícia Judiciária (PJ) do Porto, Norberto Martins.

Em conferência de imprensa sobre a operação que levou hoje à detenção de sete pessoas, o responsável esclareceu que, com um “esquema de não pagamento do IVA, [os envolvidos] conseguiam ter preços altamente competitivos nas viaturas que vendiam”.

De acordo com a “investigação, são mais de seis mil os veículos envolvidos no esquema, sendo que quase todas de valor superior a 20 mil euros”.

A maior parte dos veículos, disse, “vieram da Alemanha, França e Espanha. São todos de países da União Europeia”.

A PJ deteve hoje na zona Norte sete homens, incluindo três empresários do ramo automóvel e dois contabilistas, suspeitos de um esquema fraudulento de importação de veículos, tendo o diretor da PJ do Porto, em conferência de imprensa, admitido que o número de detidos poderá aumentar.

“Para além dos sete detidos, há a perspetiva de haver mais uma ou duas detenções que, por razões operacionais, hoje não puderam ser executadas”, disse o responsável, anunciando também a apreensão de “mais de 30 veículos de gama média e alta” e de “mais de 100 mil euros em dinheiro”.

Após “70 buscas domiciliárias e não domiciliárias, realizadas nos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Gondomar, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Braga, Barcelos, Paredes, Vila Nova de Famalicão e Ponte de Lima, foram detidos sete indivíduos, entre os quais três empresários do ramo automóvel e dois contabilistas certificados, com idades entre os 35 e os 50 anos, fortemente indiciados pelos referidos crimes”, indicou em comunicado a PJ.

Na operação denominada de “Roda Livre”, as autoridades pretendem “esclarecer um esquema de fraude fiscal que se aproveita da existência de dispares regimes de tributação incidindo sobre a transação de um mesmo bem”, neste caso em relação a viaturas automóveis, “alterando artificial e dolosamente o regime de IVA [Imposto Sobre o Valor Acrescentado] aplicado”.

A operação, continuou Norberto Martins, envolveu “mais de uma centena de inspetores, cerca de 60 técnicos ligados à Autoridade Tributária (AT) e também outros especialistas da PJ”.

Em curso desde 2019, a investigação decorreu “primeiro na AT”, por estar relacionada “com questões fiscais, havendo depois a possibilidade de evoluir para questões criminais”, explicou o diretor da PJ.

As sete detenções, diz o comunicado da PJ, ocorreram pela “presumível prática dos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento, falsificação de documentos, falsidade informática, lenocínio e associação criminosa”.

Norberto Martins explicou, sobre o caso de lenocínio, “haver indícios de que uma parte dos lucros foi branqueada por um dos arguidos para a montagem de um esquema de prostituição sob a aparência de uma casa de massagens”.

Um dos detidos foi hoje presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação, sendo os seguidos ouvidos na quinta-feira, disse o diretor da PJ do Porto.

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