“Ser músico em Portugal é ser canivete suíço, a não ser que tenhas um projecto mediático”

Diversos

12 Fevereiro 2024

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

Afonso Dorido na pele de Homem em Catarse foi o convidado do Programa Sete Mares, onde esteve à conversa com José Carlos Fernandes. Músico lembra as dificuldades de uma área bastante complexa. Novo disco sai em Outubro.

Homem em Catarse. Sinónimo de “emoção”. De “humanidade”. Numa “forma de ser e expressar sentimentos”. O músico Afonso Dorido esteve à conversa com José Carlos Fernandes, no Programa Sete Mares, da Rádio Antena Minho, onde passou em revista os projectos musicais de que faz parte, incidindo no novo single, que será editado em breve, na pele de Homem em Catarse.


“É a minha maneira de comunicar através da arte, partilhar com o mundo coisas que sinto, mandar cá fora, porque nunca é bom guardar as coisas, é quase como uma espécie de balão, que acaba por rebentar. Acaba por ser uma necessidade minha mandar para o mundo o que sinto cá dentro”, confessou o músico, que aos 14 anos começou a aprender guitarra clássica e passou depois pelo rock, quase como uma “necessidade de afirmação de adolescente”. Foi aos 30 anos que se dedicou profissionalmente à música, enquanto autor, guitarrista, escritor, letrista e, mais recentemente, abraçou o piano.
 

Passou pela fase pop dos anos 80, inspirado pelos Nirvana, Pearl Jam e rock anglosaxónico, seguiu depois “por outros caminhos e, mais tarde, “passei a identificar-me com o grunge”.


“Sou um filho do grunge”, revelou. Depois abri-me para o mundo e descobri coisas diferentes como o minimalismo, fado, post-punk, post-rock, mas cresci no grunge, apesar da minha formação de guitarra mais clássica”, referiu Afonso Dorido, nome incontornável dos Indignu, revelando que está agora a gravar um novo disco, que sairá em Outubro deste ano. E terá novidades.


“Estou a introduzir mais a minha voz, este será o disco com mais palavra. É um disco mais cantado e ainda vai ser uma surpresa maior, porque não vai ser cantado só por mim, mas por muita gente”, sublinhou.


Neste caminho multifacetado, Afonso Dorido escreve também para outros músicos, como This Penguin Can Fly, colaborando em vários projectos.
 

“Ser músico em Portugal é ser canivete suíço, é difícil, a não ser que tenhas um projecto super mediático, auditórios de milhares de pessoas e produção enorme e um concerto acaba por dar conforto. Apesar de tocar em Portugal inteiro e ter pessoas que me vão ver, acabo por ser um artista ainda independente e os auditórios não são tão grandes, tenho mesmo que tocar muito ou ter vários projectos nesta área bastante complexa”, frisou Homem em Catarse, assumindo a dificuldade de viver da música no nosso país.


“É difícil ser músico em Portugal e nos dias que correm, músico sobretudo de originais, contar as suas próprias histórias e não ser mais uma cópia e entretenimento. Cada vez é mais difícil criar e ter subsistência disso. Mas acho que é uma profissão e trabalho, o sucesso só vem antes do trabalho no dicionário. Há que lutar. Se calhar é mais difícil no Minho do que em Lisboa, mas também é mais difícil em Trás-os Montes. Mas deve acreditar-se e ser genuíno. A arte não dá para enganar, as pessoas sentem. É ser genuíno, é o mais importante”, rematou.

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