Braga,

Serviços dos Bombeiros da Póvoa de Lanhoso diminuiram e as despesas aumentaram com a pandemia

Regional

05 Setembro 2020

Redação

No ano em que celebra os seus 116 anos de actividade, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso enfrenta dificuldades causadas pela pandemia.

No ano em que celebra o seu 116.º aniversário, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso enfrenta as dificuldades provocadas pela pandemia de Covid-19 que se reflectem numa diminuição de serviços e num aumento das despesas.


O presidente da Direcção, Padre Luís Peixoto Fernandes, admite que “este ano tem sido de verdade atípico para todas as associações, mas de uma maneira muito especial para as associações de bombeiros voluntários”.
 

O dirigente concretiza: “a redução de serviços é notória todos os dias e o aumento das despesas é cada vez maior, concretamente com a aquisição de equipamentos de protecção individual”.
 

Outra despesa teve que ver com a adaptação das instalações. A intervenção destinou-se a fazer a separação de equipas de trabalho e criar mais uma camarata feminina e um refeitório onde os bombeiros pudessem fazer as refeições explica o Pe Luís Peixoto Fernandes.
 

Foi ainda necessário adaptar alguns veículos e adquirir equipamento para a desinfecção de todos os espaços, refere o dirigente.

Perante a situação provocada pela pandemia, “a direcção está expectante e tudo fará para não agravar ainda mais a actual situação financeira” assume o Pe Luís Peixoto Fernandes que, admite, no entanto, “aqui não há milagres. Os serviços diminuíram e as despesas aumentaram”.
 

Mesmo numa conjuntura adversa, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso tem contado com algumas ajudas.

O presidente da direcção dá conta do apoio da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, de algumas empresas do concelho, de instituições e da população povoense em geral, mas admite que “o maior esforço, naturalmente, terá de ser da própria associação humanitária”.

Devido à epidemia existente não será possível fazer peditórios para angariação de fundos, mas mesmo assim está em curso uma campanha para angariação de sócios anuncia o dirigente que “apela ao coração de todos os povoenses para que ajudem a instituição que lhes é tão querida no concelho da Póvoa de Lanhoso”.
 

Na direcção da associação há 22 anos e como presidente há 13 anos, o Pe Luís Peixoto Fernandes propõe-se cumprir o mandato que termina no final de 2022, mas garante “que está tudo preparado para que haja uma continuidade serena nesta associação”. “Até lá continuarei com muita honra a presidir a esta direcção e a servir o melhor que sei esta associação, que me é tão querida, desde criança” reforça o dirigente.
 

Avançam obras na cobertura e no Museu
 

E stá previsto para o corrente mês de Setembro, o arranque da obra de substituição da cobertura da parte antiga do quartel dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso.
A intervenção sera financiada pela Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso que “tem colaborado sempre, na medida das suas possibilidades” confirma o presidente da direcção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso, Padre Luís Peixoto Fernandes.
 

Segue-se uma intervenção no Museu dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso que sofreu estragos avultados em consequência de uma inundação ocorrida em Outubro do ano passado.
De acordo com o presidente da Direcção, estas obras estão orçamentadas em 80 mil euros.


O Museu dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso foi um projecto acarinhado pelo Padre Luís Peixoto Fernandes, desde o seu primeiro mandato como presidente da direcção da associação, tendo sido inaugurado em 2016.

Neste espaço museológico figuram apenas peças pertencentes à corporação da Póvoa de Lanhoso e a familiares de antigos bombeiros, que as doaram para ali ficarem expostas.

Desde um fardamento de 1904 a medalhas como o crachá de ouro da Liga dos Bombeiros, passando por escadas, batedores, botas, assobios ou os primeiros veículos de tracção animal e a motor, o museu guarda uma diversidade de peças.

Outro projecto que a direcção dos Bombeiros Voluntários pretende executar é o alargamento da Praça dos Heróis até ao Forum, aguardando o projecto que está a ser elaborado pelos técnicos da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso.


O Pe Luís Peixoto Fernandes antecipa que "esta obra irá criar mais espaços cobertos, concretamente para a camarata do corpo feminino, que é cada vez mais importante nesta corporação".
"Temos consciência das boas instalações que possuímos, mas queremos ainda mais e melhor" reforça o dirigente.
Os investimentos e os projectos a concretizar visam dotar a Associação Humanitária de Bombeiros da Póvoa de Lanhoso de meios técnicos e humanos para “servir bem a Póvoa de Lanhoso e os povoenses” realça o Pe Luís Peixoto Fernandes.

Formação retomada em grupo pequenos e à espera de reforço de EPI Covid-19

Nos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso, a retoma da formação tem sido gradual e com grupos mais pequenos, revela o comandante, António Veloso.

Numa primeira fase da pandemia de Covid-19, foram canceladas todas as formações e instruções a cerca de sete dezenas de elementos, incluindo as dos infantes e cadetes, confirma o comandante.
Retomada a formação, a opção é ministrá-la aos elementos que estão de serviço, fazendo grupos pequenos.

Quanto aos futuros bombeiros, retomam a sua formação no próximo dia 9, aponta António Veloso, que assume como objectivo concluir a escola de novos bombeiros iniciada em Janeiro.
"Até percebermos como vai evoluir a pandemia continuamos com o modelo de formação de grupos de serviço" refere o comandante.

Questionado sobre as necessidades da corporação, o comandante dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso dá conta da existência de um stock mínimo de equipamentos de protecção individual (EPI) Covid-19, mas espera receber um reforço significativo de consumíveis na próxima semana, cobrando uma promessa do presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Avelino Silva.
A nível de equipamento de protecção individual florestal, a corporação aguarda a entrega de um segundo equipamento para cada bombeiro por parte da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil.

No que toca à frota automóvel, António Veloso reconhece que ela está completa, mas o elevado desgaste exige sempre alguma renovação de veículos.

Neste contexto, a corporação povoense espera a substituição da ambulância ao serviço do Posto de Emergência Médica do INEM, havendo a promessa de que se concretize este ano.

Em tempos de pandemia, os Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso continuam a contar com a população e com as instituições locais.

“A população da Póvoa de Lanhoso é sempre generosa para com os seus Bombeiros” atesta o comandante que dá nota da oferta de consumíveis por parte de particulares e empresas do concelho e de “um forte apoio desde o primeiro dia do Município da Póvoa de Lanhoso”.

De todos os bombeiros, António Veloso espera “total disponibilidade para que o socorro à população e todos os compromissos que temos com doentes sejam assegurados”.

Disponibilidade total foi a resposta dos bombeiros às novas exigências

A pandemia de Covid-19 impôs várias adaptações aos corpos de bombeiros. “A responsabilidade tornou-se mais exigente, pela segurança dos operacionais, das vítimas e da sua própria família” afirma o comandante dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso, António Veloso que admite que “os desafios se intensificaram para o corpo activo” que teve que receber formação para o uso do equipamento de protecção individual (EPI) Covid-19.


Entre as adaptações ao longo dos últimos meses conta-se a afectação de duas ambulâncias exclusivas ao transporte de suspeitos de Covid-19.
 

Diariamente, é desinfectado o piso do parque de viaturas e foi ainda adquirido um equipamento para a desinfecção da célula das ambulâncias a cada saída, sendo que todos os espaços do quartel são desinfectados com uma máquina semanalmente, refere o comandante da corporação povoense.


“Houve ainda a necessidade de separar os grupos de trabalho dentro das instalações para que os mesmos fiquem mais reduzidos ao risco de contaminação” acrescenta António Veloso.
 

Os operacionais têm correspondido ao esforço. “Os bombeiros ajudam diariamente a Associação no cumprimento das escalas de serviço como voluntários” descreve o comandante que cita ainda o momento em que foi preciso cancelar todas as escalas de serviço e colocar em quarentena nove colaboradores devido a dois casos positivos dentro do corpo de bombeiros.


A pedido do comandante, catorze elementos voluntariaram-se para ficar 24 horas de serviço durante os 14 dias de quarentena, revela António Veloso que assume como principal objectivo “chegar ao final desta pandemia sem prejuízo para qualquer bombeiro” daí que tenham sido tomadas muitas medidas preventivas e “todos em conjunto ajudarmos a instituição para minimizar os prejuízos financeiros que se prevêem”.
 

O comandante reconhece que “a Direcção da Associação teve de fazer um esforço financeiro elevado, na aquisição de equipamentos de protecção individual Covid-19” e aponta que alguns consumíveis aumentaram o valor de compra em quase 300 por cento, para além da dificuldade na sua aquisição.


Outra despesa com relevância foi a preparação de espaços dentro do quartel para que exista separação das equipas, tendo sido criado um refeitório a par da adaptação de um espaço para uma segunda camarata feminina.

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