Braga, quarta-feira

Sindicatos pedem mais salários para reduzir pobreza

Regional

24 Dezembro 2019

Redação

Pinheiro de Natal da União de Sindicatos de Braga tem vários pedidos ao Governo. Líder da estrutura sindical aponta para 2020 o desafio da redução da pobreza.

A União de Sindicatos de Braga (USB) defende “a redução da pobreza” e a negociação de contratos colectivos de trabalho como dois dos desafios que o movimento sindical elegeu para 2020. As prioridades foram apresentadas ontem por Joaquim Daniel, o coordenador da USB, no momento de instalação da pinheiro de Natal dos trabalhadores, no centro da cidade de Braga.

O fim da precariedade laboral, um horário de trabalho semanal de 35 horas para todos e o aumento dos salários e das pensões são outras “prendas” que a USB reclama do Governo.

No que diz respeito ao combate à pobreza, o sindicalista Joaquim Daniel entende que a mais recente alteração ao Código de Trabalho, que aumenta de 90 para 180 dias o período experimental exigido aos trabalhadores à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração, já promulgada pelo Presidente da República, vai acentuar este fenómeno por via do aumento da precariedade laboral.

“Nesta fase, um trabalhador com seis meses de trabalho, mesmo tendo contrato efectivo, pode ser despedido sem qualquer indemnização”, alertou o coordenador da?USB aos jornalistas, criticando também a norma de caducidade dos contratos colectivos de trabalho, que tem vindo, desde 2003, a impedir muitos trabalhadores de concretizar o direito constitucional da negociação colectiva.

Joaquim Daniel alertou que “a esmagadora maioria dos contratos colectivos têm cerca de dez categorias, todas com o mesmo salário”, o que induz a não diferenciação de remunerações entre trabalhadores especializados e não especializados.

Aproveitando a colocação do pinheiro de Natal, o coordenador da USB considerou o anunciado aumento de 0,3% dos salários das Função Pública em 2020 como uma “medida ridícula”, a qual, para além de ser “uma ofensa para os trabalhadores da Função Pública”, o é igualmente “para todos os trabalhadores”.

“Isto acaba por colocar uma bitola para os privados. Dá uma sugestão para o sector privado não aumentar os salários”, entende o coordenador da estrututura sindical afecta à CGTP-IN, justificando, por isso, a reivindicação de aumento dos salários de todos os trabalhadores em 90 euros e a actualização do salário mínimo nacional para 850 euros.  Segundo o coordenador da USB, se estas medidas forem assumidas pelo Governo “a economia pode ser dinamizada”, recordando que, nos últimos quatro anos, a recuperação de rendimentos dos trabalhadores promoveu o crescimento económico do País.

“O valor para o aumento dos salários que o actual Governo coloca” na proposta de Orçamento de Estado para 2020 é uma afronta para os trabalhadores”, insiste o líder dos sindicatos bracarenses.

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