Braga, quinta-feira

Solidariedade tem de crescer numa UE que tem progredido pelo medo

Internacional

10 Maio 2020

Redação

Tal como há 70 anos, a solidariedade continua a ser um dos mais importantes pilares do projecto europeu, afirma José Manuel Fernandes, que gostava de ver a União Europeia a progredir mais por convicção e menos pelo medo.

“A Europa não se fará de uma só vez, nem de acordo com um plano único. Far-se-á através de realizações concretas que criarão, antes de mais, uma solidariedade de facto.”

Robert Schuman

A 9 de Maio de 1950, a Declaração Schuman, proferida pelo ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Robert Schuman, marcava o início do projecto europeu. Setenta anos depois, o documento parece fazer mais sentido do que nunca, com o a União Europeia a ser colocada à prova e a exigir aos estados membros solidariedade concreta.

Foi este o ponto de partida para a emissão de ontem do ‘Da Europa para Minho’, um programa da rádio Antena Minho, apresentado e realizado por Paulo Monteiro, com o eurodeputado José Manuel Fernandes.

A comemoração do Dia da Europa e dos 70 anos da Declaração Schuman foi o mote para uma conversa que ficou marcada pelos desafios que a Europa enfrenta actualmente, concretamente o desafio da solidariedade como factor fundamental para ultrapassar a crise causada pela pandemia. Numa altura em que a paz é dada como adquirida, em resultado do projecto europeu, também é perceptível que a União Europeia parece estar “mais alicerçada no medo do que nas convicções”, alertou José Manuel Fernandes. O eurodeputado notou que a UE tem progredido com base no medo, pois “foi o medo de novas guerras, o medo do contágio das dívidas soberanadas e agora o medo da pandemia” que tem feito o projecto europeu a avançar.

No entanto, a UE não é apenas economia, lembrou José Manuel Fernandes, realçando que ao projecto europeu estão também associados valores como a democracia, o estado de direito, a liberdade, o multiculturalismo, a defesa intransigente da dignidade humana, “entre outros valores que é preciso continuar a defender e que nunca podemos dar por adquiridos”.

A apesar de avançar alicerçada em pressupostos que não a convicção, é ponto assente que a UE é fundamental não só pela questão da paz, mas também para vencer grandes desafios que temos pela frente como as alterações climáticas, o terrorismo, a fraude e evasão fiscal e até a a demografia vão ser um grande desafio.

“É importante vencer esses desafios mantendo o nosso modo de vida, o estado social forte, valorizando valores como a democracia e o estado de direito. Mesmo na questão da luta contra a Covid-19 precisamos de actuar à escala global para a vencer”, defendeu o eurodeputado, para quem “a UE faz cada vez mais sentido” e “o orgulhosamente sós nunca será uma solução”.

No caso português, isso é por demais evidente. O nosso país recebe por dia 12 milhões de euros da União Europeia. Actualmente 80% do financiamento do investimento público que existe em Portugal também tem origem na União Europeia.

Na UE actualmente, José Manuel Fernandes identifica um problema que também existe à escala global e que prende com “a falta de líderes” carismáticos, contando sim “com governantes”, mas não com figuras que se imponham a nível planetário.

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