Braga, sexta-feira

Subida do preço das rendas levam famílias de S. Victor ao desespero e à rua

Regional

28 Dezembro 2019

Redação

Junta de Freguesia de S. Victor tem acompanhado as famílias que ficaram sem casa por não conseguirem suportar o aumento das rendas. Freguesia já perdeu uma média de uma centena de eleitores desde a abertura dos cadernos nas últimas eleições.

É uma realidade social preocupante e que tem atingido já várias famílias da freguesia de S. Victor. A especulação imobiliária e a subida do valor das rendas tem deixado vários agregados em situação de desespero por não conseguirem suportar os valores praticados.


O?presidente da junta local adiantou ao CM que só no mês de Novembro o executivo local acompanhou quatro famílias que sofreram acções de despejo. “Muitas famílias não conseguem acompanhar a actualização dos preços das rendas e depois de alguns diferendos acabam por ficar sem habitação”, diz Ricardo Silva, que se mostra preocupado com este cenário que parece estar apenas no seu início. “O nosso receio é que 2020 seja um ano de agravamento desta situação”, confessa.
 

A junta de S. Victor tem acompanhado e ajudado o trajecto das famílias nesta situação, assumindo-se como uma entidade mediadora para a sua resolução, ajudando-as a encontrar novas habitações, quer seja através da retaguarda familiar ou do arrendamento de novas habitações a preços mais acessíveis na freguesia e, principalmente, fora dela onde os preços praticados são manifestamente mais baixos.


Por conta desta situação, Ricardo Silva revela ainda que desde a abertura dos cadernos eleitorais das últimas legislativas, em Outubro, S. Victor já perder uma média de uma centena de eleitores. “Estamos a perder população. É preocupante e algo que não acontecia há vários anos. É preciso alargar a visão política sobre esta situação”, assume Ricardo Silva.


O autarca de S. Victor diz ainda que há vários edifícios que estão a ser alvo de reabilitação, não significando que isso resulte no aumento do número de fogos, já que o fenómeno do alojamento local está em franca expansão no concelho.
 

O problema está plasmado no Plano de Actividades da freguesia para 2020, aprovado pela Assembleia de Freguesia esta quinta-feira. Nele, Ricardo Silva dá conta que muitos imóveis que estavam devolutos e em risco de ruína que estão hoje a dar lugar a requalificações nobres. Contudo, diz, os preços praticados no arrendamento ou mesmo a alteração da funcionalidade corrente do edifício “pode trazer uma diminuição latente da população residente, dando lugar a uma redução de habitantes fixos na freguesia”.
 

No mesmo documento o edil refere que “a especulação imobiliária e os altos preços praticados, que muitos agregados familiares não conseguem com- portar, fazem-nos, necessariamente alavancar as medidas de apoio social e prever que 2020 pode trazer um aumento de famílias a viver nas ruas, sobretudo numa faixa etária sénior e com débil (ou ausente) retaguarda familiar”.
 

S. Victor vai duplica investimento na área social em 2020

Perante os sinais claros de fragmentação em várias vertentes, a a Junta de S. Victor vai duplicar o valor a investir na área social em 2020.


Ricardo Silva garante que a área social será a grande prioridade do executivo, que se traduzirá no apoio a várias instituições que actuam no campo social, como as Associac?o?es de Moradores, a Associac?a?o Humanita?ria dos Bombeiros, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Associac?a?o Portuguesa de Apoio a? Vi?tima, as Confere?ncias Vicentinas e a Equipa So?cio-Caritativa dos Congregados.


As actividades destinadas ao apoio social deverão rondar os cerca de 130 mil euros, estando divididas em apoio financeiro directo a instituições, actividades desenvolvidas pela junta e apoio social na componente escolar.


A Junta de Freguesia de S. Victor local quer ainda assumir a gestão de um Balcão Único ou uma Loja Social do Cidadão, onde num só espaço pudessem estar concentradas várias entidades com respostas sociais, po- dendo fazer um acompanhamento mais próximo, fiável e digno às pessoas.

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