Braga, quarta-feira

Têxtil Riopele investe 35 ME em oito anos para se tornar a fábrica mais moderna da Europa

Regional

06 Julho 2021

Lusa

A Riopele investiu 35 milhões de euros nos últimos oito anos, sobretudo na transição digital e sustentabilidade, com o objetivo de se tornar a fábrica mais moderna da Europa, anunciou hoje a têxtil de Vila Nova de Famalicão.

“Posicionamo-nos para nos assumirmos como a principal referência na Europa, investindo não só em tecnologia de ponta – automação e eficiência dos novos equipamentos, criação de uma plataforma digital, monitorização do chão de fábrica e implementação de um sistema de visão artificial nos teares - como otimizando processos e reforçando competências internas”, afirma o presidente da Riopele, José Alexandre Oliveira, citado num comunicado.


No âmbito desta “ambição de ser a empresa têxtil mais moderna da Europa”, a Riopele registou este ano a designação “Fábrica da Europa” e inaugurou, em janeiro passado, um novo polo logístico, um investimento de 1,5 milhões de euros que reabilitou o primeiro edifício industrial da empresa e criou condições para a centralização das operações logísticas da empresa.


Ocupando uma área de 8.300 metros quadrados, as novas infraestruturas logísticas têm capacidade para o armazenamento de 400 toneladas de fio e 600.000 metros de tela, permitindo “satisfazer as novas necessidades ao nível das condições de armazenamento e da resposta rápida e flexível das operações”.


O projeto previu ainda a instalação de um coletor central que irá recolher todas as águas pluviais das coberturas, prevendo-se um valor de recuperação de água na ordem dos 15.000 metros cúbicos/ano.


Segundo dados avançados pela Riopele, na última década, o número de colaboradores da empresa aumentou 23%, para 1.039 em finais de 2020.


Nas áreas técnicas, de investigação e desenvolvimento, logística, comercial e de sustentabilidade a Riopele diz empregar já “mais de 150 colaboradores, cerca de 18% do total da empresa”, o que representa um crescimento “superior a 20%” desde 2010.


Quanto ao número de profissionais com curso superior, ascende atualmente a 118 – um aumento de 46% face a 2010 –, representando “mais de 10% do quadro de pessoal”.


Fundada em 1927, a Riopele é uma das mais antigas empresas têxteis portuguesas e uma referência internacional na criação e na produção de tecidos para coleções de moda e de vestuário para algumas das mais prestigiadas marcas internacionais.


Mais recentemente, a empresa começou a investir noutras áreas de negócios complementares, como a indústria automóvel, e a reforçar o seu posicionamento nos segmentos profissional e militar.


A Riopele exporta 95% da sua produção para mais de 30 países e assume-se agora “apostada em cimentar um relacionamento estreito e regular” com a sua atual base de 700 clientes.


Neste sentido, avança o administrador da empresa Bernardino Carneiro, “a criação de uma plataforma exclusivamente direcionada a profissionais do setor foi entendida como prioritária”, até porque “permite reforçar igualmente a abordagem a novos clientes”.


“Permite à Riopele a afirmação do seu objetivo ambicioso de se posicionar, direta e permanentemente, nas plataformas de ‘sourcing’ dos seus clientes, assim potenciando o crescimento das vendas”, sublinhou Bernardino Carneiro, também citado num comunicado.


A criação desta plataforma para profissionais insere-se no âmbito do programa “Riopele Digital”, iniciado em 2016, no âmbito da Digitalização/Indústria 4.0, e que visa “o investimento em aplicações transformadoras, com o objetivo de aumentar a produtividade, garantir rapidez, agilidade e fiabilidade no tratamento de processos, diminuindo custos administrativos e libertando os recursos para as atividades críticas do desenvolvimento de negócio”.


Nesta ferramenta de comunicação, apontada como “extremamente intuitiva”, Bernardino Carneiro destaca a apresentação de novos artigos “com uma cadência reforçada e a possibilidade de analisar, em detalhe, todos os produtos desenvolvidos pela Riopele, bem como as suas características técnicas”.


“Trata-se de uma fonte de informação detalhada e em tempo real que nos permite, se necessário, otimizar o relacionamento com os nossos clientes e reagir de forma atenta às solicitações dos mercados”, precisou.


Este repensar da estratégia comercial tradicional da empresa foi também precipitada pela pandemia de covid-19, que acelerou o desenvolvimento de ferramentas digitais, de modo a “garantir a proximidade e o contacto permanente com o cliente, melhorar os níveis de serviço e simplificar processos internos”.

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