Braga, sexta-feira

Trabalhadores da Altice Portugal prometem "visita" a Guilhofrei, terra de Armando Pereira

Nacional

21 Julho 2021

Lusa

Os trabalhadores da Altice Portugal, que estão hoje em greve contra o despedimento coletivo de mais de 200 funcionários, prometem ir protestar à porta de casa do acionista da empresa, Armando Pereira, em Guilhofrei, Vieira do Minho.

A informação foi avançada à Lusa por Francisco Gonçalves, da Comissão de Trabalhadores da Meo/Altice, durante a concentração de várias centenas de trabalhadores na sede da empresa, em Picoas, Lisboa, ao início da tarde.
 

"Vamos continuar a ter iniciativas e vamos ter que ir a Vieira do Minho, a Guilhofrei, à porta do dono da Altice", afirmou Francisco Gonçalves, que não avançou com o número aproximado de trabalhadores presentes na concentração.
 

"Temos que lá ir para ele [Armando Pereira] sentir o nosso descontentamento e desilusão, porque quando entrou nesta empresa disse que não fazia despedimentos e seis anos depois estamos a ser confrontados com o primeiro despedimento coletivo na história de uma empresa que tem mais de 120 anos em Portugal", salientou.
 

"Ainda por cima, este processo é apadrinhado por um conterrâneo nosso, que é português" e as pessoas "de Guilhofrei têm de saber que o filho da terra, que até tem lá um largo com o nome dele, é o mesmo que aqui em Lisboa está a tomar a decisão de mandar 240 trabalhadores" para o despedimento.
 

Questionado para quando essa iniciativa, Francisco Gonçalves não avançou datas.
 

O que é certo é que na próxima semana os trabalhadores vão "estar novamente à porta do senhor primeiro-ministro porque se eles querem tornar isto num despedimento político, se dizem que a culpa é dos reguladores e do Governo, o Governo tem de dizer se é assim, se concorda com este despedimento", afirmou.
 

"Se alguém está a mais na casa, é esta administração e o dono da empresa", rematou Francisco Gonçalves.
 

A luta dos trabalhadores da Altice "é uma maratona, não é uma corrida de 100 metros", salientou, apontando as manifestações de solidariedade "de toda a empresa, de norte a sul e das ilhas".
 

Tudo isto "dá-nos força para continuar" contra os despedimentos na Altice Portugal, salientou.
 

Francisco Gonçalves disse que ainda hoje teve uma reunião com o secretário de Estado das Comunicações para o sensibilizar para a situação que os trabalhadores da operadora de telecomunicações atravessam.
 

Na concentração, discursaram os deputados do Bloco de Esquerda Isabel Pires e do PCP Bruno Dias, que manifestaram solidariedade para com os trabalhadores da Altice Portugal.
 

Paulo Oliveira, com mais de 30 anos de casa, é um dos trabalhadores que está na lista de despedimento coletivo, tal como António Serra, ambos ligados ao processo de transmissão de estabelecimento.
 

No caso da transmissão de estabelecimento, "ganhámos em tribunal, mas o processo ainda não está encerrado", explicou Paulo Oliveira.
 

"Somos técnicos superiores e estamos sem trabalho desde março", contou.
 

A sentença do tribunal, disse, prevê a "integração" no departamento em que estavam, mas o que foi proposto pela Altice "foi uma cedência para outra empresa e fazer um trabalho diferente", mais concretamente ligado à fibra ótica, área à qual nunca tiveram ligados.
 

"Isto não é solução, o departamento de onde viemos ainda existe" e até houve pessoas que saíram no âmbito do programa Pessoa, contaram.
 

"Também nos foi proposto rescisão por mútuo acordo", o que rejeitaram.
 

Paulo Oliveira e António Serra integravam várias centenas de pessoas que hoje se manifestaram contra o despedimento coletivo e que de Picoas seguiram em desfile para os ministérios das Infraestruturas e do Trabalho.
 

"A luta continua, na Altice e na rua", "é só cortar e roubar a quem vive a trabalhar" ou "Alexandre [Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal], escuta, os trabalhadores estão em luta" foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes.
 

Mas também o primeiro-ministro não foi esquecido por ainda não ter dito uma palavra sobre o processo de despedimento: "Costa, escuta, os trabalhadores estão em luta", proferiram em uníssono.

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