Braga, quarta-feira

Trabalhadores do Pingo Doce aprovam banco de horas em referendo

Nacional

11 Agosto 2020

Lusa

Os trabalhadores do Pingo Doce deram 'luz verde' ao banco de horas na cadeia de supermercados, com 81% de votos favoráveis no referendo a quase 25 mil pessoas organizado pela retalhista do grupo Jerónimo Martins e que mereceu as críticas de sindicatos.

“Estamos muito satisfeitos com os resultados do referendo, que mostram claramente que contamos com a confiança da esmagadora maioria dos nossos colaboradores, para quem o banco de horas não é uma novidade nem a maneira responsável e leal como no Pingo Doce fazemos uso deste instrumento”, afirma a diretora de recursos humanos do Pingo Doce, Margarida Manaia, em comunicado hoje divulgado.
 

Foram cerca de 81% os colaboradores que votaram a favor do regime do banco de horas, num referendo realizado para cumprir a nova legislação laboral [criada em 2019] e que mobilizou 24.885 pessoas, correspondendo a uma taxa de participação de 96%.
 

"Encontra-se, desta forma, legitimado pelo voto dos colaboradores este regime de flexibilidade na gestão do tempo de trabalho", diz a empresa, lembrando que este sistema de flexibilidade estava em vigor no Pingo Doce desde 2014 mas, na sequência da publicação de uma lei em 2019, para continuar a ser mantido depois de 01 de outubro, carecia de aprovação por, pelo menos, 65% dos colaboradores.
 

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) defendeu, em comunicado divulgado, não dever realizar-se o referendo para o banco de horas por não cumpria "normativos legais" e que não deviam ser instituídos regimes de bancos de horas, porque "o trabalhador tem direito à previsão do seu tempo, logo, não pode a empresa dispor, ao seu critério, da totalidade do tempo dos trabalhadores”.
 

O Pingo Doce, no comunicado hoje divulgado, defende que o banco de horas permite flexibilizar a gestão do tempo de trabalho, tornando possível o acréscimo de horas trabalhadas em alguns dias e a respetiva compensação noutros dias, e permite aos colaboradores pedir horas adiantadas para gerir necessidades da vida pessoal, que mais tarde compensam.
 

"Desta forma, o banco de horas possibilita a gestão de necessidades e imprevistos, tanto da parte da empresa como da dos colaboradores", defende a retalhista.
 

O CESP chegou a promover ações de denúncia contra a realização do referendo, em julho, junto de lojas Pingo Doce em Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Porto, Santarém, Lisboa, Setúbal e Viana do Castelo.

 

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