Braga, sábado

Tudo o que possamos fazer pelos nossos bombeiros é pouco

Regional

23 Abril 2020

Redação

Presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto assume a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses como um um parceiro fundamental, aplaudindo o trabalho excelente.

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses está em festa. E no dia que celebrou o 71.º aniversário, o presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto defendeu que “é uma das instituições mais importantes do concelho pela importância que tem e pela qualidade de prestação de serviços que efectua”. Francisco Alves aproveitou para aplaudir o “trabalho excelente” da direcção e para prestar um “tributo” aos bombeiros.

A instituição que completou 71 anos na passada segunda-feira é “um parceiro importante, muito mais nesta fase”, revelou o autarca, deixando a certeza: “tudo o que possamos fazer pelos nossos bombeiros é pouco”.

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto contribui, dentro das “possibilidades financeiras”, com a corporação. “Atribuímos um subsídio anual de 35 mil euros, além disso apoiamos em 50% a Equipa de Intervenção Permanente (EIP), que corresponde a mais de 30 mil euros”, contou Francisco Alves. O presidente referiu ainda os 15 mil euros que a corporação recebe da Iberdrola pela construção da Barragem de Daivões, prevista terminar em 2023. “A comparticipação é canalizada para os bombeiros para a aquisição de equipamento para que a corporação possa estar melhore equipada caso seja necessário ali intervir”, explicou o presidente. Entretanto, desde o início de 2017, o Município de Cabeceiras de Basto aprovou o Regulamento de Concessão de Regalias Sociais aos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses .

Em dia de festa, a direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses não quis deixar de lembrar o 71.º aniversário. Com bolo e o cantar dos parabéns em directo na página do facebook, os sete operacionais que estão de serviço no quartel, o comandante, Duarte Ribeiro, e o presidente da direcção, Jorge Machado, celebraram a festa. “Este ano é diferente, mas quisemos assinalar a data”, justificou o presidente da associação.

Jorge Machado garantiu que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses é uma instituição “robusta”, deixando a garantia aos cabeceirenses para confiarem no trabalho que está a ser feito. “Temos gente nova e qualificada que faz um bom serviço. Vai correr bem e os bombeiros estão aqui para socorrer e salvar e, no final, que fique tudo bem”, sublinhou o presidente.

Também o comandante Duarte Ribeiro, que está no comando desde 2003, deixou uma primeira mensagem para os bombeiros profissionais. “Estão aqui 24 horas durante uma semana seguida, estão a fazer um grande esforço nesta luta que estamos todos a travar”, elogiou Duarte Ribeiro, deixando uma palavra também aos voluntários, que “estão sempre alerta, atentos e disponíveis para o que for preciso”.

O comandante confessou que não estão a ser tempos fáceis, mas juntos vamos “conseguir ultrapassar esta fase mais negra”.

Lei de financiamento dos bombeiros “não serve”

Com um orçamento anual a rondar os 750 mil euros, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses não é “muito diferente” das outras associações de bombeiros. “A dificuldade que temos é em fazer a gestão financeira da associação com alguma previsibilidade”, lamentou o presidente da direcção, Jorge Machado, assegurando que “a lei de financiamento dos bombeiros não serve”.
Apesar da associação não ter particularmente dificuldades financeiras, vive um “problema estrutural”, que é comum a todas as corporações de bombeiros do país.

“Andamos sempre a planear ano a ano, quase mês a mês, quando devíamos ter alguma estabilidade financeira e condições para gerir a instituição e ficarmos com outra tranquilidade para nos dedicar ao que é efectivamente necessário, organizando o trabalhar e prestando um bom serviço”, apelou o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses, destacando a importância de se ter “alguma capacidade de prever o que será a actividade de ano a ano”.

Mas a realidade é bem diferente. “Muitas associações fazem contas mês a mês e não têm a certeza se ao final do mês conseguem cumprir as suas obrigações e isso é uma situação terrível”, alertou Jorge Machado.

Para o presidente da direcção da instituição “a protecção civil, o socorro e a emergência pré-hospitalar não podem estar dependentes de uma imprevisibilidade total”, apontou o responsável, exigindo uma “lei de financiamento mais clara, mais sólida e mais garantida, permitindo fazer o planeamento a longo do tempo”.

Entretanto, com a pandemia Covid-19, as contas das associações humanitárias de bombeiros já são outras. “Os serviços não urgentes quase que desapareceram, uma vez que as consultas praticamente foram canceladas, e o próprio serviço do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) também reduziu bastante”, alertou Jorge Machado, referindo que “as pessoas têm receio de ir ao hospital e têm re- corrido muito menos ao serviço do 112”.

Ainda sobre o serviço não urgente, que “reduziu drasticamente”, Jorge Machado foi peremptório: “neste momento isso não pode significar uma redução do socorro por parte da corporação de bombeiros. A quebra de receita fica para mais tarde fazermos contas, o importante nesta fase é socorrer todas as pessoas”.

Corporação começou 2020 com “maior escola de formação de sempre”

Apesar de ter vivido o problema comum a praticamente todas as corporações de bombeiros do país, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses começou 2020 com “a maior escola de formação de sempre” com 30 voluntários. “Não quer dizer que todos completem com sucesso o percurso de formação ao longo do ano, mas nunca começamos com 30 elementos e isso já é um bom indicador”, aplaudiu o presidente da direcção da associação, Jorge Machado.

Um pouco por todo o lado se ouve falar que “o voluntariado está em crise e que são poucos os jovens que se inscrevem como voluntários”, referiu o presidente, admitindo que a corporação de bombeiros de Cabeceiras de Basto também passou pelo mesmo durante dois ou três anos seguidos. “Fizemos uma campanha grande no final do ano passado e começámos 2020 com a maior escola de formação de sempre com quase 30 elementos inscritos que começaram a formação, mas, entretanto, foi suspensa por causa da Covid-19”, informou.

Nesta matéria, Jorge Machado defende que também é preciso que aconteça “alguma coisa” e que os incentivos para ser voluntário nos bombeiros “ultrapasse um pouco o que tem sido até agora, que basicamente são as propinas e as despesas com as creches”. O presidente foi peremptório: “é preciso um esforço a nível nacional e com outro peso para termos jovens que se sintam motivados para vir para os bombeiros e que, de algum modo, sintam o reconhecimento pelo serviço prestado. É preciso que haja efectivos incentivos para os bombeiros voluntários”.

Jorge Machado alertou ainda para a necessidade das corporações terem “entradas garantidas e gente suficiente para cumprir a missão de socorrer e salvar”.

Neste campo, a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto tem aprovado, desde o início de 2017, o Regulamento de Concessão de Regalias Sociais aos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses.
A aprovação deste regulamento resultou da vontade da autarquia querer formular e concretizar uma “política social de reconhecimento” aos bombeiros voluntários, através da implementação de medidas em favor dos homens e mulheres que se colocam ao serviço das populações e da defesa do património, medidas estas que visam “acarinhar, valorizar, proteger e fomentar o exercício de uma actividade de relevante interesse” para a comunidade, em regime de voluntariado.

“Tudo o que possamos fazer pelos nossos bombeiros é pouco”, começou por sublinhar o presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Francisco Alves, exemplificando alguns dos privilégios que os bombeiros usufruem. “Os nossos bombeiros têm redução de 25% de taxas e licenças de construção ou reconstrução de habitações, é-lhes concedida a aplicação do tarifário social de utilizador doméstico na água, saneamento e recolha de resíduos, têm ainda a compensação de 25% do imposto municipal sobre imóveis, bem como o acesso gratuito, por uma hora e três vezes por semana, nas piscinas municipais cobertas e o acesso gratuito, até três dias por semana, nas piscinas descobertas”, enumerou Francisco Alves. Mas há mais. “Temos ainda um subsídio de funeral no montante de 500 euros”, disse.

Aposta na formação é “mais-valia” da corporação

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses tem feito uma “forte aposta” na formação dos elementos. Com 20 profissionais e cerca de 60 voluntários, a corporação tem na formação uma “mais-valia”, como garantiu o comandante Duarte Ribeiro, que está nos bombeiros há 36 anos.

“Temos feito uma aposta muito grande na área formativa, porque foi sempre uma preocupação por parte da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses. As indicações que temos para fazermos tudo que diz respeito à formação, facilitando o acesso aos profissionais e também aos voluntários”, garantiu o comandante, referindo que “tudo aquilo que é apresentado à associação para formação, mesmo trazendo custos, e alguns bem elevados, a direcção tem dado toda a abertura para os bombeiros terem toda a formação necessária”. Com o corpo activo equipado para o combate a incêndios florestais, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Cabeceirenses apostou, entretanto, em equipar os seus operacionais para o combate a incêndios estruturais.

“Numa primeira fase, foram adquiridos Equipamentos de Protecção Individual (EPI) para metade do corpo activo, mas a totalidade dos operacionais fica equipada com botas e capacetes”, adiantou o comandante, referindo que a direcção tem feito “um enorme esforço” no sentido de ter todos os profissionais protegidos. “São fatos muito caros e estamos a distribuir o equipamento por fases”, justificou.
A par da protecção individual dos bombeiros, a direcção da associação tem-se empenhado também na renovação da frota automóvel. “Estamos apetrechados em termos de equipamentos, de viaturas e de material técnico ao nível do melhor que há no distrito de Braga”, garantiu Duarte Ribeiro.

Entretanto a corporação tem uma Equipa de Intervenção Permanente (EIP) co-financiada pelo Governo e pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto. “Antes da existência desta EIP tivemos uma Equipa de Intervenção Rápida, suportada a 100% pela associação, porque tínhamos manifestado há muito tempo a necessidade de ter essa equipa”, lembrou o comandante da corporação, referindo que essa equipa ainda esteve em funcionamento quase dois anos.

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