Braga, sábado

Turismo no Gerês nas festas dentro do normal, mas com reservas à última hora"

Regional

08 Janeiro 2021

Lusa

A procura pelo Gerês na época festiva de 2020 esteve "dentro do normal", mas com reservas feitas "à última hora" e preferencialmente por "casas inteiras", interesse sem reflexo na restauração, disseram hoje à Lusa agentes económicos locais.

Em declarações à Lusa, a responsável pela ADERE Peneda-Gerês, entidade privada sem fins lucrativos que se dedica ao desenvolvimento, valorização e conservação do património local, Sónia Almeida, referiu que a procura "não foi nem maior, nem menor" na época de Natal e Ano Novo, mas teve "’timings’ diferentes".
 

À Lusa, o presidente da Câmara de Terras de Bouro, Manuel Tibo, disse que a procura por alojamento na época das festas foi "muito pouca" na vila, que mantém as unidades hoteleiras encerradas, e que "pouca diferença" fez para o comércio local, nomeadamente para a restauração.
 

O Gerês foi uma das zonas do país onde houve aumento da procura durante o verão, marcada pela pandemia causada pelo novo coronavírus, com os turistas a apontarem a "segurança na higiene, alojamentos privados e o ser dentro de portas" como "fatores decisivos" na altura de escolherem a área como destino de férias.
 

"Aquilo que nos disseram os nossos parceiros de alojamento foi que houve procura, em iguais níveis a anos anteriores, principalmente anos em que as datas festivas alargavam os fins de semana, mas que as reservas foram feitas mais em cima da hora, nas vésperas ou antevésperas", explicou Sónia Almeida.
 

Segundo a responsável, "a procura foi sobretudo pelo chamado alojamento local e por casas inteiras, em vez de quartos isolados".
 

"A possibilidade de passar isolados as festas, nomeadamente a passagem de ano, foi um dos fatores apontados por quem procurou esta zona, uma vez que os tradicionais festejos na hotelaria estavam condicionados", disse.
 

Contactados pela Lusa, os donos de alguns alojamentos locais dentro do Parque Nacional Peneda Gerês (PNPG) corroboraram os dados da ADERE: "Pensávamos que íamos ficar com as casas vazias, mas à última da hora acabou tudo por se compor e tivemos as três casas que gerimos cheias, com famílias que procuraram aqui o isolamento", explicou Adelino Fonseca.
 

"Por última da hora entenda-se o próprio dia. Tivemos uma família que arrendou no dia 31 de dezembro de manhã para chegarem a meio da tarde e ficarem até dia 04 de janeiro", sublinhou.
 

Cátia Gicó, dona de duas casas de turismo rural no PNPG, fez igual análise: "Pensámos até nem disponibilizar o alojamento, tanto que o retirámos das várias plataformas em que normalmente estamos. Mas acabámos por ter reservas feitas diretamente a nós no dia 23, para o Natal, e no dia 30, para o Ano Novo. A diferença é que foram a pedir a casa inteira e não um ou dois quartos como é regra", explicou.
 

Se o alojamento local dentro PNPG "não foi muito afetado" pela pandemia causada pelo coronavírus no final do ano de 2020 e início de 2021, o mesmo já não se verificou numa das áreas mais procuradas no verão, Terras de Bouro.
 

"Se no verão tivemos a vila e os alojamentos cheios, agora foi o oposto. As unidades hoteleiras fechadas também não permitiam a vinda de turistas, mas mesmo que estivessem abertas não havia procura, até por causa das restrições impostas", disse o autarca.
 

Quanto à procura do PNPG por turistas, "isso não se refletiu no concelho de Terras de Bouro ao nível do comércio nem restauração".
 

"Não houve movimentação. Também por causa das restrições. Se comparar com a mesma época do ano passado as quebras são de 90%", apontou.

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